Milei protagoniza a cúpula internacional da ultradireita em Buenos Aires com ataques a Pedro Sánchez, Lula e Petro

Foto: Flickr

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05 Dezembro 2024

“Temos que dar um chute na bunda dos socialistas”, disse Javier Milei com seu habitual palavreado corrosivo diante de um público amigável: os participantes da Conferência Política de Ação Conservadora (CPAC) em Buenos Aires. Suas palavras encerraram o evento no hotel Hilton de Puerto Madero, em uma sala que estava longe de preencher sua capacidade para mil pessoas e por onde passaram anteriormente o deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro, o líder do Vox, Santiago Abascal, e o vice-presidente do Comitê Nacional Republicano, Lara Trump, entre os principais palestrantes.

A reportagem é de Mercedes López San Miguel, publicada por El Diário, 05-12-2024.

Ao longo do seu discurso, o presidente argentino atacou “os esquerdistas”, aludindo aos governos progressistas de ambos os lados do Oceano Atlântico. “Os socialistas, após a queda do muro (de Berlim), avançaram em terreno fértil, porque nos retiramos do campo de batalha. Não travamos a batalha cultural. Tiveram sucesso porque conseguiram impor a agenda politicamente correta, mas com suas ideias geraram miséria. Sofremos quatro governos kirchneristas (de Néstor Kirchner e Cristina Fernández de Kirchner), experiências como Lagos, Bachelet e Boric no Chile; no Uruguai, Mujica e Tabaré; no Brasil, Lula e Dilma; na Colômbia, Petro, e na Espanha, Zapatero e Sánchez. A tortura que os pobres espanhóis sofrem com isso”, afirmou mais tarde o argentino, em referência ao seu homólogo espanhol.

Variante trumpista

O presidente mostrou-se satisfeito por hoje existirem novos tempos de liberdade depois da vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, que viu depois das eleições, em Mar-A-Lago, em Palm Beach, para tirar uma selfie. A formação de uma internacional de direita não é nova. Já teve outras iniciativas, como o Fórum de Madri ou o evento Vox organizado em maio com a presença do próprio Milei. Desta vez, os ingressos custam entre US$ 100 e US$ 5 mil.

Santiago Abascal, consultado por elDiario.es durante a passagem pelo scanner de segurança, negou que o Estado argentino o tenha convidado quando participou do Fórum de Madri, em Buenos Aires, em setembro. O presidente do Patriotas, nova aliança europeia, diria mais tarde no palco que as vitórias de Trump e Milei são extremamente importantes para o mundo livre. “Queremos contribuir para este alinhamento de estrelas entre os EUA e a Argentina, que coincide com as vitórias das forças patrióticas nas principais nações europeias. Os socialismos querem impor-nos como educar os nossos filhos, “eles querem impor-nos a Agenda 2030 da ONU e o Acordo Verde Europeu”, disse ele.

“Uma ideologia anti-imigrante e anti-intelectual”

Jonathan Taplin, autor americano do livro The End of Reality, diz ao elDiario.es que “a ambição do CPAC é que a variante trumpista do conservadorismo libertário se torne um movimento global”. “Orban na Hungria, Modi na Índia, Le Pen na França, Meloni na Itália, Wilders na Holanda, Chrupalla e Weidel na Alemanha. Todos se baseiam numa ideologia de extrema-direita anti-imigrante e anti-intelectual. Milei e Bolsonaro são os líderes do movimento na América do Sul”, afirma Taplin.

Um dos participantes da cúpula, o deputado chileno Johannes Kaiser, comemorou o rumo que a Argentina está tomando com a gestão de Milei. “A Argentina está fazendo a mesma coisa que o Chile na década de oitenta”. Com Pinochet?, pergunta-se. “Sim, com quem mais? Allende nos deixou infelizes. Estamos lutando aqui para podermos manter a nossa civilização tal como a criamos. Infelizmente, caímos nas mãos dos inimigos da liberdade, a tal ponto que já não se pode dizer a verdade em coisas essenciais como a de que um homem é um homem e uma mulher é uma mulher", diz alguém que fez parte do Partido Republicano de José Antonio Kast, mas há um ano ele se distanciou do processo constituinte no Chile.

Por sua vez, o filho de Jair Bolsonaro elogiou a Argentina “como um farol da América Latina”, a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, “pela sua associação com Bukele”, e o porta-voz presidencial, Manuel Adorni. “Eu amo esses homens”, declarou o deputado, gesticulando.

“Se Trump regressar, Bolsonaro também regressará”, disse Eduardo Bolsonaro, quando se sabe que o seu pai não pode viajar para o estrangeiro porque a justiça brasileira reteve o seu passaporte e ele enfrenta vários processos judiciais. O ex-presidente foi acusado de planejar um golpe de Estado e está inabilitado para exercer cargos públicos. O próprio Jair Bolsonaro deu uma mensagem gravada para a CPAC na qual minimizou o fato de ter se reunido com embaixadores e ter questionado o sistema eleitoral de seu país.

Na presença de representantes do governo Milei, Eduardo Bolsonaro exigiu abertamente que a Argentina desse asilo aos milhares de fugitivos da justiça brasileira, envolvidos no ataque golpista aos três poderes do governo em 0 -01-2023. Até agora, o país concedeu apenas um asilo. “Há 1.500 pessoas detidas no Brasil, muitas têm penas de 17 anos de prisão. Peço à Comissão Nacional para Refugiados (Conare) que analise os pedidos de refugiados”, disse o filho do ex-presidente. Em outubro, o Supremo Tribunal do Brasil pediu à Argentina que extraditasse apoiadores fugitivos de Bolsonaro.

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