#ninguém. Artigo de Gianfranco Ravasi

Foto: Anton Kotlovskii/Unsplash

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05 Julho 2025

"No entanto, a poeta também tem razão quando, ao se definir como Ninguém, luta contra todos os orgulhosos Alguém que se erguem altivos, reivindicando atenção exclusiva, veneração e poder".

O artigo é de de Gianfranco Ravasi, publicado por Il Sole 24 Ore, 29-06-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Eu sou Ninguém! Quem é você? Você também é – Ninguém? Então somos dois!

Não conte! Eles anunciaram – sabe! Que triste – ser – Alguém! Que público – como um Sapo – dizer o próprio nome – o junho eterno – Para um Pântano admirador!

Algumas semanas atrás, por acaso, eu estava hospedado em um hotel imerso na natureza suntuosa do verão incipiente. A uma certa distância havia um pequeno lago fechado e, portanto, um pouco pantanoso, de cores esverdeadas. Ao cair da noite, começou um coro fino, pontuado por pausas: eram os sapos lançando seus chamados. Um poema me passou pela cabeça, que depois procurei e do qual me lembrava apenas por essa imagem "acústica". Proponho-a agora na íntegra e em sua provocação. É de uma poetisa que amo muito, como sabe quem me acompanha nesta coluna há tempo, a estadunidense oitocentista Emily Dickinson. Eu falava de provocação: como explicar a satisfação de ser um "ninguém", exceto pela astúcia de Ulisses, que usa esse título para se esconder e escapar de Polifemo? Em francês, há um paradoxo porque personne significa "ninguém"! Sabemos, no entanto, quão relevante é a consciência da própria identidade e quão dura é a condenação a que se está condenado quando se cai no anonimato. Terrível era aquele NN que outrora se aplicava àqueles que não tinham pais conhecidos. No entanto, a poetisa também tem razão quando, ao se definir como "Ninguém", luta contra todos os orgulhosos "Alguém" que se erguem altivos, reivindicando atenção exclusiva, veneração e poder. Embora sejam pessoas comuns – "alguém", isto é, um entre muitos –, deixam-se dominar pelo primeiro vício capital, a soberba, abrindo a cauda do pavão, ou – como diz um provérbio oriental – tornando-se semelhantes ao galo, convencidos de que o sol nasce pela manhã para ouvir a sua voz.

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