Assassino de Ellacuría libertado por motivos médicos

UNESCO - MOWLAC, 2020 / Documentary Heritage of Latin America and the Caribbean. Memory of the World Regional Register, 2000-2018

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18 Agosto 2026

O Tribunal Nacional concede liberdade condicional a Inocente Orlando Montano, condenado a 133 anos e três meses de prisão pelo assassinato de cinco jesuítas (e duas mulheres) em 1989 em El Salvador.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 17-08-2026.

A Audiência Nacional (AN) da Espanha decidiu conceder a liberdade condicional por razões médicas a Inocente Orlando Montano Morales, ex-coronel e ex-vice-ministro de Segurança Pública de El Salvador, que foi condenado a 133 anos e três meses de prisão pelo assassinato do ideólogo da Teologia da Libertação, Ignacio Ellacuría, e de outros quatro jesuítas espanhóis em 1989, em El Salvador.

Em uma decisão avançada pelo El Confidencial e à qual a Europa Press teve acesso, o magistrado da 1ª Vara da Seção de Vigilância Penitenciária, José Luis Castro, concede a liberdade condicional a Montano, que cumpria a pena no centro penitenciário Madrid VII de Estremera, com a condição de que "continue o tratamento no centro de saúde correspondente ao seu domicílio".

Foi a própria prisão que, em março deste ano, propôs a concessão da liberdade condicional a Montano, que em 2020 foi condenado por cinco crimes de assassinato, com limite de cumprimento de 30 anos de privação de liberdade.

Na decisão, o magistrado alega que Montano, de 84 anos de idade, apresenta "um declínio cognitivo elevado, com presença de delírios que afetam a capacidade de se adaptar ao centro", o que "lhe gera uma enorme vulnerabilidade, com alto grau de dependência para as atividades cotidianas da vida diária".

"Da perspectiva médico-jurídica, atendendo ao estado de saúde, a doença irreversível que apresenta, com constantes idas ao hospital, torna necessário conceder a liberdade condicional em razão da existência de uma doença muito grave e incurável, à qual se soma uma idade avançada", argumenta.

Castro alude a "numerosas resoluções" judiciais para argumentar que, nesses casos, a soltura "responde a princípios de humanidade e dignidade das pessoas como direito inviolável".

Da mesma forma, considera que "o doente grave e incurável não deve ser equiparado a um estado pré-agônico". "O importante é constatar que o meio penitenciário não é o adequado para o acompanhamento e o controle da doença", resume.

Em 2020, a Audiência Nacional condenou Montano como autor de cinco crimes de assassinato de caráter terrorista e lhe atribuiu os assassinatos de outro jesuíta salvadorenho, da cozinheira de uma universidade e de sua filha de 15 anos, embora não tenha sido possível condená-lo por esses fatos por ele não ter sido extraditado pelos Estados Unidos por esses crimes.

Na sentença, os magistrados assinalaram que os oito assassinatos "foram urdidos, planejados, acordados e ordenados pelos membros do alto comando das Forças Armadas, órgão ao qual pertencia Inocente Orlando como vice-ministro da Segurança Pública", que participou da decisão pela qual se "transmitiu a ordem de realizar as execuções ao coronel diretor da Escola Militar", Guillermo Benavides, um comandante intermediário que é o único condenado em El Salvador.

O tribunal estabeleceu um máximo de 30 anos de cumprimento efetivo da pena, período do qual seria descontado o tempo em que ele esteve em prisão provisória, desde 2017.

No entanto, a Câmara foi além ao considerar comprovado que do massacre participou um grupo violento e estável composto pelo então presidente da República, Alfredo Cristiani; membros da Tandona, a turma de oficiais que ocupava as mais altas estruturas de poder em El Salvador, bem como outros altos cargos.

Todos eles usaram a violência e cometeram graves crimes, que causaram alarme e alteraram gravemente a paz e a convivência cidadã "com o objetivo de perpetuar suas posições privilegiadas".

Os membros da Tandona "cometeram os assassinatos depois de tentar fazer a opinião pública acreditar que tanto Ignacio Ellacuría quanto os demais sacerdotes pertenciam à liderança intelectual da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional, gerando a falsa afirmação da existência de um inimigo infiltrado nas estruturas da sociedade, que agiam como agentes de uma confabulação socialista-comunista", de acordo com a sentença.

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