02 Dezembro 2024
“Vamos ter uma disputa maior por esse mercado. E nós queremos estar entre esses produtores em 2050”, disse o diretor de Transição Energética da petroleira.
A informação é publicada por ClimaInfo, 02-12-2024.
Não é novidade que a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, defende a exploração de petróleo no Brasil “até a última gota”. No comando da empresa há ainda a diretora de E&P, Sylvia dos Anjos, que chamou de “fake news” os recifes de corais da foz do Amazonas, em mais uma tentativa da empresa de pressionar a liberação da licença para explorar combustíveis fósseis na região. Mas, quando o diretor de “Transição Energética e Sustentabilidade” da estatal, Maurício Tolmasquim, fala a favor do petróleo, a preocupação se torna ainda maior. E afasta ainda mais a Petrobras da virada de chave de uma petroleira para uma empresa de energia.
No fim da semana passada, ao defender o investimento de US$ 5,3 bilhões em descarbonização de processos previsto no Plano de Negócios 2025-2029 da estatal, Tolmasquim disse que a empresa espera figurar entre aquelas que ainda produzirão petróleo e gás fóssil em 2050. Para isso, ele disse que será preciso expandir as operações sem que as emissões de gases poluentes acompanhem esse crescimento, informam UOL, IstoÉ Dinheiro e IstoÉ. Uma conta que não fecha, diante da urgência climática de reduzir as emissões de gases-estufa, que têm na queima de combustíveis fósseis, de longe, sua principal fonte, e não na sua produção e processamento, como repetem os gestores da empresa.
“Óleo e gás, em todos os cenários futuros, aparecem como ainda sendo demandados em 2050, mas em valor menor percentualmente do que hoje. Então vamos ter uma disputa maior por esse mercado. E nós queremos estar entre esses produtores (de petróleo e gás fóssil) em 2050. Para isso sabemos que temos de utilizar menos carbono”, explicou Tolmasquim.
O diretor de “Transição Energética e Sustentabilidade” reiterou a meta de emissões líquidas zero em 2050, assim como a meta de quase-zero de emissões de metano em 2030 – um gás 80 vezes pior para o efeito estufa que o dióxido de carbono, mas que, como disse Tolmasquim, não será zerado pela petroleira nos próximos cinco anos.
O PN 2025-2029 da Petrobras propõe um valor cerca de 40% maior em investimentos no que a Petrobras chama de “transição energética”, de US$ 11,5 bilhões para US$ 16,3 bilhões. No entanto, o maior acréscimo [US$ 2,8 bilhões] sobre o PN 24-28 se dá no segmento de bioprodutos, sendo US$ 2,2 bilhões para produção de etanol – uma benesse aos produtores rurais que não estava prevista antes.
A petroleira também aumentou a previsão de recursos para descarbonização de suas operações, de US$ 3,9 bilhões para US$ 5,3 bilhões. Já no que chama de “Energias de Baixo Carbono”, a Petrobras aumentou de US$ 5,5 bilhões para US$ 5,7 bilhões a previsão de investimentos. Mas reduziu os recursos para usinas eólicas onshore [em terra] e solares fotovoltaicas, de US$ 5,2 bilhões para US$ 4,3 bilhões.
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