Nicarágua. Petro sobre a poeta nicaraguense Gioconda Belli: “Ortega faz o mesmo que Pinochet”

Foto: aboodi vesakaran | Pexels

Mais Lidos

  • Observando em perspectiva crítica, o que está em jogo no aceleracionismo é quem define o ritmo das questões sociais, políticas e ambientais

    Aceleracionismo: a questão central do poder é a disputa de ritmos. Entrevista especial com Matheus Castelo Branco Dias

    LER MAIS
  • Entre a soberania, o neoextrativismo e as eleições 2026: o impasse do Brasil na geopolítica das terras raras. Artigo de Sérgio Botton Barcellos

    LER MAIS
  • Em decisão histórica, Senado rejeita nome de Messias ao STF

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

14 Setembro 2023

O presidente da Colômbia endurece o tom diante dos confiscos que afetam os opositores do regime da Nicarágua.

A reportagem é de Santiago Torrado, publicada por El País, 13-09-2023.

Caso houvesse alguma dúvida, Gustavo Petro acabou de se distanciar do regime de Daniel Ortega na Nicarágua. O presidente colombiano, em visita ao Chile para a cerimônia dos 50 anos do golpe de Estado contra o socialista Salvador Allende, cerrou fileiras em defesa da escritora Gioconda Belli e chamou o presidente nicaraguense de ditador ao compará-lo a Augusto Pinochet naquela que é sua declaração mais forte até o momento.

“Toda a minha solidariedade a Gioconda Belli, poeta da resistência nicaraguense contra Somoza, agora perseguida por Ortega”, escreveu Petro no X (antigo Twitter), sua rede social favorita. “Que paradoxo! Aqui, no Chile, visito poetas chilenos cujas casas foram invadidas e assassinadas pela ditadura, e Ortega faz o mesmo que Pinochet.” Sua mensagem reproduzia outra em que a escritora denunciava o confisco de sua residência em Manágua.

Petro endurece assim o tom das suas mensagens a respeito de Ortega e sela a viragem diplomática do seu Governo. O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia já enfrentou a hostilidade do regime nicaraguense em diversas ocasiões, mas é a primeira vez que o próprio presidente é tão enérgico.

No enésimo confronto, a Colômbia manifestou mês passado a sua “preocupação” com o confisco da Universidade Centro-Americana (UCA), na Nicarágua, que se tornou o último reduto da liberdade de pensamento num contexto de repressão brutal. O Itamaraty condenou então veementemente “todas as medidas que limitam a liberdade religiosa, acadêmica e de expressão” na Nicarágua, o que Manágua descreveu como uma “posição intervencionista” numa declaração repleta de desqualificações.

As tensas relações entre Bogotá e Manágua são uma questão delicada, uma vez que ambas as capitais mantêm há anos uma acirrada disputa fronteiriça no Mar do Caribe que envolve as águas circundantes do arquipélago colombiano de San Andrés e Providencia. A Nicarágua tornou-se um campo minado para a diplomacia colombiana.

Leia mais