15 Abril 2026
Guerra no Oriente Médio fará a demanda por petróleo bruto registrar no 2º trimestre a maior queda desde a Covid-19 em 2020, projeta a agência.
A informação é publicada por ClimaInfo, 14-04-2026.
Os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã provocaram restrições na oferta de petróleo, mas também a disparada dos preços do combustível fóssil. Com isso, reduzirão não apenas a produção, mas também a demanda em 2026.
É o que mostra o relatório mensal Oil Market Report, divulgado pela Agência Internacional de Energia (IEA) na 3ª feira (14/4). Em alguns momentos do ano, o consumo de petróleo cairá mais do que a brusca redução de demanda ocorrida durante a Covid-19, em 2020, quando a pandemia parou o mundo.
Para a IEA, a demanda por petróleo deverá cair 80 mil barris por dia (bpd) este ano ante 2025, à medida que a guerra no Oriente Médio altera as perspectivas globais. É uma queda de 720 mil barris por dia em relação ao relatório do mês passado – divulgado em 12 de março, poucos dias após o início do conflito, em 28 de fevereiro -, no qual a agência projetou um aumento da demanda de 640 mil bpd neste ano.
Somente neste trimestre, a demanda de petróleo deverá cair 1,5 milhão de barris diários – a queda mais acentuada desde que a Covid-19 reduziu drasticamente o consumo de combustíveis no planeta. Inicialmente, os cortes mais profundos ocorreram no Oriente Médio e na região Ásia-Pacífico, principalmente para nafta, gás liquefeito de petróleo (GLP) e querosene de aviação (QAV). No entanto, a redução da demanda se espalhará, à medida que a escassez e os preços elevados persistirem, frisa a agência.
O relatório ainda destaca que a oferta global de petróleo despencou 10,1 milhões de barris por dia em março, para 97 milhões de bpd. A redução se deve aos ataques à infraestrutura energética no Oriente Médio e restrições à circulação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz – o que resultou na maior interrupção do transporte de petróleo da história, frisa a IEA.
A produção dos países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) caiu 9,4 milhões de bpd, para 42,4 milhões de barris diários. Já a oferta de países não-OPEP+ recuou 770 mil bpd, para 54,7 milhões de barris por dia. Ganhos de produção no Brasil e nos Estados Unidos não foram suficientes para cobrir a menor produção do Catar, explica a IEA.
Vale ressaltar que a projeção da IEA para 2026 pressupõe que as entregas de petróleo e gás do Oriente Médio sejam retomadas até meados do ano, embora não aos níveis pré-conflito, informa o Valor. Se Ormuz for reaberto e as rotas comerciais forem asseguradas, a agência estima que seriam necessários cerca de dois meses para restabelecer as exportações estáveis.
No entanto, se o estreito permanecer fechado por mais tempo, a IEA alerta que a queda no consumo de petróleo pode ser ainda mais intensa, destaca a Times Brasil. “Nesse caso, os mercados de energia e as economias ao redor do mundo precisam se preparar para disrupções significativas nos próximos meses”, adverte a agência.
O novo relatório da IEA foi repercutido também por Euronews, Al Jazeera, Reuters, Nikkei Asia, Bloomberg, Straits Times e O Globo.
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