20 Março 2026
Depois de chegar próximo dos US$ 120 por causa dos últimos ataques, barril do petróleo tipo Brent cede, mas ainda fecha a sessão em alta.
A informação é publicada por ClimaInfo, 19-03-2026.
Mais um dia de desespero nos mercados internacionais de petróleo e gás fóssil por causa da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Com bombardeios a grandes instalações de combustíveis fósseis, os preços dispararam. No entanto, promessas do governo dos EUA para aumentar a oferta de óleo e gás acalmaram um pouco os ânimos – mas não o suficiente para evitar uma nova alta dos valores.
O petróleo Brent com entrega em maio encerrou a sessão de ontem (19/3) em alta de 1,18%, a US$ 108,65 o barril, depois de ter atingido a máxima de US$ 119,13 durante a madrugada. Já o petróleo WTI para abril caiu 0,19%, fechando a sessão cotado a US$ 96,14, detalha o Valor. De acordo com o Financial Times, foi a primeira vez desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, que Brent e WTI fecharam o dia em sinais contrários.
Segundo o Financial Times, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que o governo de Donald Trump estuda a possibilidade de ordenar uma segunda liberação de reservas estratégicas, fala que arrefeceu a alta dos preços. Bessent também disse que os EUA podem suspender as sanções ao petróleo iraniano retido para estabilizar o mercado de energia. São movimentos guiados pelas eleições de novembro, explica a Reuters, quando o “agente laranja” espera que o Partido Republicano mantenha o controle do Congresso – um desejo ameaçado pela escalada dos preços dos combustíveis fósseis nos EUA.
O preço do gás liquefeito (GNL) também disparou na 5ª feira, sobretudo na Europa, informa a Folha. O índice de referência TTF, que determina o preço de muitos contratos de fornecimento de gás no bloco, subiu até 35% para atingir 74 euros (R$ 448,70) por megawatt-hora (MWh) – seu nível mais alto desde o início da guerra -, antes de recuar para 65 euros (R$ 394) por MWh. Antes do conflito, o preço estava em torno de 32 euros por MWh.
O mais recente ataque do Irã ao Catar – o maior produtor de gás liquefeito do mundo – danificou instalações que produzem cerca de 17% da capacidade de exportação de GNL do país, informam Reuters e Bloomberg. Os reparos levarão de três a cinco anos e deixarão de produzir 12,8 milhões de toneladas de GNL por ano, segundo o CEO da Qatar Energy, Saad al-Kaabi.Entre quarta e quinta-feiras, o Irã empreendeu uma grande retaliação após Israel atingir com força instalações iranianas de extração de gás nos 40% que o Irã controla do maior campo do produto do mundo – os outros 60% são do Catar. A ação foi direcionada principalmente ao emirado. O alvo foi o centro de processamento e embarque da commodity de Ras Laffan, no norte do país, segundo a Folha.
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