12 Março 2026
Entidades setoriais brasileiras têm observado com preocupação o preço e a disponibilidade de gasolina e diesel devido à escalada da guerra no Oriente Médio. Na primeira semana de março, o diesel S-10 subiu 7,7% nos postos do país, pondo pressão sobre transportadoras e companhias de transporte coletivo, informam g1 e CNN Brasil. O que pode elevar a inflação e acabar no bolso do consumidor, já que o transporte de cargas é feito majoritariamente por caminhões a diesel.
A informação é publicada por ClimaInfo, 11-03-2026.
O derivado de petróleo corresponde a 35% do custo de frete das transportadoras. Mesmo sem reajuste da Petrobras, o diesel aumentou em vários estados porque a estatal não é a única fornecedora do produto no país. Muitas distribuidoras importam diretamente o combustível.
No Mato Grosso, o preço do litro aumentou em mais de R$ 2 para produtores rurais, que também relatam dificuldade em conseguir o produto, informa o Correio do Estado. O aumento de preços também foi relatado no Rio Grande do Sul, na Bahia e no Distrito Federal, entre outros estados.
No Rio de Janeiro, o sinal amarelo acendeu para as empresas de transporte coletivo. “Somente na última semana o custo do diesel subiu em média 15 centavos por litro, o que nos gera um impacto de R$ 2 milhões no final do mês”, afirmou Paulo Valente, diretor do Rio Ônibus.
Em entrevista ao blog da Míriam Leitão, Sérgio Araújo, presidente da Associação Brasileira de Importadoras de Combustíveis (Abicom), explicou que as importações de gasolina também estão reduzidas. No entanto, segundo ele, não há risco de desabastecimento no país, pois grande parte da frota de veículos leves é equipada com tecnologia flex, capaz de usar o etanol (a ver).
Já a realidade dos caminhões é outra. A restrição de oferta ou o reajuste pode gerar pressão inflacionária e problemas de abastecimento.
O Brasil é o 7º maior consumidor de diesel do mundo, tendo 15% da demanda atendida por refinarias privadas, 30% por produto importado e 55% pela Petrobras. Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, avalia no UOL que a estatal atualmente segura o aumento do preço e está “esperando as coisas se acalmarem” para decidir sobre novos valores.
Enquanto as incertezas continuam, os apelos aumentam. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu ao Ministério de Minas e Energia (MME) o aumento da mistura de biodiesel no diesel, de 15% para 17%. A entidade também solicitou ao Ministério da Fazenda e ao Conselho Nacional de Política Fazendária uma redução temporária dos tributos federais e estaduais incidentes sobre o combustível.
Na 3ª feira (10/3), o sindicato dos transportadores-revendedores-retalhistas (TRRs) se reuniu com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para relatar as restrições no fornecimento de diesel pelas distribuidoras às TRRs, que vendem diretamente a produtores rurais, indústrias e transportadoras. Segundo o Estadão, a Petrobras deve atender ao pedido da entidade e leiloar 20 milhões de litros de diesel para entrega a partir de 16 de março, em Canoas (RS).
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