13 Mai 2025
Mesmo com mais petróleo na carteira, queda dos preços obrigará petroleira a rever investimentos em exploração, dizem analistas.
A informação é publicada por ClimaInfo, 12-05-2025.
A Petrobras anunciou uma de suas maiores descobertas de petróleo do ano na 6ª feira (9/5). Segundo a petroleira, o óleo encontrado no bloco Aram, no pré-sal da Bacia de Santos, é de “excelente qualidade e sem contaminantes”. Esta é a segunda descoberta feita pela petroleira na mesma área.
No entanto, segundo analistas, os preços do petróleo no mercado, que despencaram com o “tarifaço” de Donald Trump, podem obrigar a petroleira a rever seus investimentos em exploração fóssil. Para quem insiste em buscar petróleo numa nova fronteira como a foz do Amazonas, o sinal financeiro de que pode ter prejuízo se torna cada vez mais evidente.
A perfuração do poço 3-BRSA-1396D-SPS já foi concluída, a 248 km da cidade de Santos, no litoral paulista, em profundidade d’água de 1.952 metros. Aram foi adquirido em março de 2020, com um bônus de assinatura de R$ 5 bilhões, na 6ª rodada de licitação da Agência Nacional do Petróleo (ANP) sob o regime de partilha de produção. A Petrobras é a operadora do bloco e detém 80% de participação, em parceria com a chinesa CNPC (20%), informou a Folha.
A estimativa da ANP é que Aram tenha 29 bilhões de barris de petróleo in place, volume considerado excepcional por técnicos da agência, destacou O Globo. Segundo especialistas do setor de óleo e gás, cerca de 20% a 30% é produzido ao longo da vida útil do campo – ou seja, de 5,8 bilhões e 8,7 bilhões de barris. A título de comparação, o Brasil chegou a 31 de dezembro de 2024 com reservas provadas de 16,8 bilhões de barris de petróleo. Ou seja, somente Aram pode acrescentar mais de 50% das reservas provadas do país.
Como se vê, o pré-sal ainda poderá render grandes volumes de petróleo, tanto para a Petrobras como para outras petroleiras. A estatal brasileira, porém, insiste em explorar petróleo na foz do Amazonas, pressionando cada vez mais o Ibama pela licença para o poço que quer perfurar no bloco FZA-M-59, no litoral do Amapá. No entanto, o mercado internacional pode mudar isso.
A queda no preço global do petróleo deve afetar toda a indústria petroleira, e a Petrobras não ficará imune, destacou Denise Luna no Estadão. Especialistas avaliam que fornecedores serão pressionados a promover ajustes para viabilizar os projetos da estatal.
“Diante do movimento de queda, do jeito que aconteceu, de US$ 80 para US$ 60 (o barril de petróleo Brent, referência mundial), é natural que se faça a revisão, [pois] quando se olha o portfólio, a estrutura de custos é muito diferente”, explicou o analista de energia da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman.
A nova descoberta em Aram foi noticiada por Valor, g1, Carta Capital, Estadão, CNN, Poder 360, Agência Brasil, Diário do Nordeste e Metrópoles.
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