Não à Guerra. Não à OTAN na América Latina

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14 Mai 2026

“A OTAN é um instrumento para a guerra e para que as grandes empresas de armamento continuem fazendo negócios e lucrando com a morte e a destruição. Ao mesmo tempo, são instrumentos para a pilhagem de recursos naturais e para a geopolítica do petróleo”, escreve Pablo Ruiz E., jornalista, coordenador do Observatório para o Fechamento da Escola das Américas, no Chile, em artigo publicado por Rebelión, 13-05-2026. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Da América do Sul, observamos com muita preocupação a política, manobras e exercícios militares realizados pelos países membros da OTAN em todo o mundo e que podem desencadear uma terceira guerra mundial, com consequências devastadoras para todos os países, incluindo a América Latina, pois uma terceira guerra mundial contra a Rússia ou China, eventualmente, poderia envolver armas nucleares.

De acordo com o Centro Estratégico Latino-Americano de Geopolítica - CELAG:

- A Colômbia é parceira global da OTAN, desde 2018, o que implica estreita cooperação em segurança, embora não seja membro pleno;

- O Peru foi designado, em 2026, aliado principal não membro da OTAN pelos Estados Unidos, facilitando a cooperação em defesa e tecnologia. Além disso, conta com certificação Nível 2 na catalogação OTAN;

- A Argentina mantém o status de aliado importante extra-OTAN, desde 1998, fortalecendo seus laços;

- O Chile está vinculado, desde 2004, ao Sistema OTAN de Catalogação (SOC), avançando na modernização logística com o software da aliança;

- O Brasil é usuário do sistema de catalogação da OTAN e reconhecido aliado importante da OTAN.

Todos esses países - Brasil, Colômbia, Chile, Peru e Argentina - têm os maiores gastos militares da América Latina. Claro, em nosso continente está o mais importante aliado da OTAN, os Estados Unidos, como também o Canadá, com os mais altos gastos militares.

No caso do Chile, queremos denunciar que, em 2025, a então ministra da Defesa, Adriana Delpiano, e a embaixadora da Alemanha no Chile, Susanne Fries-Gaier, assinaram um “acordo técnico com a Alemanha com o objetivo de facilitar o intercâmbio de material militar” que, de passagem, permitirá “o acesso à logística do sistema OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte.

A assinatura do acordo com a Alemanha faz parte de uma série de requisitos da OTAN para que o Chile avance para o Nível 2, o que permitirá ao país catalogar seus próprios produtos e oferecê-los nesta vitrine internacional.

No ano passado, o jornal digital El Mostrador também denunciou que existia uma operação secreta entre o Chile e a Alemanha. A Alemanha solicitava ao Chile a transferência de pelo menos 30 veículos de combate de infantaria Marder 1A3. Esses veículos de combate seriam posteriormente enviados para a guerra na Ucrânia, para onde, como é de conhecimento público, o governo alemão está enviando equipamentos e armas nesta guerra contra a Rússia.

Como organizações, manifestamos ao Ministério da Defesa do Chile nossa rejeição a essa venda ou transferência de veículos de combate e pedimos ao governo neutralidade e o fim dessa operação. Não concordamos que a Alemanha envolva o Chile em qualquer guerra.

Como se pode notar, a Alemanha está muito ativa em assuntos militares e a isso devemos acrescentar que um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica - AIEA aponta que este país adquiriu, em sigilo, capacidade para fabricar suas próprias armas nucleares. Embora afirmem não ter intenções, nós não acreditamos no que o governo alemão diz, pois, na prática, poderiam fabricar armas nucleares em muito pouco tempo, o que é coerente com seu discurso belicista e suas intenções de construir o exército mais poderoso da Europa, bem como com o seu apoio à política de dissuasão nuclear impulsionada pela OTAN.

Também é necessário destacar que o Reino Unido mantém presença nas Ilhas Malvinas, onde realizou diversos exercícios militares, nos últimos anos, para garantir o controle estratégico do Atlântico.

O Comitê Especial de Descolonização da ONU (C-24) examina anualmente a “Questão das Ilhas Malvinas”, desde 1964, reafirmando que se trata de um caso de colonialismo que requer negociações bilaterais entre a Argentina e o Reino Unido. A Argentina reafirma sua soberania e defende a descolonização, rejeitando a autodeterminação das ilhas.

Além disso, o jornal Página 12 denunciou “uma nova subjugação da soberania argentina e seus recursos pelo Reino Unido. O governo local das Ilhas Malvinas habilitou o projeto das petrolíferas britânicas Rockhopper, do Reino Unido, e Navitas, de Israel, para extrair 55.000 barris por dia do campo Sea Lion, localizado a 200 km de Porto Argentino”.

A OTAN é um instrumento para a guerra e para que as grandes empresas de armamento continuem fazendo negócios e lucrando com a morte e a destruição. Ao mesmo tempo, são instrumentos para a pilhagem de recursos naturais e para a geopolítica do petróleo.

Denunciamos o ataque à Venezuela e a extorsão realizada pelo governo dos Estados Unidos, bem como as sanções impostas unilateralmente contra o povo venezuelano.

Denunciamos o bloqueio unilateral contra Cuba e as constantes ameaças feitas pelos Estados Unidos de atacar este país, considerado por Washington uma ameaça.

Denunciamos que os Estados Unidos seguem mantendo o controle ilegal sobre Guantánamo, que não é apenas uma base militar, mas também uma prisão.

Por fim, manifestamos nosso apoio às diversas iniciativas da Rede Internacional Não à Guerra – Não à OTAN, pois é dever de todos defender a paz e o direito à autodeterminação dos povos.

Nota

- Este artigo foi preparado e compartilhado no webinário “OTAN: segue se expandindo globalmente?”, organizado pelo IPB e a Rede Internacional Não à Guerra, Não à OTAN.

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