15 Abril 2026
Conflito no Irã prova como a questão do petróleo e do gás é sensível dos pontos de vista geopolítico e econômico, diz André Corrêa do Lago.
A informação é publicada por ClimaInfo, 14-04-2026.
Os preços do petróleo Brent, referência mundial, e WTI, referência estadunidense, caíram fortemente na 3ª feira (14/4), com investidores otimistas com um possível acordo entre Estados Unidos e Irã para o fim da guerra, segundo o Valor. Contudo, desde 28 de fevereiro, quando os ataques de EUA e Israel ao Irã começaram, esse otimismo é tão frágil quanto o recente cessar-fogo fechado há alguns dias.
Não à toa o barril do Brent, mesmo tendo caído 4,6% ontem, para US$ 94,79, continua bem acima dos US$ 65 de sua cotação média antes do conflito. Assim, a alta volatilidade do combustível fóssil – o Brent chegou a superar US$ 110 – e o estrangulamento do fornecimento jogaram por terra a suposta “segurança energética” associada ao petróleo.
Diante deste cenário, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, afirmou que é “inegável” que a guerra e a crise nos preços do petróleo intensificaram o debate sobre transição energética no mundo, informam Estadão e Terra. “É um momento muito desafiador. Uma guerra nunca pode ser vista como algo positivo, porque o sofrimento e as consequências são sempre negativas. Mas é inegável que essa guerra intensificou o debate sobre transição”.
Para Corrêa do Lago, há debates interessantes sendo feitos por conta do conflito. A discussão “é muito interessante, porque vemos como os argumentos estão sendo usados de acordo com os interesses de diferentes setores”, explicou. Mas um ponto é certo, diz o presidente da COP30: a guerra escancarou as fragilidades do mercado de combustíveis fósseis.
“O fato é que muitas vozes apontam que essa guerra é uma demonstração de como a questão do petróleo e do gás é sensível do ponto de vista geopolítico. E também, do ponto de vista econômico, alguns analistas estão debatendo o custo da guerra… todos esses elementos que acabaram tornando o debate sobre petróleo e gás ainda mais complexo”, completou.
Em tempo
A guerra no Oriente Médio interrompeu o fornecimento de petróleo e gás fóssil e levou governos de todo o mundo a confrontar a necessidade urgente de redes elétricas capazes de resistir a choques futuros. No entanto, para muitos países, o esforço para construir redes elétricas baseadas em energias renováveis está criando uma nova dependência da tecnologia chinesa, segundo o New York Times. As empresas da China dominam a fabricação de praticamente todos os componentes de uma rede elétrica moderna, incluindo painéis solares, cabos de alta tensão, transformadores e baterias que armazenam energia. Mesmo antes da guerra no Irã, elas já estavam se expandindo internacionalmente. “Este é o momento certo para que um choque como a guerra no Irã catalise repentinamente ainda mais investimentos e interesse em energias renováveis”, disse Cory Combs, diretor associado da empresa de pesquisa e consultoria Trivium China.
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