O ensinamento de Dall'Oglio: unidos contra o ódio

Foto: Marco Bianchetti | Unsplash

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25 Setembro 2024

É o ensinamento, às vezes duro e provocativo, do padre Paolo Dall'Oglio que ressurge, como um rio subterrâneo da memória, nos textos de suas palestras proferidas em árabe entre o final de 2011 e o início de 2012 - pouco antes de sua expulsão da Síria - comentando a regra da comunidade que ele fundou em Deir Mar Musa.

O livro Dialogo sempre con tutti (Diálogo sempre com todos, Centro Ambrosiano, pág. 272, 20,00 euros) publica algumas delas após o primeiro volume intitulado Il mio testamento (Centro Ambrosiano 2023), com a evidente intenção de não dispersar a memória e recuperar intuições teológicas que, de outra forma, se perderiam, mais de dez anos depois de terem sido perdidos os rastros do jesuíta desaparecido em Raqqa, provavelmente sequestrado por um grupo do Daesh.

A reflexão, em um estilo coloquial e às vezes desorgânica, sobre o tema da inculturação cristã em um contexto islâmico é a parte principal do volume, no qual também não faltam reflexões, em uma comunidade monástica mista, sobre a relação entre homens e mulheres.

A reportagem é de Luca Geronico, publicada por Avvenire, 24-09-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

Aqui estão algumas coordenadas dessa presença. “A Igreja não é uma comunidade contra outras, sejam elas o Islã, o judaísmo, o marxismo ou outras”, afirmava Dall'Oglio. Em vez disso, “por causa de nosso batismo e de nossa relação com Jesus Cristo, nos deparamos com uma pretensão assustadora: que dentro de nós está o fermento da completude de toda religião e de toda comunidade”. É a aspiração a uma fraternidade universal que precisa, como o oxigênio, da humildade. “De fato”, afirmava o fundador de Mar Musa em suas conferências, “até mesmo os símbolos teológicos mais maravilhosos, as verdades eternas e as belas teorias podem construir o império da tirania ocidental, podem estabelecer a arrogância da Igreja sobre os outros”. O que é necessário é uma nova percepção da Igreja a partir da relação com a religião judaica, não mais “uma religião outra, uma religião que não nos pertence”.

Isso determina uma nova forma de acolhimento: “A compreensão do outro pelos cristãos deriva do fato de que Cristo morreu por todos”. Portanto, “a Igreja não é estranha a ninguém, nem budista, nem hindu, muito menos muçulmano”, com quem os cristãos compartilham “os nossos santos nomes: Adão, Noé, Enoque, Moisés”. Não estranhos, mas, ao contrário, “juntos formam um ‘bloco’ de fé, de raiz abraâmica, construído sobre a aventura da fé no único Deus que intervém com amor e misericórdia na história da humanidade. Um bloco que deve ser mantido unido porque “não podemos dizer: estamos perto dos muçulmanos e distantes dos judeus. Pois se nos distanciarmos dos judeus, voltaremos à lógica da divisão, do controle, do ódio, da rejeição e da falta de perdão”.

Um empenho, nessas linhas de programa, que continua: “A presença cristã no mundo muçulmano deve ser vivida em uma dimensão profética e escatológica, projetada para o cumprimento da promessa feita a Abraão e que a Virgem Maria já canta como realizada no Magnificat”, escreve na introdução o padre Jihad Youssef, atual superior da comunidade monástica de al-Khalil, que apresentará o livro na quarta-feira, 9 de outubro, em Milão, no Centro Pime.

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