Os fandoms já possuem infraestrutura sofisticada, com capacidade de coordenação, viralização, tradução e mobilização de recursos, e passam a deslocá-la do consumo para a disputa política, afirma o pesquisador
A cultura pop desde sempre traz, muitas vezes por entrelinhas, uma mensagem que introduz representatividade e pensamento crítico. É através do imaginário coletivo que cada história alcança diferentes gêneros, tendo um peso muitas vezes na construção do ser humano como ser singular, nutrindo sua subjetividade. É através do espelho que assemelha cada história que juventudes se inspiram e se posicionam dentro da sociedade, movimentando-se muitas vezes de forma articulada em grupos e comunidades em seu ativismo representativo e político.
Os fãs da banda BTS são um exemplo dessa forma organizada de se posicionar e gritar contra sistemas neoliberais e extremistas. Por incentivo da própria banda, o fã clube criou um movimento chamado “Tira o Título Army” que incentivou adolescentes em todo o Brasil a fazerem o título de eleitor para votarem nas eleições de 2022.
Em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU concedida por e-mail, o comunicador Christian Gonzatti explica que “ver-se numa narrativa tem efeito material, pois amplia o horizonte do que um sujeito imagina como possível para si. Se vejo, posso ser. Toda trama carrega uma política, inclusive quando se declara neutra, porque a ausência também é uma decisão. Para grupos historicamente minorizados, ser representado com dignidade e complexidade não é um detalhe estético. É uma forma de existência simbólica, e isso reverbera em autoestima, em saúde mental e em pertencimento social”.
Recentemente, o professor quase teve sua conta banida da plataforma Instagram devido a criar conteúdos sobre cultura pop vinculados à comunidade LGBTQIA+. Esse tipo de atitude da Meta só mostra sua política discriminatória e ultraconservadora que tem banido conteúdos de representação de gênero, inclusive limitando o alcance de outras pautas importantes vinculadas a políticas públicas e ambientais.
Para combater essa corrente conservadora extremista, Gonzatti lança seu segundo livro intitulado como Queer Pop: Gênero e Sexualidade na Mídia. O autor conta que a grande premissa defendida por ele é que “o queer não deve ser visto apenas como uma ‘cota de diversidade’ ou um checklist de representatividade para os estúdios cumprirem. Utilizo o queer como uma verdadeira lente epistemológica, um modo de ler o mundo. O livro mostra que, historicamente, quando o mundo real nos negou espelhos e a indústria nos relegou ao papel de monstros, vilões ou alívios cômicos, nós não aceitamos a passividade. Nós pegamos as narrativas da cultura de massa e as reescrevemos de dentro para fora, transformando essas histórias nos nossos primeiros abrigos seguros”.
Christian Gonzatti (Foto: Arquivo pessoal)
Christian Gonzatti é doutor e mestre em Ciências da Comunicação, com ênfase em Processos Midiáticos, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) com bolsa da Capes. Graduado em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pela Unisinos, com bolsa integral do ProUni, é coordenador do Curso de Graduação em Comunicação Digital e docente dos cursos de Comunicação da Unisinos. É membro do Laboratório de Investigação do Ciberacontecimento (LIC) e do Instituto de Cultura Digital (ICD/Unisinos). Escreveu Pode um LGBTQIA+ Ser Super-Herói no Brasil? (Devires, 2022) e criador das histórias em quadrinhos do super-herói Boy Magya.
IHU – De que forma a cultura pop funciona como um meio de formação de pensamentos?
Christian Gonzatti – A cultura pop não é entretenimento “vazio”. Ela funciona como pedagogia cultural. Stuart Hall nos ensinou que a representação não espelha o mundo, e sim o constrói: produz sentido. Quando consumimos repetidamente séries, músicas, jogos e memes, absorvemos repertórios sobre o que é desejável, normal, possível ou condenável. Raymond Williams chamaria isso de “estrutura de sentimento”, um modo compartilhado de sentir a época, que circula antes de virar discurso formal. A cultura pop forma pensamento justamente porque não se apresenta como doutrina. Ela entra pelo prazer, pela identificação afetiva, pela repetição. É um aprendizado que não parece aprendizado. Aí estão, ao mesmo tempo, sua enorme potência e seu risco, porque ela educa o desejo e a imaginação política sem pedir licença.
