25 Março 2025
O número de pessoas mortas em rotas de migração tem vindo a aumentar nos últimos cinco anos, e 2024 foi o ano mais fatal de sempre já registado, com pelo menos 8.938 mortos entre aqueles que se deslocavam em busca de um novo lar. Os dados são da Organização Internacional para as Migrações (OIM) e foram divulgados esta sexta-feira, 21 de março.
A reportagem é publicada por 7Margens, 21-03-2025.
Superando o número recorde de 2023, quando 8.747 mortes de migrantes foram registadas, 2024 foi o ano mais mortal já registado na maioria das regiões do mundo, incluindo a Ásia (2.778 pessoas mortas registradas), África (2.242) e Europa (233).
As mortes documentadas no Mar Mediterrâneo no ano que passou (2.452) foram menos do que em 2023, mas ainda assim trata-se de um “grande número que mostra a necessidade de sistemas adequados de busca e salvamento, bem como a necessidade de rotas de migração seguras e regulares como alternativas a essa jornada arriscada”, defende a OIM no seu relatório.
Ainda não há dados finais relativamente às Américas, mas sabe-se que pelo menos 1.233 mortes ocorreram em 2024, o que inclui “um número sem precedentes de 341 vidas perdidas nas Caraíbas em 2024 e um recorde de 174 mortes de migrantes que cruzaram a região de Darién [entre a Colômbia e o Panamá]”.
Mortes de migrantes por região, de 2014 a 2024 | Fonte: OIM
Para o vice-diretor geral de operações da OIM, Ugochi Daniels, “a tragédia do crescente número de mortes de migrantes em todo o mundo é inaceitável e evitável”. Lembrando que “por trás de cada número há um ser humano, alguém para quem a perda é devastadora, Daniels defende que “precisamos de uma resposta internacional e holística que possa evitar mais perdas trágicas de vidas”.
Até porque o número real de mortes e desaparecimentos de migrantes é provavelmente muito maior do que revelam os registos, já que “muitos ficaram sem documentos” e “as identidades e características demográficas da maioria das pessoas que morreram ou desapareceram são desconhecidas”, alerta o relatório.
“O aumento de mortes é terrível por si só, mas o fato de milhares permanecerem não identificados a cada ano é ainda mais trágico”, disse Julia Black, coordenadora do Missing Migrants Project da OIM. “Além do desespero e das questões não resolvidas enfrentadas pelas famílias que perderam um ente querido, a falta de dados mais completos sobre os riscos enfrentados pelos migrantes dificulta respostas que salvam vidas”, explica.
Para ajudar a resolver essa lacuna, o próximo relatório anual do Missing Migrants Project fornecerá uma análise detalhada de dados sobre mortes de migrantes em 2024, bem como uma nova análise sobre migrantes desaparecidos em crises humanitárias.