Mesquita Azul e Patriarcado: a viagem inter-religiosa de Leão XIV

Foto: Vatican Media

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02 Dezembro 2025

Um forte apelo pela paz e contra todas as "guerras santas" vem de Istambul, onde ontem à tarde o Papa Leão XIV e o Patriarca Bartolomeu se encontraram e assinaram uma declaração conjunta, relançando também seu compromisso de encontrar uma data comum entre católicos e ortodoxos para celebrar a Páscoa.

A reportagem é de Luca Kocci, publicada por Il Manifesto, 30-11-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

"Conflitos e violência continuam a destruir a vida de tantas pessoas. Apelamos àqueles que têm responsabilidades civis e políticas para que façam todo o possível para garantir que a tragédia da guerra termine imediatamente", exortaram o Papa e o Patriarca Ecumênico de Constantinopla. "Rejeitamos qualquer uso da religião e do nome de Deus para justificar a violência", continuam, "exortamos todos os homens e mulheres de boa vontade a trabalharem juntos para construir um mundo mais justo e solidário e a cuidar da criação", porque "só assim a família humana poderá superar a indiferença, o desejo de dominação, a ganância e a xenofobia".

O encontro entre os dois líderes religiosos é um dos eventos centrais da primeira viagem internacional do Papa Prevost à Turquia, e a partir de sábado até a terça-feira no Líbano. Dois os pontos principais na agenda do pontífice: ecumenismo, diálogo inter-religioso e paz.

Um dia antes do encontro com Bartolomeu na sede do Patriarcado no Fanar (o bairro grego de Istambul), Leão XIV havia estado em Iznik, a antiga Niceia, para marcar o 1.700º aniversário do Concílio convocado em 325 por Constantino. Consciente da importância da unidade da Igreja para a solidez do império, Constantino exortou os bispos a estabelecerem a verdadeira fé contra as teses "heréticas" de Ário, que negava que Deus Pai e Jesus tivessem o mesmo grau de divindade (para mais informações, sugiro a leitura do livro de Luigi Sandri, Dal Gerusalemme I al Vaticano III: I Concilinella storia tra Vangelo e potere). Lá, o pontífice se encontrou com os chefes das Igrejas Ortodoxas, com três grandes ausências: o Patriarca Kirill de Moscou e os Patriarcas de Antioquia e Jerusalém, ambos ligados à Rússia, confirmando que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia dividiu profundamente o mundo cristão.

Na manhã de ontem, Prevost visitou a Mesquita Azul, em Istambul, atravessando-a descalço, como prescrevem as normas islâmicas. Ele não rezou — como seus antecessores Ratzinger e Bergoglio haviam feito — mas "viveu a visita à mesquita em silêncio, em espírito de recolhimento, e em escuta com profundo respeito pelo lugar e pela fé daqueles ali recolhidos em oração", explicou a Sala de Imprensa da Santa Sé.

Em relação ao tema da paz, o papa atuou em duas frentes: a política e a religiosa. "Senhor Presidente, que a Türkiye possa ser um fator de estabilidade e reaproximação entre os povos, a serviço de uma paz justa e duradoura", disse ele a Erdogan em sua chegada a Ancara, reconhecendo assim o papel do presidente turco como mediador nos conflitos entre a Rússia e a Ucrânia e entre Israel e o Hamas. "Hoje, mais do que nunca, precisamos de personalidades que favoreçam o diálogo e o pratiquem com firme vontade e paciente tenacidade."

E na noite passada, durante a missa na Arena Volkswagen de Istambul, ele reiterou o apelo do profeta Isaías ("converterão suas espadas em arados, e das suas lanças farão foices. Nenhuma nação erguerá sua espada contra a outra") e disse: "Como sentimos a urgência desse apelo hoje. Quanta necessidade de paz, unidade e reconciliação existe ao nosso redor."

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