Externalização e a fronteira sul: um relatório reúne as histórias daqueles que desaparecem a caminho da Europa

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05 Agosto 2026

Publicado recentemente pela organização Border Resistance, um documento acompanha a trajetória de numerosas vítimas em sua passagem pelos países aos quais a Europa subcontrata a perseguição e o controle das pessoas que migram.

A reportagem é publicada por El Salto, 04-08-2026.

Que a externalização das fronteiras tem um alto custo em sofrimento humano constatamos mais uma vez nos últimos dias, quando já passam de cem os corpos recuperados de pessoas que perderam a vida tentando chegar a Ceuta a nado, sem que ainda se saiba quantos homens, mulheres, meninas e meninos permanecem desaparecidos sob o mar.

Dias depois, nas altas esferas europeias discute-se como enfrentar um episódio como o da semana passada, em que ao menos 60 mil pessoas abriram caminho a nado e a pé rumo a esse enclave espanhol no Norte da África, uma crise temporariamente contida por meio da devolução em massa da maioria dos que cruzaram. As políticas da União Europeia, que vem consolidando o rumo da externalização acelerado na última década, continuam deixando vidas truncadas, mortos e desaparecidos por todo o Norte da África, no Sahel ou nos mares e oceanos que separam a África da Europa. Na mesma semana em que a crise em Ceuta escalava até seu ponto máximo de tensão, a organização Border Resistance publicava um relatório sobre os efeitos da externalização na vida e na morte de milhões de pessoas, um documento que vai além da análise geopolítica.

Espanha e Marrocos se parabenizaram mutuamente por sua reação aos fatos, enquanto ambos os países atribuíam a culpa às "máfias", ainda que não seja fácil identificar que lucro organizações criminosas desse tipo poderiam obter empurrando pessoas a cruzar a nado ou a pé, ações que essas pessoas realizam por conta própria, sem necessidade de intermediação. A versão mais difundida aponta antes para uma estratégia de pressão por parte de Marrocos, depois que a Espanha estreitou sua cooperação com a Argélia: esse seria o custo, para os países europeus, de transformar os Estados de origem ou trânsito das pessoas migrantes em garantidores imprescindíveis do controle migratório. Em particular para os Estados do sul da Europa.

Mas o maior custo da externalização não está sendo pago pela Espanha nem pela Europa, e sim pelas pessoas que tentam chegar à Europa em uma "crise" estrutural que não mata apenas na fronteira sul da União Europeia, mas deixa milhares de vítimas por todo o norte do continente africano, transformado em uma violenta área de perseguição a migrantes. Mulheres, homens, meninas e meninos que se afogam no mar, que se perdem tentando cruzar as fronteiras de países a serviço do controle migratório. Que são abandonados no deserto. O que a Border Resistance faz em seu relatório é rastrear essas vidas e essas ausências que se sucedem sem protagonizar nenhuma manchete de jornal, na ampla fronteira sul em que as políticas europeias transformaram boa parte da África.

Tecnologia e gendarmes

O coletivo Border Resistance se dedica à defesa das pessoas em movimento "a partir de uma perspectiva interseccional e antiimperialista". Assim se apresenta essa organização em seu relatório, centrado em 2025 e 2026, com o olhar voltado para o Mediterrâneo e o Grande Saara. As histórias de jovens, mulheres, homens e meninas de quem ninguém mais sabe o paradeiro, que tiveram que enfrentar tortura e extorsão em sua travessia, ou que estão presos em centros de detenção, compõem esse compêndio de violações dos direitos das pessoas migrantes, que vai da Espanha ao Níger, passando por Marrocos ou Líbia. Uma análise que não aponta apenas para a Europa ou para os regimes que desempenham o papel de gendarmes, mas também para as organizações internacionais que deveriam garantir os direitos desses grupos e que, no entanto, acabam também por violá-los.

O relatório define o ano de 2025 como um período em que o processo de externalização no Norte da África e no Grande Saara se intensificou, e aprofunda qual é o papel dos governos da região nesse marco e quais as ferramentas utilizadas para cumprir o mandato de impedir que as pessoas cheguem à Europa, ferramentas como a deportação ao deserto, que compromete sua sobrevivência, a detenção em centros onde sofrem torturas e são objeto de extorsão, ou o abandono no mar.

"Em conjunto, o processo de militarização das fronteiras e a delegação dessa tarefa a regimes reacionários, ditatoriais e repressivos significa organizar operações de assassinato sistemático para se livrar de quem chega ao território europeu e, em troca, apoiar esses governos e regimes reacionários em suas políticas repressivas e antidemocráticas contra seus próprios povos", resume o relatório, que relaciona essas políticas com "a exportação das crises econômicas capitalistas do Ocidente rumo ao Sul", em um marco de continuidade com "o imperialismo ocidental em suas políticas expansionistas".

