18 Março 2025
Estava no ar: a discussão dos bispos sobre a sinodalidade, ou seja, sobre o estilo fundamental que a Igreja está tentando assumir para responder às solicitações do mundo de hoje e conseguir levar o Evangelho à vida das pessoas em nosso tempo, não podia ser considerada concluída com as duas assembleias de outubro de 2023 e 2024. E, de fato, agora está sendo recomeçada, ou melhor, continuada, por impulso do próprio Papa Francisco, que, no final do trabalho sinodal, tinha dado instruções para que o Documento Final fosse considerado um pronunciamento magisterial, optando assim por não escrever uma exortação pós-sinodal, como tinha acontecido nos Sínodos anteriores.
A reportagem é de Matteo Liut, publicada no jornal Avvenire, 16-03-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.
A partir daquele documento, o Papa aprovou agora um caminho para ajudar as comunidades locais a traduzir na prática tudo o que foi levantado na longa jornada da Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade. Um itinerário que culminará em uma assembleia eclesial a ser realizada em outubro de 2028 no Vaticano e que será marcada por algumas etapas precisas. Entre elas, um novo compromisso no calendário dos grandes eventos do Ano Santo: o Jubileu das equipes sinodais e dos organismos de participação, previsto para 24-26 de outubro próximo.
O anúncio foi feito mediante uma carta assinada pelo secretário-geral da Secretaria do Sínodo dos Bispos, cardeal Mario Grech, aprovada pelo Pontífice em 11 de março e enviada ontem a todas as Igrejas do mundo. E todo o processo começará “de baixo”, ou seja, envolvendo justamente aquelas pessoas e aqueles grupos que trabalharam na grande fase de escuta que precedeu as fases de assembleia do Sínodo.
Essa nova fase, como o próprio Grech explica em uma entrevista às mídias do Vaticano, é prevista pela Constituição Apostólica “Episcopalis communio” e segue as fases preparatória e de celebração.
“A fase de implementação do Sínodo deve ser entendida não como uma simples “aplicação” de diretrizes vindas de cima, mas sim como um processo de “recepção” das orientações expressas pelo Documento Final de uma maneira adequada às culturas locais e às necessidades das comunidades”, diz a carta de Grech. “Ao mesmo tempo, é necessário proceder juntos como toda a Igreja, harmonizando a recepção nos diferentes contextos eclesiais. Essa é a razão do processo de acompanhamento e avaliação, que de modo algum diminui a responsabilidade de cada Igreja.”
A “avaliação” (ou seja, a verificação comum e compartilhada de como as indicações do Sínodo terão encontrado aplicação nas comunidades locais) mencionada no texto é, de fato, a segunda parte de todo o processo de implementação e ocorrerá em três dimensões: nas dioceses, no plano intermediário de agrupamento das entidades diocesanas (conferências episcopais ou similares) e no plano continental.
Isso começará em maio com a publicação do Documento de Apoio para a fase de implementação com orientações para a realização. Em seguida, entre junho de 2025 e dezembro de 2026, os caminhos de implementação nas Igrejas locais tomarão forma. Depois, ao longo de 2027 e na primeira parte de 2028, haverá assembleias de avaliação: no primeiro semestre de 2027 em nível local, no segundo semestre do mesmo ano em nível de Conferências Episcopais e nos primeiros seis meses de 2028 em nível continental.
De todo esse trabalho, em junho de 2028, sairá o Instrumentum laboris, que será o documento básico a ser discutido durante a grande Assembleia Eclesial de outubro de 2028. “É de fundamental importância garantir que a fase de implementação seja a oportunidade para envolver mais uma vez as pessoas que contribuíram e devolver os frutos da escuta de todas as Igrejas e do discernimento dos Pastores na Assembleia Sinodal: prosseguirá assim o diálogo já iniciado na fase de escuta”, escreve Grech na carta, lembrando que essa fase está profundamente ligada a todo o trabalho realizado desde o início.
O caminho é longo e articulado e, de fato, no final, todo o processo terá durado sete anos: de 2021, quando começou a preparação para a Assembleia Sinodal, até 2028. Um debate que, a pedido de Francisco, concentrou-se não tanto nos temas individuais, mas na questão do método e do estilo da Igreja em nossos dias. E o debate abrangeu várias áreas, unidas pelo fio vermelho da “sinodalidade”, que não é um simples conceito ligado à “ampla participação” nas decisões relativas à vida da Igreja, mas que tem a ver com a maneira como a fé é vivida dentro e fora da comunidade cristã.
Ao longo do itinerário, é claro, também foram abordadas questões específicas, algumas das quais foram confiadas a grupos de estudo específicos, cujo trabalho continuou após o Sínodo. Certamente, as principais questões, as que receberam mais atenção mesmo fora da Igreja, são a questão do papel das mulheres na vida da Igreja, a necessidade de transparência na gestão da vida das comunidades e a atitude de responsabilidade da qual ninguém, nem pastores nem fiéis, pode se esquivar hoje, se quisermos dar credibilidade a cada ação da Igreja no mundo.