IHU – Como certas narrativas seguem fomentando características decorrentes do patriarcado e quais exceções tem mudado essa perspectiva?
Christian Gonzatti – As estruturas narrativas clássicas naturalizam o patriarcado de forma silenciosa: o herói masculino que age, a mulher como prêmio ou objeto a ser conquistado, o “male gaze” descrito por Laura Mulvey, a equação entre amor romântico e posse ou ciúme, a divisão entre esfera pública masculina e esfera doméstica feminina. Mesmo produções recentes reciclam esses moldes. As exceções que deslocam essa perspectiva trazem protagonismo feminino complexo e não idealizado, recusam o “final feliz igual a casamento”, desconstroem a própria figura do herói e permitem mulheres contraditórias, raivosas, autônomas. O cuidado crítico aqui é não confundir mudança real com “feminismo de mercado”. Muita representação é apenas cosmética: uma protagonista forte numa estrutura de produção e de poder que segue intacta nos bastidores.
IHU – Qual a importância da representação política no âmbito cultural dentro de cada trama cultural e o quanto isso impacta diversas realidades?
Christian Gonzatti – A palavra “representação” carrega dois sentidos que convém não separar: o político, ligado a quem tem direito de falar e por quem; e o simbólico, ligado a quem aparece nas telas e de que modo. Hall observava que aquilo que não é representado tende a ser tratado socialmente como inexistente. Ver-se numa narrativa tem efeito material, pois amplia o horizonte do que um sujeito imagina como possível para si. Se vejo, posso ser. Toda trama carrega uma política, inclusive quando se declara neutra, porque a ausência também é uma decisão. Para grupos historicamente minorizados, ser representado com dignidade e complexidade não é um detalhe estético. É uma forma de existência simbólica, e isso reverbera em autoestima, em saúde mental e em pertencimento social.
IHU – De que forma ações organizadas por pessoas ligadas à cultura pop – como a campanha “Tira o Título Army” realizada pelos fãs (ARMYs) do BTS ou o boicote virtual ao comício de Donald Trump em Tulsa em 2020 – demonstram o potencial do ativismo digital juvenil na disputa por narrativas políticas?
Christian Gonzatti – Henry Jenkins descreve o que chama de “fan activism”. Os fandoms já possuem infraestrutura sofisticada, com capacidade de coordenação, viralização, tradução e mobilização de recursos, e passam a deslocá-la do consumo para a disputa política. A campanha “Tira o Título Army” é um caso exemplar. Organizada pelo projeto Army Help The Planet, fãs brasileiros do BTS projetaram mensagens em prédios de capitais como Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Recife, Salvador e São Paulo, alertando a população jovem sobre a importância de tirar o título de eleitor para votar nas eleições de 2022. As intervenções misturavam frases de impacto e trechos de canções do próprio grupo, ou seja, a gramática afetiva do fandom foi convertida em letramento cívico. Em Tulsa, em 2020, fãs de K-pop e usuários do TikTok reservaram em massa ingressos do comício de Trump para inflar a expectativa de público e esvaziar a arena. Os dois casos mostram que a juventude não é apática e que ela disputa narrativas com as ferramentas que domina. Mas é preciso não romantizar, porque esse ativismo é episódico, depende de plataformas privadas e pode ser efêmero. Ainda assim, evidencia que o fandom virou um espaço real de socialização política.
IHU – Como a representatividade atua na cultura pop como um mecanismo de combate às desigualdades?
