14 Janeiro 2025
"Para dizer a verdade, o documento da CEI parece se contradizer, e até mesmo as declarações feitas por D. Stefano Manetti, bispo de Fiesole e presidente da Comissão Episcopal para o Clero e a Vida Consagrada, não ajudam a desatar essa ambiguidade", escreve Fabrizio D'Esposito, professor italiano, em artigo publicado por Il Fatto Quotidiano, 13-01-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Na Igreja, sempre é tempo de lobby gay. Depois dos escândalos do primeiro Vatileaks, que desgastaram o pontificado de Ratzinger até a clamorosa renúncia de Bento XVI, agora o consórcio “homossexualista” de batina se teria alinhado contra Francisco. Pelo menos segundo as mídias da rede da direita clerical. Desta vez, no entanto, tudo é às claras, não há nenhum corvo.
Tudo começa com o documento que entrou em vigor em 9 de janeiro (em caráter experimental por três anos) sobre a formação dos sacerdotes, aprovado pela 78ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana, realizada em Assis de 13 a 16 de novembro de 2023. O documento é intitulado A formação dos presbíteros nas Igrejas na Itália. Orientações e normas para os seminários e, no parágrafo 44, introduz algumas novidades sobre o discernimento da orientação sexual dos jovens seminaristas nos primeiros três anos de formação. Daí, para dar um exemplo, a manchete fundamentalista do Verità do último sábado, na primeira página: “O tapa dos bispos no Papa: ‘Gays no seminário’”. A metáfora do tapa se refere à conhecida frase de Bergoglio de sete meses atrás, quando ele convidou os bispos a não admitirem gays no seminário porque “já há muita viadagem”.
Posteriormente, Francisco se desculpou, mas o nó substancial permaneceu. Então, vieram as novas regras da CEI, interpretadas em muitos casos, não apenas pelos clericais de direita (que acusam o lobby gay presente “em numerosas dioceses”), como o sinal verde para os sacerdotes gays e castos. É realmente assim? Para dizer a verdade, o documento da CEI parece se contradizer, e até mesmo as declarações feitas por D. Stefano Manetti, bispo de Fiesole e presidente da Comissão Episcopal para o Clero e a Vida Consagrada, não ajudam a desatar essa ambiguidade.
Também no sábado, de fato, o jornal da CEI, Avvenire, publicou um esclarecimento da Igreja italiana após a “leitura parcial e não contextualizada de alguns órgãos de imprensa” das novas regras. A manchete é eloquente: “Gays e sacerdócio, as normas não mudam. Não poderão ter acesso ao ministério”. E reitera o que já foi estabelecido em 2016 e, antes disso, em 2005: “Em relação a pessoas com tendências homossexuais em vista de sua admissão ao Seminário, ou que descobrem no curso de sua formação tal situação, em coerência com seu Magistério, a Igreja, mesmo respeitando profundamente as pessoas em questão, não pode admitir ao Seminário e às Ordens Sagradas aqueles que praticam a homossexualidade”.
A admissão ao seminário, portanto. A novidade, precisamente, diz respeito ao discernimento sobre a identidade sexual e ao fato de que, em todo caso, “é oportuno não reduzir o discernimento” apenas às “tendências homossexuais” do “candidato”. O fator discriminante é uma escolha livre e responsável da castidade. E é aqui que surgem as suspeitas dos críticos: então um homossexual casto pode ser padre. Resposta do bispo Manetti: “Não é uma leitura correta”. Então, qual é o sentido de admitir gays e não reduzir o discernimento às tendências homossexuais? É um curto-circuito lógico.
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