O esmoler do Papa na Ucrânia: “Dor e raiva pelos jovens soldados mortos”

Papa Francisco com a bandeira ucraniana (Foto: Vatican Media)

Mais Lidos

  • Em vez de as transformações tecnológicas trazerem mais liberdade aos humanos, colocou-os em uma situação de precarização radical do trabalho e adoecimento psicológico

    Tecnofascismo: do rádio de pilha nazista às redes antissociais, a monstruosa transformação humana. Entrevista especial com Vinício Carrilho Martinez

    LER MAIS
  • A Espiritualidade do Advento. Artigo de Alvim Aran

    LER MAIS
  • Desatai o futuro! Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS

Revista ihu on-line

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

27 Junho 2024

A emoção, o desânimo, depois a raiva, uma raiva profunda: “Por que os jovens ainda morrem na guerra em 2024? Senhor, isto basta!” Foi um momento intenso que o Cardeal Konrad Krajewski viveu esta manhã no cemitério de Ternopil, cidade no oeste da Ucrânia onde o esmoler entrega uma ambulância equipada como centro móvel de reanimação ao hospital distrital de Zboriv, ​​juntamente com vários medicamentos essenciais e que salvam vidas da Farmácia do Vaticano e da Farmácia da Policlínica Gemelli. Estes são os novos presentes do Papa para esta população ferida pela guerra: “Um sinal de amor e de esperança”, disse o cardeal aos meios de comunicação do Vaticano, pela sétima vez no país atacado desde o início do conflito.

A reportagem é publicada por Repubblica, 26-06-2024.

O cardeal polonês chegou ontem a Lviv e esta manhã, por volta das 4h, chegou a Ternopil. "O pároco ainda dormia", diz Krajewski. "Para não acordá-lo, fui ao cemitério próximo e havia uma área para os soldados recentemente enterrados. Jovens, com suas fotos debaixo da cruz: 20-23-25 anos... Fiquei tão mal, até com raiva: por que jovens ainda morrem na guerra em 2024, Senhor, isso não é possível que o mundo produza armas, todo mundo ganhe e esses caras percam a vida!"

Essa dor aumentou quando o cardeal, a certa altura, viu chegar uma jovem: “Ela estava não muito longe de mim, diante do túmulo do marido, estava grávida. Mas realmente hoje tive dificuldade com a misericórdia. Por que ainda atiram, por que matam? Eu sei que a misericórdia é um escândalo, que ultrapassa a justiça, que é o segundo nome de Deus, mas hoje foi difícil para mim aplicar esta palavra no cemitério da Ucrânia. Então as palavras da Ladainha do Sagrado Coração voltaram à minha mente, pensei que não posso julgar de acordo com o mundo e me acalmei”.

"Nós, homens", acrescenta o cardeal, "somos capazes de fazer coisas extraordinárias no mundo, mas também coisas terríveis, sem piedade e isso já dura mais de dois anos na Ucrânia".

Além de entregar a ambulância, Krajewski inaugurou, juntamente com os bispos locais, o centro de reabilitação São João Paulo II na Diocese Católica Romana de Kamyanets-Podilskyy, para a reabilitação integral, física e psicológica daqueles que sofreram o trauma da guerra.

Krajewski retornará a Lviv. Ao longo do caminho, diz ele, irá parar para encontrar diferentes comunidades “para estar com as pessoas, levar-lhes um abraço, um sinal de esperança do Santo Padre, para dizer-lhes que ele reza por elas em cada audiência e no Angelus, que não os esquece e está perto deles”.

Leia mais