Christian Gonzatti – A representatividade atua em dois níveis. No simbólico, ela desnaturaliza a norma branca, cis, hétero e masculina que se apresentava como “padrão universal”, revelando-a como uma posição entre outras. No material, ela abre profissões, mercados e espaços de criação a corpos antes excluídos, e oferece modelos de identificação a quem não os tinha. Mas ela não basta sozinha. Sem redistribuição de poder, ou seja, sem mudança em quem dirige, roteiriza, financia e decide, a representatividade vira vitrine: diversidade na tela e homogeneidade no comando. Bell Hooks insistia que o olhar de quem produz importa tanto quanto o que é mostrado. Representatividade plena, portanto, é também uma questão de bastidores.
IHU – Partindo do pressuposto que abordar a cultura pop também é discutir sobre gênero, qual é o principal desafio de fazer uma leitura queer sobre as histórias? Como é feita essa análise?
Christian Gonzatti – Sim, falar de cultura pop é sempre falar de gênero, porque toda narrativa pressupõe um regime de gênero, mesmo quando não o tematiza. A leitura queer não se reduz a “procurar personagens LGBT”. Ela é uma chave crítica que questiona a naturalização da heteronormatividade e do binarismo em qualquer texto. O principal desafio é manter o equilíbrio entre dois erros opostos: o apagamento, que afirma não haver nada de queer ali; e a leitura forçada, ou o “queerbaiting” celebrado como vitória. Some-se a isso o fato de que o queer é, por definição, instável, o que exige analisar sem fixar nem rotular. Metodologicamente, olha-se para subtextos, silêncios e tensões que a narrativa não consegue conter, para o desejo, o corpo e a temporalidade (Jack Halberstam fala de uma “temporalidade queer”), e também para a longa prática de públicos LGBT que aprenderam a se ler nas entrelinhas, onde não eram nomeados. Alexander Doty resumiu bem: qualquer texto pode ser lido de modo queer.
IHU – Desenhos como “Hora de Aventura” e “Steven Universo” fazem uma leitura profunda sobre gênero e representatividade. Como esse tipo de animação combate influências de movimentos extremistas como os da machosfera?
Christian Gonzatti – Essas animações combatem a machosfera de modo estrutural, e não panfletário, e essa é a chave. “Steven Universo” coloca no centro um protagonista masculino cuja força é o cuidado, a vulnerabilidade e a negociação emocional, o oposto exato da masculinidade de dominação e ressentimento vendida pela manosfera. As fusões funcionam como metáfora de relação, consentimento e identidade, e há personagens não binárias tratadas com naturalidade. “Hora de Aventura” normaliza afetos sem alarde. Por que isso combate extremismos? Porque a machosfera oferece a meninos muito jovens uma masculinidade de escassez, ressentida e hierárquica. Essas animações oferecem, cedo e por via afetiva, um repertório alternativo, no qual sentir, cuidar, chorar e errar fazem parte de ser homem e de ser pessoa. Não é doutrinação, e sim ampliação do leque do possível antes que o algoritmo o estreite. O desafio é que a machosfera, hoje, é algoritmicamente agressiva e alcança crianças muito cedo.
IHU – De que forma a cultura pop colabora para o desenvolvimento das crianças e quais são os principais desafios para que elas possam nutrir coisas boas a partir dela?
Christian Gonzatti – A cultura pop contribui de modos concretos, pois oferece vocabulário emocional, exercita empatia, dá repertório simbólico, senso de pertencimento e primeiras noções de justiça e de diversidade. Os desafios são igualmente concretos: a saturação comercial, que trata a criança sobretudo como consumidora; os algoritmos, desenhados para reter atenção e não para formar; a exposição precoce a conteúdos inadequados ou extremistas; e a ausência de mediação adulta. O ponto-chave não é proibir, e sim mediar. A pesquisa em comunicação fala em mediação parental e em letramento midiático. As crianças nutrem coisas boas a partir da cultura pop quando há um adulto que conversa, contextualiza e dá sentido, e quando elas têm acesso a uma diversidade de narrativas, em vez de serem entregues a um funil algorítmico que só devolve mais do mesmo.
