Recuperação da estrutura de petróleo e gás no Oriente Médio pode levar anos

Foto: ARMBRUSTERBIZ/Pixabay

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27 Março 2026

Estruturas do Irã, Catar e Bahrein estão entre as mais atingidas, mas houve prejuízos também nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita.

A informação é publicada por ClimaInfo, 27-03-2026.

Um relatório da consultoria Rystad Energy indica que os custos de reparação das infraestruturas de petróleo e gás fóssil no Oriente Médio danificadas pelo ataque dos EUA e de Israel ao Irã podem chegar a US$ 25 bilhões (R$ 131 bilhões) até o momento. A restauração de algumas instalações pode levar meses ou até mesmo anos – o que deverá comprometer o fornecimento de combustíveis fósseis dessa região.

Segundo a análise, o conflito, que afetou o fornecimento global de combustíveis fósseis e disparou os preços do petróleo e do gás, atingiu unidades de gás liquefeito (GNL), refinarias, terminais de combustíveis e instalações de transformação de gás em líquidos na região do Golfo Pérsico.

“A recuperação da região será definida menos pelo capital financeiro e mais por restrições estruturais”, disse Audun Martinsen, chefe de investigação da cadeia de abastecimento da Rystad Energy, ao Down To Earth. “Embora alguns ativos possam ser restaurados em meses, outros podem permanecer offline por anos.”

É o caso da cidade industrial de Ras Laffan, no Catar, uma das mais atingidas. A destruição de duas unidades de GNL reduziu em 17% a capacidade anual de produção, equivalente a cerca de 12,8 milhões de toneladas por ano (Mtpa). A recuperação poderá levar até cinco anos, devido ao fornecimento global limitado das principais turbinas a gás, que já enfrentam atrasos de dois a quatro anos na produção.

O campo de gás de South Pars, no Irã, também é outro caso preocupante. Com a exclusão legal do país das cadeias de abastecimento ocidentais, o Irã terá que contar com a ajuda de empreiteiros chineses e nacionais – uma abordagem viável, porém mais lenta e mais custosa.

No Bahrein, a refinaria BAPCO Sitra foi atingida duas vezes, danificando importantes unidades de processamento e forçando a paralisação das operações. Recentemente, a BAPCO Sitra recebeu um programa de modernização avaliado em US$ 7 bilhões (R$ 36 bilhões). Nos Emirados Árabes Unidos, no Kuwait, no Iraque e na Arábia Saudita também houve perturbações, porém mais moderadas, destacam Oil&Gas Middle East e E&E News.

De acordo com o relatório da Rystad, para enfrentar os desafios, será necessário planejamento estratégico e colaboração entre governos, empresas privadas e parceiros internacionais.

Em tempo

A Reuters fez um levantamento sobre como os países africanos estão lidando com a restrição na oferta de combustíveis fósseis decorrente da guerra no Oriente Médio. As ilhas Maurício e Uganda têm estoques de combustível cada vez menores - para até 20 dias e para até 26 dias, respectivamente.

No Quênia, o ministro de energia, Opiyo Wandayi, disse que o país tinha estoque suficiente, mas pediu aos consumidores que não fizessem compras em pânico nem estocassem.

A capital do Sudão do Sul, Juba, enfrenta racionamento de eletricidade.

E na África do Sul, está faltando diesel depois que a população correu para comprar o combustível por medo de aumento nos preços nos postos.

Já o Guardian traz a situação preocupante das Filipinas. O país declarou "estado de emergência", com duração de um ano. Além disso, o governo planeja aumentar a geração de suas termelétricas a carvão para manter baixos os custos de eletricidade - o que aumentará as emissões de gases de efeito estufa. Em 20 de março, o país declarou ter reservas de combustível para cerca de 45 dias e está buscando adquirir mais 1 milhão de barris de petróleo para aumentar seu estoque de segurança.

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