30 Abril 2026
Enquanto seis petrolíferas ganham US$ 3.000 por segundo, o impacto dos preços do petróleo e do gás chega a US$ 600 bilhões, calcula a 350.org.
A informação é publicada por ClimaInfo, 29-04-2026.
Enquanto seis grandes petrolíferas do mundo lucram US$ 3.000 por segundo, como mostrou a Oxfam International, todos os países sofrem com a escalada dos preços dos combustíveis fósseis e as restrições de oferta decorrentes da guerra no Oriente Médio. Com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a 350.org calculou o valor desse impacto. São cifras que impressionam e reforçam a urgência da transição energética – não só pelo clima, mas também pela economia das nações.
A crise do petróleo e do gás gerada pelos ataques dos EUA e de Israel ao Irã imporá custos adicionais à economia global que poderão superar US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões), de acordo com a 350.org. Mesmo que o Estreito de Ormuz volte rapidamente à normalidade, o impacto dos altos preços do petróleo e do gás fóssil chegará a cerca de US$ 600 bilhões (R$ 3 trilhões).
Entretanto, é provável que essa seja uma estimativa conservadora, destaca o Guardian. A análise não inclui os efeitos indiretos substanciais da inflação, particularmente o aumento dos custos de fertilizantes e alimentos, a menor atividade econômica e o aumento do desemprego.
Mas se a grande maioria paga a conta do conflito – que é ainda maior para as populações dos países mais pobres -, há quem esteja ganhando e muito com o choque do petróleo. O grande causador da guerra, os EUA, bateram recorde de exportações de óleo cru e de gás liquefeito (GNL). E as grandes petrolíferas, mesmo impactadas por restrições às suas operações no Oriente Médio, estão rindo de uma orelha à outra com tanto dinheiro entrando em suas caixas.
Somente as estadunidenses Chevron, ConocoPhillips e Exxon, a britânica BP, a anglo-holandesa Shell e a francesa TotalEnergies lucrarão US$ 2.967 por segundo em 2026 devido à guerra, segundo a Oxfam. A BP, inclusive, foi alvo de críticas após revelar que seus lucros mais do que dobraram nos primeiros três meses do ano graças à disparada do preço do petróleo causada pela guerra, segundo o The Independent. A empresa teve lucro de US$ 3,2 bilhões (R$ 16 bilhões) no primeiro trimestre, ante US$ 1,38 bilhão (R$ 7 bilhões) no mesmo período de 2025 e US$ 1,54 bilhão (R$ 7,8 bilhões) nos três últimos meses do ano passado.
“Nos próximos dias, as grandes petrolíferas divulgarão lucros astronômicos do primeiro trimestre, obtidos em grande parte às custas de uma guerra que já matou milhares e empobreceu milhões. Mesmo que o Estreito de Ormuz seja reaberto amanhã, uma quantia obscena de dinheiro continuará a fluir para os cofres do petróleo às custas das pessoas comuns que já lutam para pagar combustível, eletricidade e comida”, diz Anne Jellema, diretora executiva da 350.org.
A organização defende a implementação urgente de um imposto sobre lucros extraordinários das petrolíferas, que poderia arrecadar recursos para a proteção social e para investimentos em energias renováveis, mais baratas, limpas e confiáveis do que as alternativas fósseis. Apelos reiterados na 1ª conferência sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis, em Santa Marta, na Colômbia, onde ativistas indígenas e da sociedade civil marcharam pelas ruas da cidade com faixas que diziam “Chega de petróleo”, “Amazônia Livre de Petróleo” e “Outro caminho é possível”, informa a Folha.
Em tempo
Mais dinheiro para as petrolíferas, mais pobreza para as populações. O barril do Brent atingiu ontem (29/4) seu maior valor desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, informa o Valor. O Brent, com entrega em junho, encerrou o dia em alta de 6,08%, cotado em US$ 118,03 por barril. Já o WTI, dos EUA, com entrega para o mesmo mês, subiu 6,95%, para US$ 106,88 por barril.
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