09 Abril 2026
Dezenas de refinarias, instalações de armazenamento e campos de petróleo e gás em pelo menos nove países do Oriente Médio foram atacados.
A reportagem é publicada por Climainfo, 09-04-2026.
Após sua ameaça genocida, de que “uma civilização inteira morreria” no Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump arregou no ataque massivo que prometeu fazer ao país. Com o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas e da reabertura do Estreito de Ormuz, os preços do petróleo despencaram. Mas os danos à infraestrutura de combustíveis fósseis em vários países do Oriente Médio e a fragilidade do acordo mantêm os valores em patamares muito superiores aos do início da guerra de EUA e Israel contra o Irã.
No fechamento da sessão de ontem (8/4), o petróleo Brent (referência mundial) com vencimento em junho caiu 13,28%, cotado a US$ 94,75 por barril. Já o WTI ( referência estadunidense) com entrega prevista para maio recuou 16,41%, a US$ 94,41 por barril – a maior queda diária do WTI desde o dia 27 de abril de 2020, detalha o Valor.
A reabertura do Estreito de Ormuz era o objetivo central do “agente laranja” ao escalar suas ameaças contra o Irã. Pela região passa diariamente 20% do petróleo produzido no planeta, sem falar em grandes volumes de gás liquefeito (GNL), de fertilizantes e outros produtos. O bloqueio iraniano paralisou o tráfego, escalando os preços dos combustíveis fósseis e reduzindo seu fornecimento a vários países que os adquirem de nações do Oriente Médio.
No entanto, a reabertura resolve apenas parte do problema criado por Trump, ressaltam New York Times e Folha. Isso porque dezenas de refinarias, instalações de armazenamento e campos de petróleo e gás em pelo menos nove países, do Irã aos Emirados Árabes Unidos e além, foram alvos de ataques.
No total, 10% ou mais do suprimento mundial de petróleo foi interrompido. Reiniciar essas operações exigirá não apenas passagem segura por Ormuz, mas também inspeção de bombas, substituição de equipamentos de processamento sob medida e reconvocação de funcionários e navios que se dispersaram pelo mundo. Algo que pode levar meses – ou mesmo anos.
Além disso, a fragilidade do cessar-fogo é evidente. No mesmo dia em que a interrupção dos ataques entrou em vigor, Israel intensificou os bombardeios ao Líbano – onde o grupo terrorista Hezbollah é apoiado pelo Irã -, matando cerca de 300 pessoas. Em resposta, o Irã voltou a fechar Ormuz – e não se sabe quanto tempo esse bloqueio durará.
Mas, mesmo que o cessar-fogo perdure, ou mesmo ocorra o fim da guerra no curto prazo, os impactos sobre o mercado de combustíveis fósseis perdurará, tanto nos preços como nas restrições de abastecimento. Antes da guerra, o barril do Brent custava em torno de US$ 65, mas é quase impossível que retorne a esse patamar.
Os efeitos negativos sobre a economia global são evidentes. Uma análise do Itaú BBA mostra que, mesmo que o petróleo se mantenha em torno de US$ 100, a inflação global pode chegar a 5%, informa o Valor, ante 4,2% em 2025. Um aumento que será muito cruel para os países em desenvolvimento.
Em tempo
Enquanto governos e pessoas sofrem com a alta do petróleo, as petrolíferas lucram muito. Os traders de energia da Shell lucraram com o caos provocado pela guerra no Irã, mesmo com a produção de gás do grupo sendo afetada por interrupções em suas instalações no Catar, informa o britânico The Times. A maior empresa de petróleo e gás da Europa afirmou que o desempenho financeiro do primeiro trimestre de sua divisão de comercialização de petróleo e combustíveis deve ser “significativamente superior” ao do quarto trimestre do ano passado. Disse que o mesmo também se aplica à divisão que negocia eletricidade e fornecimento de gás por gasodutos.
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