El Niño deve intensificar eventos extremos e fazer de 2027 o ano mais quente da história

Foto: Patrick Perkins

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14 Mai 2026

Especialista da WWA lembra que a maior preocupação da Humanidade deveria ser com as mudanças climáticas, já que o fenômeno é recorrente.

A reportagem é publicada por por ClimaInfo, 12-05-2026.

As leituras atuais sugerem que o El Niño 2026-27 pode ser o mais intenso da história moderna. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o evento, caracterizado pelo aquecimento das temperaturas da superfície do mar no Oceano Pacífico, já deve começar em maio.

Além disso, espera-se que o El Niño seja agravado por outro padrão climático semelhante, chamado de dipolo positivo, no Oceano Índico. O fenômeno tende a prolongar a estação seca no Sudeste Asiático e na Oceania, em países como Austrália, Indonésia, Índia e Filipinas, informam Independent, Climate Change News e The Times. E também deve provocar condições mais úmidas e risco de inundações na costa do Equador e do Peru, assim como em partes dos Estados Unidos e do México e no sul do Brasil.

Contudo, Friederike Otto, climatologista líder da rede global de cientistas climáticos World Weather Attribution (WWA) e pesquisadora do Imperial College de Londres, lembrou que “não devemos nos apavorar com o El Niño, que é um fenômeno que sempre ocorreu. Devemos nos apavorar com as mudanças climáticas”.

O grupo tem apontado a influência do aquecimento global em diversos eventos extremos recentes, como a onda de calor registrada em março nos EUA. Em nota, a WWA afirma que o fato, ocorrido no final do inverno no Hemisfério Norte, foi “algo praticamente impossível sem as mudanças climáticas”, destaca o Um Só Planeta.

Dados compilados pela rede apontaram recordes de incêndios na África e na Ásia de janeiro a abril, que queimaram mais de 150 milhões de hectares. O valor é 20% acima do recorde anterior. Segundo a Reuters, foram 85 milhões de hectares queimados no continente africano e 44 milhões em países asiáticos, com Índia, Mianmar, Tailândia, Laos e China entre os mais atingidos. “Este ano, a temporada de incêndios no mundo começou com muita intensidade, com 50% a mais de área queimada do que a média para esta época do ano”, destacou Theodore Keeping, do Imperial College London.

Especialistas consideram que, devido ao El Niño e às mudanças climáticas, a probabilidade de incêndios perigosos pode ser a mais elevada da história recente, relatam Revista Fórum e Globo.

Em tempo: Por aqui, a população brasileira ainda tem lembranças tristes do último El Niño, ocorrido em 2023/2024. Foi quando o Rio Grande do Sul teve a pior enchente de sua história, e a Amazônia passou por duas grandes secas consecutivas.

Um estudo de atribuição da WWA mostrou que as mudanças climáticas tornaram as chuvas extremas no Rio Grande do Sul duas vezes mais prováveis e até 9% mais intensas. As chuvas afetaram 478 das 497 cidades do estado com alagamentos, inundações e deslizamentos de terra; 184 pessoas morreram, 25 desapareceram e 2,4 milhões deixaram suas casas, perderam o que tinham ou tiveram a saúde afetada. O desastre custou mais de R$ 100 bilhões aos cofres públicos.

Na Amazônia, vários rios da maior bacia hidrográfica do planeta atingiram cotas mínimas históricas. A estiagem afetou seis países – Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Venezuela e Equador –, isolou comunidades inteiras, afetou plantações, dificultou a chegada de alimentos e remédios a populações ribeirinhas, que também ficaram sem água para consumo, e matou centenas de botos e milhares de peixes. E segundo outro estudo da WWA, as mudanças climáticas fizeram a seca amazônica até 30 vezes mais provável no período de junho a novembro.

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