Não dá para ficar neutro nesse choque de barbáries em Israel, diz professor

Imagem: Reprodução | Save the Children

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24 Outubro 2023

"A comunidade internacional é culpada por deixar a situação deteriorar-se, começando pelos Estados Unidos, que têm maior influência sobre Israel, seguidos pela Europa", declarou o professor Gilbert Achcar, da Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, em entrevista para Anne-Sylvie Sprenger, publicada no portal Protest Info, da Igreja Reformada da França.

A reportagem é de Edelberto Behs.

Achcar aponta o paradoxo da situação: o Estado de Israel foi criado “manu militari em 1948”, com o propósito, entre outros, de oferecer um refúgio e segurança aos judeus. “Mas existe algum lugar no mundo onde os judeus estejam menos seguros hoje do que em Israel? É um terrível fracasso histórico”, avalia.

O que o Hamas fez “é bárbaro”. Mas, afirma, “o que Israel faz constantemente ao bombardear hospitais, edifícios, concentrações civis, também é barbárie”. Desde 1967, lembra, a Cisjordânia e Gaza estão sob ocupação. “E Israel continua a violar o direito internacional e a construir colonatos na Cisjordânia. É uma dinâmica infernal”.

O professor londrino define o ataque do Hamas como “uma loucura”, levando em conta que ele inflamou os ânimos. “Obviamente, condeno qualquer ato de barbárie. Mas se somarmos, ao longo dos anos, houve muito mais vítimas palestinas do que israelenses”, o que leva o mundo muçulmano a ver os palestinos como “as vítimas fundamentais”.

Fora do mundo ocidental “não vemos os israelenses – não estou a falar dos judeus em geral, mas dos israelenses – como vítimas, mas como colonos, protagonistas do colonialismo”, que ocupam áreas de palestinos na Cisjordânia.

Netahyahu, lembra Achcar, foi contra a retirada de Gaza em 2005, e se demitiu do governo por esta razão. Hoje, ele lidera uma nova ocupação de Gaza. “Este é claramente o seu plano, mas desta vez com um deslocamento maciço e forçado da população, que ele deseja transferir através da fronteira para o Sinai egípcio”.

Neste choque de barbáries, “não podemos ser neutros”, enfatiza.

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