"A opção da União Europeia é preocupante. Assim corre-se o risco de corroer o direito de asilo", alertam os bispos italianos

Foto: Alexandre Lallemand | Unsplash

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11 Dezembro 2025

O modelo Albânia para a gestão dos migrantes está "à margem da democracia". Enquanto o governo italiano comemora o acordo alcançado em Bruxelas sobre três novas regulamentações relativas a países de origem seguros, países terceiros seguros e repatriações, os bispos italianos, em seu novo relatório Migrantes, criticam as políticas do governo Meloni. Eles fazem isso enquanto na maioria reina a convicção de que o acordo entre os Estados europeus tornará novamente os centros de Shenjing e Gjader totalmente operacionais.

A informação é de Eleonora Camilli, publicada por La Stampa, 10-12-2025.

O ministro da Justiça, Carlo Nordio, assim como havia feito o ministro do Interior, fala de uma possível "debloqueio do impasse Albânia" e de "um excelente passo rumo a uma solução definitiva que trará clareza, tanto do ponto de vista jurisprudencial quanto operacional", embora o processo ainda não esteja concluído e "a situação ainda esteja sujeita à decisão final da UE". Portanto, por ora, não há data para uma nova transferência de migrantes para o país para procedimentos acelerados de fronteira (de acordo com o modelo do protocolo com Tirana).

A intenção é esperar pelo menos alguns meses para que as regulamentações sejam finalizadas. A retomada poderia, portanto, ser adiada para o começo do próximo semestre ou mesmo para junho de 2026, quando o novo pacto entrará em vigor. Por enquanto, apenas o centro de repatriação permanece operacional, para onde dezenas de migrantes foram transferidos de centros de acolhimento nos últimos meses. Essa experiência, segundo a Conferência Episcopal Italiana, representa "um teste para a solidez dos princípios democráticos e jurídicos da União". "O modelo Albânia, em vez de ser visto como um monstro isolado, deve ser inserido no contexto das políticas europeias de externalização", observa o relatório Migrantes "uma demonstração de poder soberano sobre os corpos dos migrantes", caracterizada pela "opacidade sistêmica, alimentada pela exclusão da sociedade civil e das mídias".

As ONGs que atuam nas operações de resgate marítimo também são extremamente críticas. A Mediterranea o classifica como "um mecanismo criado para afastar das fronteiras da Europa a responsabilidade pelo acolhimento, baseado na detenção ilegal e na suspensão de direitos fundamentais". A Sea Watch, por sua vez, o considera "um novo Estado policial europeu". Da oposição, Laura Boldrini, do Partido Democrático, enfatiza que o Pacto é prejudicial para a Itália: "Eu aconselharia o ministro do interior a ser cauteloso, porque teremos mais ônus do que antes. Como país de primeira chegada, a Itália terá que esperar que outros países da UE mostrem sua disposição em acolher ou fornecer apoio financeiro."

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