22 Março 2025
500 mil pessoas, principalmente de comunidades indígenas e rurais, foram afetadas e enfrentam uma grave crise sanitária e ambiental, enquanto governo insinua “sabotagem” no vazamento.
A informação é publicada por ClimaInfo, 20-03-2025.
A Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) exigiu do governo do país e da petroleira estatal Petroecuador que assumam a responsabilidade e garantam a reparação integral às comunidades afetadas pelo vazamento de petróleo ocorrido em 13 de março na província de Esmeraldas, no noroeste do país. O derrame, que contaminou cinco rios, ocorreu após o rompimento do oleoduto SOTE, de 500 km, que transporta óleo cru produzido em uma área na Floresta Amazônica até o litoral equatoriano.
A CONAIE alertou que “não permitirá que esse desastre ambiental fique impune, como já aconteceu com outros vazamentos na Amazônia e no litoral”. Pelo menos meio milhão de pessoas, principalmente de comunidades indígenas e rurais, foram afetadas e enfrentam uma crise sanitária e ambiental sem precedentes, destacam Brasil de Fato, Opera Mundi e Mongabay. As cidades de El Roto, Chucaple, Cube e El Vergel estão em situação crítica, já que governo e Petroecuador não deram resposta clara.
A organização exigiu “informações transparentes sobre a quantidade exata de petróleo derramado e o real impacto na biodiversidade e na saúde pública”. Não se sabe quanto petróleo vazou, mas o prefeito de Esmeraldas, Vicko Villacís, capital da província homônima onde o duto rompeu, calculou um derrame de 200 mil barris.
A CONAIE também enfatizou que o vazamento interrompeu o serviço de água potável, agravando a emergência. Pediu ao governo de Daniel Noboa que “garanta o acesso imediato à água potável para as famílias afetadas, bem como ative um plano de contingência eficiente para conter e limpar o óleo usando metodologias apropriadas para cada ecossistema”. Assim como solicitou avaliação independente dos danos ambientais e a reabilitação dos habitats e da vida selvagem afetados.
A Al Jazeera mostrou imagens do estrago ambiental que o petróleo está provocando em rios e áreas de Esmeraldas. Além das comunidades locais, o óleo também afeta pescadores que atuam no mar, já que o óleo derramado nos rios atingiu o Oceano Pacífico.
O governo equatoriano, que inicialmente disse que o vazamento foi causado por um deslizamento de terra, mudou sua narrativa. Sem apresentar provas ou detalhes, a ministra de Energia do Equador, Inés Manzano, disse em uma entrevista à rádio FM Mundo que “após algumas investigações, estamos vendo que isso foi uma sabotagem”, informam Folha e O Globo.