Israel castiga o Líbano: quase 400 mortos, entre eles 83 crianças, desde o início da guerra

Foto: RS/Fotos Públicas

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10 Março 2026

Estima-se que existam entre 300.000 e 700.000 pessoas deslocadas devido aos combates entre o Exército israelense e o Hezbollah. Além disso, um novo relatório da Human Rights Watch confirma o uso de fósforo branco em áreas residenciais.

A informação é publicada por El Salto, 09-03-2026.

O ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciado em 28 de fevereiro e que colocou em xeque toda a região do Oriente Médio, está tendo um efeito especialmente devastador no Líbano, onde os combates entre o Hezbollah e o Exército israelense foram retomados.

Desde 2 de março, e segundo os dados do ACNUR, mais de 300.000 pessoas foram forçadas a se deslocar, embora outras fontes, como o UNICEF, indiquem que o número de deslocados internos chegue a 700.000. Segundo as autoridades libanesas, quase 400 pessoas foram assassinadas e cerca de 800 ficaram feridas como consequência dos bombardeios israelenses. Entre os mortos há 83 menores, o que equivale a dizer: Israel matou 10 crianças libanesas por dia desde 2 de março.

"Nossas equipes estão respondendo, mas as necessidades são enormes. Dezenas de milhares de pessoas precisam urgentemente de proteção, água, itens de primeira necessidade e acesso a cuidados médicos", comunicou a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Escassez e áreas afetadas

A escalada das hostilidades, que haviam sido minimizadas após 15 meses de trégua entre o Hezbollah e as Forças de Defesa de Israel (FDI), está afetando especialmente o sul do Líbano, regiões do vale de Bekaa e alguns bairros do sul de Beirute. Nestas zonas, a população enfrenta graves problemas para aceder a água potável, alimentos e artigos básicos.

Human Rights Watch acusa Israel de utilizar fósforo branco

Por outro lado, transpareceu nas últimas horas um novo relatório da Human Rights Watch (HRW) que afirma que o Exército israelense estaria disparando "ilegalmente munições de fósforo branco na cidade de Yohmor", no sul do Líbano.

A organização tornou pública esta informação após geolocalizar e verificar uma série de imagens — sete, especificamente — que mostram munições de fósforo branco no ar, lançadas sobre uma área residencial da cidade no passado dia 3 de março, um dia após o reinício dos combates no país.

"O uso ilegal de fósforo branco pelo exército israelense em áreas residenciais é extremamente alarmante e terá graves consequências para a população civil", alertou Ramzi Kaiss, investigador da HRW sobre o Líbano. "Os efeitos incendiários do fósforo branco podem causar a morte ou lesões cruéis que resultam em sofrimento para toda a vida."

Conforme destaca a organização, o fósforo branco é uma substância química presente em projéteis de artilharia, bombas e foguetes que se inflama ao entrar em contato com o oxigênio, e seu uso não é permitido em áreas residenciais.

Investigação de crimes internacionais

Não é a primeira vez que o Exército israelense utiliza fósforo branco no Líbano: entre outubro de 2023 — após o início da campanha em Gaza — e maio de 2024, as FDI o utilizaram em aldeias fronteiriças no sul do país.

A HRW adverte ainda que as ordens de evacuação emitidas pelas FDI no Líbano podem constituir crimes de guerra de deslocamento forçado, uma vez que o objetivo não seria "proteger a população, mas sim semear o terror e o pânico". A organização insta o Governo libanês a iniciar uma investigação sobre os possíveis crimes internacionais cometidos pelo regime de Netanyahu no país.

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