6º Domingo da Páscoa – Ano A – A alegria que nasce do Espírito. Reflexão de Adriana Viccini Brega Quinet

08 Mai 2026

“O capítulo 14 de João começa com um abraço: “não se perturbe o vosso coração”, oração poetizada por Teresa de Ávila quando enfrentou provações no Carmelo. Um pouco depois, no versículo 6 deste capítulo 14, Jesus se apresenta como “o caminho”. Estamos num contexto de despedida e bem sabemos o quão difícil é lidar com separações. Insegurança, medo, angústia e saudade. Como seria a vida sem Ele? Porém, atualizando o diálogo cuidadoso de Jesus com seus discípulos, sentimos a força da palavra: ‘não os deixarei órfãos’ ”.

A reflexão é de Adriana Viccini Brega Quinet. Ela possui graduação em Teologia pelo CES-JF/PUC-MINAS (2011). Especialista em Ciência da Religião e mestra em Ciência da Religião pela Universidade Federal Juiz de Fora. Professora no curso de Teologia na UniAcademia de Juiz de Fora - CES/JF.

Leituras do dia

Primeira leitura: Atos 8, 5-8.14-17
Salmo 65 (66)
Segunda leitura: 1 Pe 3, 15-18
Evangelho: Jo 14, 15-21

Eis a reflexão.

Gostaria de iniciar a reflexão sobre a liturgia deste domingo,  sexto domingo da Páscoa, recordando as palavras do Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangeli Gaudium: “da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído”.

Talvez tenha sido essa a alegria que brotou no coração dos habitantes da Samaria ao receberem a visita de Felipe, Pedro e João descrita por Paulo na primeira leitura de hoje(Atos 8, 5-8.14-17). A alegria que nasce do Espírito, bem sabemos, não é euforia passageira. É entusiasmo existencial que nos mantém num estado de permanente felicidade, mesmo em meio às adversidades próprias da vida e da fragilidade da nossa condição de criatura. Entusiasmo que é, literalmente, ter Deus dentro.

E desta alegria, já dizia o Papa Francisco, ninguém é excluído. Não importa de qual Samaria sejamos. Importa, porém, o nosso testemunho. O meu, o seu, e até mesmo daquele que se recusa a professar a mesma fé, mas a atesta em ações de compaixão e misericórdia. Porque a “grande alegria” está intrinsicamente ligada à libertação e à recusa de todas as formas de preconceito e opressão. Movidos por esta alegria densa e fecunda podemos, como o salmista, anunciar: “Aclamai o Senhor ó Terra inteira.”

A segunda leitura (1 Pe 3, 15-18), por sua vez, vem nos ajudar a entender que a fé não precisa ser apologética. Não precisa de defesa, de argumentos racionais e de provas justamente por estar inserida no campo da experiência. Podemos e devemos dar os motivos de nossa esperança, e essa é a tônica da segunda carta de Pedro, escrita por volta do ano 60 para revigorar os seguidores de Jesus naquele contexto de perseguição. Porém, as razões da esperança cristã não se enquadram em contendas. Não condizem com conflitos e não tem a pretensão de serem impostas. O motivo da esperança cristã não é um axioma, mas uma pessoa. Atestar a fé passa, portanto, pela construção do diálogo e pela escuta ativa e compassiva. Aquele que habita a Samaria é sinal da riqueza e da pluralidade humana e nesse sentido, o conselho de Pedro, é que a gentileza, a mansidão e o respeito estejam acima de quaisquer divergências. O que une há de ser sempre mais forte do que o que separa.

Por fim, o evangelho de João legitima o “caminho” que percorremos até aqui. O capítulo 14 começa com um abraço: “não se perturbe o vosso coração”, oração poetizada por Teresa de Ávila quando enfrentou provações no Carmelo. Um pouco depois, no versículo 6 deste capítulo 14, Jesus se apresenta como “o caminho”. Estamos num contexto de despedida e bem sabemos o quão difícil é lidar com separações. Insegurança, medo, angústia e saudade. Como seria a vida sem Ele? Porém, atualizando o diálogo cuidadoso de Jesus com seus discípulos, sentimos a força da palavra: “não os deixarei órfãos”.

Bem sabemos quanto consolo e certeza há nesta promessa. Nas situações-limite da vida quando tudo falta, nosso sustento é a Presença invisível do Espírito. É a força que não sabemos de onde vem. E vem para todos. Porque “da alegria trazida pelo Senhor, ninguém é excluído.

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