O Papa abre Sínodo e fica comovido. ‘Os profetas da desgraça não conseguirão nos sufocar’

Papa Francisco com os jovens durante o ofertório da missa de abertura do Sínodo dos Bispos 2018 | Foto: Vatican News

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04 Outubro 2018

Na Praça de São Pedro não tão lotada, o Papa Francisco abriu o Sínodo dedicado aos jovens. Durante a homilia, enquanto anunciava a presença na praça dos dois bispos chineses (que pela primeira vez foram autorizados a viajar para Roma, graças ao acordo alcançado com o governo comunista de Pequim), ficou comovido. Sua voz parecia quase falhar. O Papa parou por alguns instantes a leitura das duas folhas que estavam em suas mãos. A presença daqueles dois bispos marca um passo tão importante como fonte de divisão: não todos, de fato, na Igreja veem positivamente o acordo diplomático assinado na semana passada, considerando-o talvez um risco para as comunidades católicas ainda perseguidas.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada por Il Messaggero, 03-10-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Papa Francisco pediu para os padres sinodais (mais de duas centenas vindos de todo o mundo) para ter a coragem de ouvir as vozes dos jovens, suas expectativas, seus sonhos e olhar para o futuro, indo além dos limites ditados pelo "sempre se fez assim". "Que o Espírito nos dá a graça" de "ser memória operosa, viva e eficaz, que de geração em geração não se deixa sufocar e esmagar pelos profetas de calamidades e desgraças, nem pelos nossos limites, erros e pecados, mas é capaz de encontrar espaços para inflamar o coração e discernir os caminhos do Espírito". O Papa na homilia da missa também pareceu fazer uma referência indireta àquela parte da Igreja que entrava as reformas. Depois foi rezado em chinês, espanhol, árabe e depois pelos governantes para que protejam as vidas de todas as pessoas.

"Começamos um novo encontro eclesial capaz de ampliar horizontes, dilatar o coração e transformar as estruturas que hoje nos paralisam, separam e afastam dos jovens, deixando-os expostos às intempéries e órfãos duma comunidade de fé que os apoie, dum horizonte de sentido e de vida" acrescentou, pedindo para romper com o conformismo ditado pelo "sempre se fez assim" e “que nos ergamos para fixar olhos nos olhos o rosto dos jovens e ver as situações em que se encontram. A mesma esperança pede que trabalhemos por derrubar as situações de precariedade, exclusão e violência, a que está exposta a nossa juventude". Um apelo à tentação de cair em posições moralistas ou elitistas, bem como da atração por ideologias abstratas que nunca correspondem à realidade do nosso povo.

Aos jovens quase gritou para que tenham coragem de ir em frente, "Lutem contra todo o egoísmo. Recusem dar livre curso aos instintos da violência e do ódio, que geram as guerras e o seu cortejo de misérias. Sejam generosos, puros, respeitadores, sinceros. E construam com entusiasmo um mundo melhor que o dos vossos antepassados". Para os jovens releu um trecho do Concílio e as palavras do poeta Hölderlin: "O homem mantenha o que, em criança, prometeu".

As lágrimas do Papa pelo primeiro encontro com bispos chineses:

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