IHU – Sabemos que ainda há um longo caminho para que superproduções possam focar mais em representatividade. Partindo dessa questão, de que forma os movimentos corporativos da indústria impedem que grandes produções sigam trazendo questões importantes sobre gênero no âmbito social?
Christian Gonzatti – Vários mecanismos operam ao mesmo tempo. Primeiro, a lógica de risco: superproduções de orçamento altíssimo são conservadoras por estrutura e evitam tudo o que possa dividir o público. Segundo, o mercado global: para liberar um filme em territórios com censura, cenas que tratam de gênero e sexualidade são cortadas. Terceiro, o “rainbow capitalismo”, em que a representatividade é tratada como marketing sazonal, adotada quando vende e recuada quando gera reação. Quarto, a pressão de campanhas reacionárias e “anti-woke” e de acionistas, que leva estúdios a recuar publicamente. O resultado é que avanços reais convivem com timidez e reversões. A questão de gênero entra quando é lucrativa e desaparece quando é vista como passivo. O obstáculo de fundo, portanto, é que a decisão é financeira, e não ética, e enquanto isso não mudar o tema seguirá refém do humor do mercado.
IHU – Como analisar manifestações culturais que abordam a relação do ser humano com Deus e que e incentivam a espiritualidade, como o caso da cantora Rosalía?
Christian Gonzatti – O retorno do sagrado ao pop não é, em si, reacionário, e o caso de Rosalía ajuda a mostrar isso. No álbum “Lux”, a capa apresenta a artista com uma roupa que remete ao véu de comunidades religiosas femininas, e cada símbolo da estética foi escolhido por seu vínculo com a fé e a busca interior. Ela expressou admiração pelas freiras enclausuradas, que chamou de “cidadãs celestiais”, identificando-se com o desejo delas de se concentrar na criação e na busca da paz. Descreveu o projeto como nascido de uma necessidade de esvaziamento espiritual e afirmou que “Deus é o melhor artista”.
A obra dialoga ainda com São João da Cruz, retomando a tradição mística cristã. Como pesquisador, eu evitaria opor “cultura pop progressista” e espiritualidade. A experiência religiosa também é cultura, também é linguagem e merece ser lida com a mesma seriedade.
É notável que uma artista mulher reocupe um imaginário místico feminino como espaço de autoria e potência criativa, e não de submissão. Numa época de exaustão, ansiedade e hiperprodutividade, a procura por silêncio, sentido e transcendência é um sintoma legítimo de uma geração. O cuidado crítico está em distinguir uma espiritualidade que abre, que acolhe, questiona e humaniza, de uma religiosidade que fecha, que controla, exclui e se converte em poder. E o fenômeno não é isolado, pois a fé tem se tornado tema explícito também em artistas como Karol G, Rauw Alejandro e Daddy Yankee.
IHU – Hoje, quais os movimentos culturais e artistas que melhor abordam temas contemporâneos e propõem novos futuros à luz da arte?
Christian Gonzatti – No Brasil, eu destacaria Liniker, voz que articula transgeneridade, afeto e sofisticação musical, além de Gloria Groove, Pabllo Vittar, Linn da Quebrada e nomes em ascensão. Urias, no álbum “Carranca”, trabalha ancestralidade, religiosidade e decolonialidade. No funk, artistas como MC Soffia e Ludmilla expandiram o gênero para territórios feministas, e há toda uma nova MPB de sonoridade contemporânea.
No plano internacional, Bad Bunny é exemplar, ao articular identidade latina, gênero e, recentemente, a decisão de não excursionar pelos Estados Unidos em razão dos ataques a imigrantes. Como movimentos, eu apontaria o afrofuturismo e suas versões brasileiras e amazônicas, o rap como jornalismo de periferia e a cena drag. O que une os artistas que propõem novos futuros é que eles não apenas denunciam o presente: ensaiam imaginários, como ancestralidades reinventadas, corpos que ainda não cabiam e utopias. José Esteban Muñoz pensava o queer como horizonte, como futuro ainda não chegado. É exatamente essa a função especulativa da arte: dar a ver futuros possíveis.
