Como Putin está explorando as rivalidades ortodoxas na Ucrânia

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24 Fevereiro 2022

 

Presidente russo diz que governo de Kiev está reprimindo a Igreja Ortodoxa Ucraniana, ligada ao Patriarcado de Moscou.

 

A reportagem é de Marguerite de Lasa, publicada por La Croix International, 23-02-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusou o governo da Ucrânia de reprimir a Igreja Ortodoxa Ucraniana, que está ligada ao Patriarcado de Moscou.

Putin acrescentou as tensões religiosas à já explosiva situação política dos dois países na segunda-feira, durante um discurso televisionado, no qual reconheceu a independência dos territórios separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia.

Kiev continua preparando uma repressão contra a Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou”, afirmou.

“As autoridades ucranianas transformaram cinicamente a tragédia da divisão na Igreja em um instrumento de política de Estado”, disse o líder de 69 anos.

Para apoiar sua acusação contra a Ucrânia, Putin está explorando as tensões ortodoxas na Ucrânia, que contrapõem hierarcas e fiéis comuns que desejam permanecer ligados ao Patriarcado de Moscou e aqueles que fazem parte da Igreja autocéfala (independente) ligada ao Patriarcado Ecumênico de Constantinopla.

 

Reconhecimento de uma Igreja independente

 

O Patriarca Ecumênico Bartolomeu I concedeu a autocefalia à Igreja Ortodoxa Ucraniana em 2019, oficializando assim a sua independência da Igreja Ortodoxa Russa.

Até então, os 25 milhões de fiéis ortodoxos ucranianos eram canonicamente dependentes do Patriarcado de Moscou.

“O Patriarca Bartolomeu permitiu, assim, que os ucranianos fossem plenamente ortodoxos e plenamente ucranianos, sem se perguntarem qual é a sua ligação com Moscou”, disse Jean-François Colosimo, teólogo e editor ortodoxo.

Diante da Igreja autocéfala, o Patriarcado de Moscou quer se impor como a principal força da Ortodoxia, apoiando-se em razões simbólicas e materiais.

Moscou não pretende abrir mão de Kiev, que é o local de batismo de todos os russos”, destacou Colosimo.

As primeiras conversões à Ortodoxia do mundo eslavo ocorreram em Kiev no século IX.

“A Ucrânia também contém uma grande parte dos recursos do Patriarcado de Moscou, em termos de geografia, assim como do número de padres e fiéis”, disse o teólogo.

“Está claro que, na situação atual, o Kremlin considera o Patriarcado de Moscou um instrumento diplomático”, observou Colosimo.

Jivko Panev, outro teólogo e jornalista ortodoxo, disse que essas tensões entre as duas Igrejas são sobretudo de natureza eclesial.

“Para a Igreja Ucraniana do Patriarcado de Moscou, o importante é permanecer na canonicidade”, disse Panev, que também é o fundador do site de informações Orthodoxy.com.

 

Ortodoxos fiéis a Moscou, um elemento de desestabilização

 

O governo ucraniano favorece a Igreja autocéfala e “tende a acusar o ramo que permaneceu fiel a Moscou de ser um elemento de desestabilização para a Ucrânia”, disse Colosimo.

Uma pesquisa realizada em julho passado pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev constatou que 58% dos ucranianos ortodoxos dizem pertencer à Igreja autocéfala, enquanto cerca de 25% se identificam com a Igreja ligada ao Patriarcado de Moscou.

Mas essa não é a história toda.

“É possível que existam ortodoxos ucranianos fiéis a Moscou e que ao mesmo tempo se sintam muito patrióticos”, afirmou Colosimo.

É o caso do bispo Victor Kotsaba, de Barychivka, que atualmente é o administrador da Eparquia de Kiev, ligada a Moscou.

“A Igreja Ortodoxa Ucraniana apoia o nosso governo, o nosso presidente e todos os líderes que atualmente têm uma grande responsabilidade”, disse ele no dia 16 de fevereiro.

Ele acrescentou que a sua Igreja afiliada à Rússia estava pronta “no caso de uma guerra total, para abençoar o povo na defesa da sua pátria” na Ucrânia.

 

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