A Border Resistance ressalta que a externalização muda a política dos Estados, pois define o controle da mobilidade em todo o seu território, para além das fronteiras, dando lugar à normalização de políticas de vigilância, detenções e deportações. Não apenas as políticas internas dos países que atuam como "cães de guarda" acabam se moldando a serviço da agenda migratória europeia, como também, no marco da externalização, surgem as chamadas "fronteiras inteligentes invisíveis", apoiadas em alta tecnologia: um amplo sistema de dados biométricos, uso de drones, câmeras térmicas ou satélites que formam malhas de vigilância que ganham protagonismo diante das fronteiras físicas.

O relatório mostra como se transformou, nos últimos anos, a vigilância do Mediterrâneo, com as patrulhas marítimas dando lugar a uma intensa vigilância aérea sustentada no uso de drones ou pseudossatélites, entre outras tecnologias de controle. Essa transição, além disso, alimenta a pesquisa no campo das tecnologias de vigilância e de guerra. "A Frontex iniciou testes de voo sobre o Mediterrâneo utilizando drones 'Heron', fabricados por uma empresa israelense, com o objetivo de vigiar as fronteiras externas da União Europeia", apontam. O coletivo reclama que os mecanismos tecnológicos de observação assistidos por IA sejam destinados a salvar vidas e ajudar na identificação de pessoas em movimento desaparecidas, e não a militarizar as fronteiras.

A externalização persegue, tortura e mata

Muito longe da abstração do discurso político, o marco da externalização tem um custo humano que muitas vezes se dilui pela distância geográfica, as pessoas morrem e são torturadas longe do território europeu e da centralidade da agenda midiática, ou que, quando acontece na fronteira sul, como recentemente em Ceuta, ou em Melilla, se resume em números de "migrantes falecidos", uma contabilidade da morte que logo passa a segundo plano.

O relatório da Border Resistance já afirmava, antes da tragédia da semana passada, que "a União Europeia contribui para operações de detenção e deportação em massa e racista nas portas de Ceuta". Essa foi a conclusão a que chegou junto com a organização No Name Kitchen, com quem denunciou como, durante uma semana de abril de 2026, as forças de segurança marroquinas iniciaram uma campanha contra quem se encontrava nos bosques entre as cidades de Fnideq e Belyounech.

Com base nos testemunhos que obtiveram naqueles dias, a organização relata como pessoas de nacionalidade sudanesa e chadiana foram detidas e transferidas à força para a fronteira com a Argélia, obrigando algumas delas a cruzar para o outro lado. Uma vez na Argélia, correm o risco de sofrer uma segunda deportação rumo ao Níger. Por via aérea, afirma a Border Resistance, foram deportadas pessoas provenientes de Camarões, Mali, Mauritânia, Senegal e Burkina Faso, que sofreram tanto na detenção quanto no voo posterior "humilhação, insultos racistas, violência e tratamento degradante", segundo relataram pessoas afetadas à organização. "Não se trata de incidentes isolados, mas de um padrão contínuo de desumanização", conclui o documento, apontando que a seção de Tetuão da Associação Marroquina de Direitos Humanos denunciou a detenção coletiva de 800 pessoas, retidas em escolas rurais.

Por outro lado, a organização documenta agressões contra solicitantes de asilo sudaneses nos campos próximos à cidade de Agadir, ocorridas em maio de 2026. Numerosas fotografias mostram os graves ferimentos sofridos por esses trabalhadores agrícolas, que, em um contexto de racismo normalizado, explicam, não apenas são repetidamente roubados, mas também submetidos a uma violência extrema. "As agressões contra os trabalhadores migrantes e os solicitantes de asilo se repetem, e sua brutalidade aumenta à medida que cresce o discurso de ódio e o racismo em Marrocos, o que o torna um país inseguro para solicitantes de asilo de pele escura". Também em Marrocos, a Border Resistance denuncia as práticas do escritório do ACNUR em Rabat, após ter recebido múltiplas queixas de solicitantes de asilo que afirmam ter sofrido racismo.

O relatório, publicado quatro anos após o massacre de 24 de junho de 2022 em Melilla, também puxa o fio do que aconteceu depois, uma vez que aquele episódio de violência extrema contra pessoas migrantes saiu do centro da agenda pública. Assim, acompanha a história das pessoas que viveram aquela experiência, lembrando que, além do elevado número de mortos, feridos e detidos, "cerca de 1 mil migrantes foram deportados, entre eles feridos e pessoas com deficiência, para cidades distantes dentro de Marrocos, como Beni Mellal, Ouarzazate e Safi, e também para a Argélia, a distâncias que chegaram a 890 km, sem lhes fornecer alimentação nem a atenção médica necessária". Quanto aos detidos, aponta que foram julgados sem garantias e condenados a entre 8 e 11 meses em primeira instância, penas que, no entanto, se tornaram de 3 e 4 anos. Outro grupo foi condenado a dez anos de prisão. Todos eles eram acusados de violência contra a polícia, rebelião ou entrada irregular em Marrocos.