IHU – Grandes nomes da música juntam multidões. Que fatores explicam esse fenômeno?
Christian Gonzatti – Vários fatores convergem. Primeiro, a economia da escassez. Na era do streaming e da fragmentação infinita, o show ao vivo virou o bem raro, a experiência presencial e irreproduzível do “estar lá”. Segundo o pertencimento. Num momento de solidão e de crise das instituições tradicionais, como religião, partido e sindicato, o fandom oferece comunidade e identidade, e o estádio funciona como ritual coletivo. Durkheim chamaria isso de efervescência coletiva: a multidão que canta junta vive algo próximo de uma experiência quase religiosa. Terceiro, as redes sociais transformam cada show num evento global, compartilhável e desejável. Quarto, o popstar contemporâneo é uma figura totalizante, que reúne música, estética, narrativa de vida e, muitas vezes, causa política. Por isso a multidão não se explica só pelo consumo. Ela expressa uma busca de comunhão. Os grandes shows são, hoje, um dos poucos espaços de experiência coletiva massiva que ainda nos restam.
IHU – Conte um pouco sobre o seu novo livro. Qual é o principal foco?
Christian Gonzatti – O Queer Pop: Gênero e Sexualidade na Mídia, meu novo livro, é, na sua essência, um manual prático de guerrilha semiótica e uma carta de amor à resiliência da nossa comunidade. Se no meu livro anterior (Pode um LGBTQIA+ ser super-herói no Brasil?) eu foquei muito na recepção, no pânico moral e nas disputas externas quando a diversidade ocupa espaços, neste novo trabalho eu decidi virar a lente para a textura interna das próprias obras. O foco principal do livro é mostrar como a mídia de entretenimento atua como uma máquina pedagógica que nos ensina a performar a normatividade – o que eu chamo de “a armadura do herói e o vestido da princesa” –, mas, principalmente, como nós aprendemos a hackear esse sistema para sobreviver criativamente.
A grande premissa que defendo é que o queer não deve ser visto apenas como uma “cota de diversidade” ou um checklist de representatividade para os estúdios cumprirem. Utilizo o queer como uma verdadeira lente epistemológica, um modo de ler o mundo. O livro mostra que, historicamente, quando o mundo real nos negou espelhos e a indústria nos relegou ao papel de monstros, vilões ou alívios cômicos, nós não aceitamos a passividade. Nós pegamos as narrativas da cultura de massa e as reescrevemos de dentro para fora, transformando essas histórias nos nossos primeiros abrigos seguros.
Para tornar isso palpável, adoto um tom ensaístico, quase como um ativismo paracadêmico. Pego teóricos densos como Judith Butler, Michel Foucault e Jack Halberstam, e levo eles para passear na Disney, na Marvel e no PlayStation.
No livro, mostro que Mulan não é apenas uma heroína, mas a construção do maior ícone drag king dos anos 1990, escancarando que a masculinidade é apenas uma tecnologia que pode ser aprendida e hackeada por qualquer pessoa. Mostro como A Pequena Sereia é, desde o seu conto original até a animação, uma das metáforas mais dolorosas sobre a disforia de gênero, a violência do armário e o mercado clandestino de transição (representado pela Úrsula). Analiso a monstruosidade e o conceito de Pixarvolt em Luca, a destruição do patriarcado capitalista e a criação de futuros reprodutivos ciborgues na franquia de games Horizon, a força dos fãs queer brasileiros ao traduzirem o universo de Digimon para o nosso “pajubá”, e até mesmo como podemos tomar a varinha de Harry Potter de volta das mãos da sua criadora.
Então, o foco central é este: provar que a comunidade LGBTQIA+ sempre foi a verdadeira dona do código-fonte da imaginação. Nós usamos a fantasia para sobreviver quando a realidade tentou nos apagar, e o Queer Pop é a celebração de como o lado colorido da força sempre dá um jeito de se infiltrar e ressignificar o roteiro.