A crise na Ucrânia coloca em dificuldades a política externa da Santa Sé

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24 Fevereiro 2022

 

A delicada crise na Ucrânia, que desequilibrou gravemente as relações internacionais entre os países que mais contam no mundo, e das quais depende substancialmente a paz e a estabilidade política e socioeconômica, colocou em dificuldade a política externa da Santa Sé. Hoje essa dificuldade é mais tangível e visível. Os órgãos oficiosos de imprensa da Santa Sé - Vatican News e Osservatore Romano - não oferecem a seus leitores nem uma única linha da duríssima declaração de S.B. Shevchuk que escreve: “Defender a nossa pátria é um nosso direito natural e um nosso dever cívico. Somos fortes quando estamos juntos".

 

A reportagem é publicada por Il Sismógrafo, 23-02-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

A assessoria de imprensa na Itália do arcebispo-mor da Igreja greco-católica ucraniana especifica: "Uma mensagem destinada a todo o povo ucraniano e a todas as pessoas de boa vontade, para chamar todos à ‘responsabilidade e ao sagrado dever dos cidadãos’ de defender a pátria: Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, Chefe e Padre da Igreja greco-católica ucraniana, dirige uma mensagem 'aos filhos e filhas do povo ucraniano na Ucrânia e nos assentamentos e a todos pessoas de boa vontade', em um momento dramático para a nação.

 

Sua Beatitude salienta que o reconhecimento pela Federação Russa das autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Luhansk 'representa um sério desafio e ameaça a toda a comunidade internacional e ao direito internacional', e denuncia que foi 'gravemente prejudicada a própria lógica das relações entre os Estados'".

 

A nota acrescenta: "Agora chegou a hora de unir nossos esforços para defender a independência, a integridade territorial e a soberania do estado ucraniano. É dever e responsabilidade de toda a humanidade empenhar-se hoje a prevenir a guerra e a proteger uma paz justa (...) Somos um povo que ama a paz. E é por isso que estamos prontos para defendê-la e lutar fielmente por ela. Sua Beatitude, portanto, reza pela sabedoria dos governantes, para que 'uma paz justa seja restaurada em solo ucraniano', e para os defensores da Ucrânia que 'nestes dias são um exemplo de amor sacrificial e serviço sincero ao nosso povo'".

 

O Papa Francisco, no final da audiência de hoje sobre a crise, disse coisas um pouco diferentes tanto em conteúdo quanto em tom.

 

Aqui estão as reflexões do Santo Padre em seu apelo:

 

"Tenho uma grande dor no coração pelo agravamento da situação na Ucrânia. Apesar dos esforços diplomáticos das últimas semanas, cenários cada vez mais alarmantes estão se abrindo. Como eu, muitas pessoas, em todo o mundo, sentem angústia e preocupação. Mais uma vez, a paz de todos é ameaçada por interesses particulares. Gostaria de apelar àqueles que têm responsabilidades políticas, para que façam um sério exame de consciência diante de Deus, que é o Deus da paz e não da guerra; que é o pai de todos, não apenas de alguns, que quer que sejamos irmãos e não inimigos. Peço a todas as partes envolvidas que se abstenham de qualquer ação que cause ainda mais sofrimento às populações, desestabilizando a convivência entre as nações e desacreditando o direito internacional. E agora gostaria de apelar a todos, crentes e não crentes. Jesus nos ensinou que a insensatez diabólica da violência é respondida com as armas de Deus, com oração e jejum. Convido a todos a fazer do próximo dia 2 de março, quarta-feira de cinzas, um Dia de jejum pela paz. Encorajo de modo especial os crentes a se dedicarem intensamente à oração e ao jejum naquele dia. Que a rainha da paz preserve o mundo da loucura da guerra”.

 

Sobre essas diferenças, as diplomacias do mundo tomarão nota atentamente. Nesses ambientes há tempo se falava, nas “análises situacionais” dos especialistas, de relevantes divergências entre os greco-católicos da Ucrânia e alguns vértices do Vaticano. A este respeito tudo poderá ficar mais claro num futuro próximo, com o desejo de uma resolução pacífica e negociada do conflito.

 

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