A Border Resistance entrou em contato com sobreviventes daquele dia, alguns dos quais passaram pela prisão. A organização também obteve a lista de pessoas desaparecidas elaborada pela seção de Nador da Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH), para investigar o que aconteceu com essas pessoas, a maioria de nacionalidade sudanesa. O relatório mostra as fotos e os nomes dessas pessoas e o que aconteceu com elas depois, pessoas como os jovens sudaneses Ibrahim Al Hlu ou Ahmed Eltoum e tantos outros que apareciam na lista de desaparecidos da AMDH; conhecidos deles confirmaram que ambos estavam entre os detidos e que, após passar pela prisão, deixaram o território marroquino. Ou como Mustafa Abboud Mohamed Adam, que ainda continua na prisão cumprindo pena de quatro anos, ou Yassin Hussein Abakar, que nunca mais apareceu depois daquele 24 de junho.

O coletivo, dedicado também à defesa do direito à saúde das pessoas em movimento, relata a trajetória de outro sudanês sobrevivente do massacre de Melilla, Ishak Omar, que, após decidir se instalar em Marrocos, foi deportado para a Argélia, de onde, meses depois, foi deportado para o Níger, buscando depois sorte na Tunísia, e por fim acabando de volta na Argélia. O jovem, que havia fugido do Sudão por ser perseguido por pertencer ao Partido Comunista, viveu uma deportação atrás da outra sofrendo uma grave doença, com repetidas tentativas de ser atendido pelo ACNUR, e vendo como lhe negavam a ajuda repetidamente.

Além de Marrocos, o relatório aborda a grave situação de violência contra pessoas migrantes na Líbia, outra peça central nas políticas de externalização. Para isso, traz casos concretos, como a detenção, na aplicação da lei contra a mendicância, de um grupo de mulheres migrantes que pediam ajuda diante de mesquitas em Trípoli. Ou o tormento de um grupo de 68 pessoas, incluindo menores, que foi retido em Zuwara contra sua vontade, enquanto lhes exigiam pagar 4.500 euros para serem libertadas. A falta de atenção sanitária e de alimentos também ameaça a vida de pessoas somalis, eritreias e etíopes retidas em centros de detenção de Ajdabiya. Na cidade de Al-Kufra, denuncia a organização, estão retidos centenas de jovens e adolescentes somalis, com o objetivo de extorquir suas famílias.

A organização, em sua defesa do direito à saúde, cita também o caso de uma mulher sudanesa que "faleceu diante da sede do ACNUR na zona de Al-Sarraj, em Trípoli, após um trajeto extenuante em que percorreu mais de mil quilômetros na tentativa de se registrar" como solicitante de asilo, diante da falta de escritórios nos pontos de chegada ao país. Nesse contexto, a organização é dura com o ACNUR, a quem acusa de deixar a mulher "diante da porta sem assistência, e deixou sua filha em prantos, sem sequer preservar a dignidade da falecida nem cobrir o corpo".

Junto ao abandono ou às detenções, o relatório denuncia as batidas contínuas em moradias de trabalhadoras migrantes por parte da Direção de Segurança de Zliten, uma situação em que elas são humilhadas e submetidas a um tratamento indigno. O atropelamento e posterior abandono de uma jovem sudanesa de nome Intisar, ou casos como o de Amina, uma jovem vítima de tráfico que foi rejeitada em quatro hospitais públicos de Trípoli por não ter documentação regularizada, apesar de sua vida correr perigo, são apenas alguns exemplos de como as pessoas migrantes são submetidas a todo tipo de violação dos direitos humanos com a conivência da Europa.

Na Tunísia, a Border Resistance documenta como, em janeiro de 2025, "as autoridades tunisianas deportaram vários migrantes de Sfax rumo ao deserto, entregando-os a milícias na Líbia, para serem introduzidos na prisão de Assa (situada no deserto líbio), com o objetivo de traficá-los, torturá-los e extorquir suas famílias". O relatório traz o testemunho de um dos sobreviventes, que relata como, após ser deportado, foi vendido às milícias que controlam a prisão, junto com o restante das pessoas retidas.

O jovem, após não conseguir que a Tunísia lhe concedesse proteção apesar de ter cartões do ACNUR, aventurou-se no mar junto com outros companheiros iemenitas, etíopes e sudaneses, entre eles mulheres e crianças. A embarcação naufragou, afogando-se grande parte dos passageiros. Após serem avistados por um pescador, e resgatados pela guarda costeira tunisiana, seguiu-se a deportação para o acampamento de Ras Jedir, na Tunísia, onde foram torturados, e as mulheres sobreviventes foram estupradas pelos guardas diante dos demais, explica o testemunho. Depois, já em Assa, ocorreu a venda. As milícias líbias colocavam preço nas pessoas retidas conforme sua nacionalidade: 2 mil dinares líbios em troca dos sudaneses e nacionais de outros países da África subsaariana; 20 mil dinares pelo último cidadão egípcio; 40 mil pelos bangladeshianos.

