07 Abril 2026
Guerra continuará perturbando o fornecimento global de petróleo mesmo que um cessar-fogo leve à rápida reabertura do Estreito de Ormuz.
A reportagem é publicada por ClimaInfo, 06-04-2026.
O petróleo fechou em alta nesta 2ª feira (6/4) em meio à escalada dos ataques verbais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Irã, o que reduziu as expectativas de um possível acordo de cessar-fogo no Oriente Médio. O “agente laranja” já havia dito que “causaria um inferno” no Irã caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz até hoje, mas ampliou as ameaças – e com isso, tanto a resistência de Teerã como o temor do mercado de combustíveis fósseis.
No fechamento da sessão de ontem, o petróleo Brent (referência mundial) com vencimento em junho teve alta de 0,67%, cotado a US$ 109,77 por barril. Já o WTI (referência estadunidense) com entrega prevista para maio subiu 0,78%, a US$ 112,41 por barril, detalha o Valor.
O petróleo chegou a operar em queda na manhã de segunda-feira, após o anúncio de que os dois países receberam, no fim da noite do domingo, uma minuta de proposta que previa um cessar-fogo de 45 dias e a reabertura de Ormuz. Mas o Irã negou a reabertura do estreito e afirmou que enviou aos EUA suas exigências, com a mídia estatal iraniana informando que Teerã defende o fim permanente da guerra, informa o Times Brasil.
A lista iraniana tem dez pontos, e um integrante do governo estadunidense que viu o rol de exigências o descreveu como “maximalista”, segundo o Axios. As cláusulas incluem o fim dos conflitos na região; um protocolo para passagem segura pelo Estreito de Ormuz; o levantamento das sanções contra o país e sua reconstrução, detalha a Reuters.
Seja via cessar-fogo temporário ou com o fim definitivo do conflito no Oriente Médio, a reabertura do Estreito de Ormuz não será suficiente para acabar com a perturbação do fornecimento global de petróleo. Diretor-geral de energia, indústria e recursos da consultoria Eurasia Group, Henning Gloystein afirma que serão necessários vários meses para reparar as refinarias de petróleo e outras infraestruturas energéticas no Golfo Pérsico que foram danificadas, informa a CBS News.
Além disso, as empresas de transporte marítimo que operam petroleiros na região também levariam pelo menos dois meses para retomar as operações, acrescenta. “Como sinal visível da dimensão da perturbação, existem atualmente pelo menos 70 grandes petroleiros vazios ancorados ao largo da costa leste de Singapura e da Malásia”, diz Gloystein. “Em conjunto, eles têm capacidade para armazenar pelo menos 100 milhões de barris de petróleo bruto, que normalmente seriam recolhidos na região do Golfo e entregues a refinarias em toda a Ásia.”
Enquanto isso, os governos sofrem para conter os impactos do choque do petróleo e do gás. Na Tailândia, o primeiro-ministro, Anutin Charnvirakul, pediu à população que economize energia e incentivou o trabalho remoto e o compartilhamento de carros, segundo o Guardian. E no Brasil, o governo federal anunciou medidas para tentar conter os impactos da alta do querosene de aviação (QAV), nos moldes do que já fez com o óleo diesel. As ações incluem zerar PIS/COFINS para as empresas aéreas; prorrogar o pagamento da tarifa de navegação; e abrir duas linhas de crédito, detalha o g1.
Leia mais
- Como a crise do Irã se desenrolaria em um mundo movido por energias renováveis em vez de combustíveis fósseis? Artigo de Katie Marie Manning, Clement Sefa-Nyarko e Frans Berkhout
- Ataques ao Irã mostram por que abandonar petróleo é mais importante que nunca
- Como a guerra no Irã está afetando as principais economias da América Latina
- Guerra no Irã é mostra que combustíveis fósseis não têm nada de seguro
- “Se a guerra no Irã durar um mês, 40% do petróleo exportável deixará de estar disponível”. Entrevista com Antonio Turiel
- Irã diz que barril do petróleo pode chegar a US$ 200 se ataques continuarem
- Petróleo cai após Trump sinalizar fim da guerra contra o Irã, mas incerteza continua
- Petróleo encosta em US$ 120 e choque já afeta mercado de diesel no Brasil
- Não é só o petróleo: por que a guerra no Irã afetará a alimentação. Artigo de Alberto Garzón Espinosa
- Trump afirma agora que a guerra no Irã está “quase terminada”
- Estreito de Ormuz: a segurança alimentar dos países do Golfo está em risco imediato, mas uma escassez mais ampla pode elevar os preços ao consumidor em todo o mundo. Artigo de Gokcay Balci e Ebru Surucu-Balci
- Mercado de fertilizantes é afetado por guerra no Oriente Médio
- Crise no Estreito de Ormuz ameaça oferta global de alumínio
- O bloqueio da rota petrolífera no Estreito de Ormuz: um pesadelo para a economia. Artigo de Filippo Santelli
- EUA e Israel intensificam os ataques contra o Irã, enquanto Trump promete escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz para evitar uma crise energética
- Não há pretexto ou plano para a guerra de EUA-Israel contra o Irã. Artigo de Arron Reza Merat