O Inferno na Terra Santa. Artigo de Jacques Mourad

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17 Novembro 2023

"Justificar os bombardeios e os canhoneamentos em Gaza como instrumento para erradicar o mal faz parte deste Inferno que invade o espaço de nossas terras. Porque o mal não é erradicado com o mal", escreve Jacques Mourad, arcebispo de Homs, na Síria, em artigo publicado por Agência Fides, 15-11-2023. 

Eis o artigo.

Se quiserem ver o Inferno, devem vir ao Líbano, à Síria e hoje especialmente à Terra Santa. O espírito diabólico neste tempo empurra o mundo para o Inferno. Quer transformar o mundo em um Inferno. E nós realmente estamos vivendo no inferno.

As mortes atrozes de milhares de inocentes em poucos dias. Os bombardeios em locais de cuidado e sofrimento, que deveriam ser os últimos redutos de humanidade. Reféns arrancados violentamente de suas casas. Organizações humanitárias atingidas enquanto operam tentando trazer ajuda a corpos e almas dilacerados pela guerra. As instituições internacionais só podem mostrar sua impotência, pois nenhuma decisão parece estar realmente em suas mãos. Mesmo na Síria, quando viajo pela minha diocese, vejo todos os dias idosos e crianças, homens e mulheres procurando algo para comer no lixo. Quando o frio começar, nenhum deles terá meios e recursos para aquecer suas casas. Este é o mundo transformado em Inferno.

Se nossa terra se torna Inferno, é porque em nossa terra poderes insaciáveis perseguem interesses insaciáveis. O Papa Francisco disse isso de maneira tranquila e ao mesmo tempo determinada, ao repetir que ambos os povos têm o direito de ter um Estado. Não é humano que palestinos matem israelenses nos kibbutz. E não é humano que os israelenses bombardeiem igrejas e hospitais. Ficamos chocados ao ver as bombas caírem nos hospitais de Homs e Aleppo. Agora tudo isso se repete em Gaza. Justificar os bombardeios e os canhoneamentos em Gaza como instrumento para erradicar o mal faz parte deste Inferno que invade o espaço de nossas terras. Porque o mal não é erradicado com o mal.

Quem quer remover o mal que destrói corpos e almas deve primeiro remover o mal dos corações. Somente um coração puro pode purificar outros corações. E a purificação dos corações sempre acontece após a justiça. Não antes da justiça. Não contra a justiça. Não com a força. Os palestinos têm o direito de viver em liberdade em sua terra. Essa terra também é deles. Desde 1948, eles vivem como refugiados em campos espalhados por todo o Oriente Médio, e agora o mesmo acontece para milhões de sírios.

Os palestinos sofrem há décadas, com uma dor que é transmitida de geração em geração, sem respostas e sem escuta de ninguém. O Papa Francisco, ao enfatizar a necessidade de dois Estados para dois povos, sugere a chave para tentar resolver todas as questões em aberto e os conflitos no Oriente Médio, não apenas o problema israelo-palestino.

Os palestinos sofrem há décadas sem respostas e sem escuta de nenhum lugar. Vítimas de violência que vem de diferentes lados. Não apenas dos militares israelenses, mas também de outros países, incluindo países árabes.

Aqueles que buscam o projeto de reconstituir antigos reinos no espaço histórico entre o Eufrates e o Nilo, que dizem que é preciso varrer outros povos da terra que vai do rio ao mar, visam excluir para sempre do horizonte do futuro e da história a possibilidade de um Estado da Palestina e a própria ideia de ver dois povos convivendo em dois Estados. Se o mundo tolera e justifica isso, confirma a injustiça e tira a esperança.

A pergunta a ser feita hoje é: os poderes do mundo querem continuar nessa direção? A resposta a essa pergunta diz respeito ao futuro desta terra e de toda a Terra.

A resposta tem a ver não apenas com as guerras de hoje, mas com a possível calamidade de semear as sementes de guerras que explodirão daqui a dez, vinte ou cinquenta anos. Não somos responsáveis apenas pelo que acontece hoje nas áreas de guerra: seremos responsáveis por todo o futuro da terra, com todas as consequências da guerra em termos de fluxos migratórios, criação de novos campos de refugiados e esgotamento de recursos vitais como a água. Também por isso, sou impactado pela viagem do Papa Francisco a Dubai para participar da COP 28: isso mostra a preocupação da Igreja com a emergência climática e ambiental. E por tudo o que afeta a vida e o bem dos povos e do mundo.

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