O testemunho narra como as pessoas que ainda continuavam na prisão escaparam depois de duas semanas, seguindo a pé rumo à distante cidade de Zuwara. Após caminhar durante dois dias, com a ajuda de amigos e conhecidos, conseguiram ser transportadas dali para Trípoli. A pessoa que relatou seu testemunho explica que ainda tem medo de que as milícias a encontrem, mas nem as autoridades da capital, nem o próprio ACNUR reagiram com algum tipo de proteção diante de seu caso.

O relatório também aborda a situação no centro de refugiados localizado a 20 km de Agadez, local de passagem onde centenas de pessoas que fogem de uma situação regional cada vez mais violenta e instável se encontram cercadas, com um ACNUR que sofre as consequências do desfinanciamento por parte dos Estados Unidos, o que resultou, no início de 2025, na suspensão total dos cartões de alimentos. O relatório denuncia a opacidade de organizações como o ACNUR e a OIM, além do governo nigerino, e a desproteção em que ficam essas pessoas, que estão sendo forçadas a abandonar o centro, agora sob controle de Niamey, sendo objeto de fome e repressão.

Uma mudança de paradigma

Após o levantamento de numerosos casos que mostram o que implica, na vida das pessoas, a decisão política da União Europeia de apostar na externalização como principal ferramenta de controle fronteiriço, a Border Resistance enumera uma série de demandas que buscam reverter esse status quo necropolítico.

Em primeiro lugar, exigem fechar a torneira do financiamento e deixar de cooperar com as autoridades líbias, que os crimes cometidos contra pessoas migrantes no país sejam investigados, e que se intervenha para libertar as pessoas retidas em todo o território, que sofrem tortura enquanto seu entorno é extorquido. Nesse sentido, também exigem o fim da Frontex, "na ausência de mecanismos de controle independentes sobre suas violações". O relatório lembra como a Itália de Meloni libertou Osama al Najim, um influente líbio acusado de tráfico de pessoas e conhecido por suas torturas contra migrantes.

A Border Resistance também exige que sejam atendidas as reivindicações dos refugiados que se encontram no Níger e que cessem tanto o castigo coletivo quanto a repressão, garantindo-lhes as condições básicas para uma vida digna, exigindo um tratamento humano e atenção sanitária adequada para os que permanecem no campo de Agadez. O coletivo também pede a libertação dos que ainda seguem presos em Marrocos após o massacre de Melilla, exigindo ainda a investigação sobre o destino dos desaparecidos. Demanda tanto reparação para as vítimas e suas famílias quanto o julgamento, na Espanha e em Marrocos, dos responsáveis por ao menos 27 mortes.

Por outro lado, a organização exige que Marrocos cesse as deportações forçadas tanto para a Argélia quanto para o deserto, e que a União Europeia deixe de forçar as pessoas em movimento que seguem rumo ao Norte a buscar a vida em Marrocos, vendo-se obrigadas a viver em condições muito duras nos bairros populares desse país. Além disso, defende a necessidade de que toda pessoa possa ser atendida pela saúde pública de cada país, e que os discursos de ódio e o racismo sejam tipificados como delito.

No âmbito da prestação de contas, a Border Resistance propõe duas medidas importantes: de um lado, "a ativação do princípio de jurisdição universal para perseguir os responsáveis pelos delitos de tortura e tráfico de pessoas na Líbia"; e, de outro, "a tipificação da deportação forçada rumo ao deserto como crime contra a humanidade".

Além disso, apontam para uma importante mudança de paradigma que implicaria transicionar para "o uso de mecanismos de inteligência artificial e de desenvolvimento tecnológico na busca e identificação dos desaparecidos e das identidades dos mortos antes do processo de sepultamento, e na detecção de embarcações para salvar vidas humanas, em vez do uso desumano e imoral dessas tecnologias para a vigilância e militarização das fronteiras e sua externalização, o que produz um elevado número de mortos, sendo essas mesmas políticas as que produziram a maior vala comum do mundo: o Mar Mediterrâneo".

Enquanto se contam pessoas falecidas em Ceuta, e a migração volta a se tornar objeto de pânico moral, concebida como uma ameaça à soberania dos Estados, ou apresentada como combustível para a ascensão da extrema-direita, o coletivo Border Resistance afirma: "Renovamos nossa solidariedade absoluta com todas as pessoas refugiadas e migrantes diante desse sistema assassino".

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