19 Mai 2026
A transição para a hegemonia agrofinanceira e a captura do orçamento pelo Centrão exigem que as forças democráticas abandonem o recuo tático e retomem a mobilização popular.
O artigo é de Jaldes Meneses, professor titular do Departamento de História da UFPB, publicado por A Terra é Redonda, 17-05-2026.
Eis o artigo.
A frente ampla, os dois blocos de conjuntura e a necessidade de uma ofensiva imediata
No Brasil de hoje, existem motivos de sobra para a construção de uma frente amplíssima pela eleição de Lula – o único candidato democrático viável que representa o campo progressista brasileiro. Isso porque o infortúnio da vitória da extrema direita significaria, mais do que uma simples vitória eleitoral, o passo decisivo para uma mudança do regime político brasileiro. Não se pode negar transparência ao programa de governo de Flávio Bolsonaro. Os bolsonaristas não escondem de ninguém. O programa contém apenas três pontos – subir a rampa do Palácio do Planalto abraçado com o pai, submeter o Judiciário (já o jogo parlamentar do Legislativo, como vimos no Bolsonaro I, tem sido sempre de adaptação e submissão) e entregar as terras raras e demais riquezas para os Estados Unidos. Simples (e complexo) assim. Está se vendo que este “Trump II” é muito mais radical que o primeiro. Imaginem o Bolsonarinho I, herdeiro do pai. Este é o impasse brasileiro e, por isso, a frente ampla continua decisiva.
Para compreender a profundidade do momento, porém, é preciso ir além das análises superficiais que ainda dominam o debate público. É uma quimera falar em cinco governos do PT como se fossem uma sequência de continuidade ininterrupta. Troquemos a lógica formal da cronologia pela dialética dos acontecimentos. Houve uma ruptura fundamental com a deposição de Dilma Rousseff, de modo que temos, por assim dizer, dois blocos de conjuntura distintos. O primeiro bloco compreende os dois primeiros governos Lula e o primeiro governo Dilma – um período marcado pela hegemonia da burguesia industrial e do mercado financeiro e bancário tradicional, ainda sob os ecos da estabilização monetária e da inserção externa virtuosa.
O segundo mandato de Dilma, muito curto e já sob forte tensão política, foi menos um bloco coeso do que uma transição conturbada. Ali houve uma ruptura ainda menosprezada em muitas análises. Parafraseando Juan Linz (cujas análises sobre a “democracia” e o “autoritarismo” foram aproveitadas em páginas, a seu modo, hoje clássicas, de Fernando Henrique Cardoso), no episódio do impeachment de Dilma houve uma “quebra de confiança” e “deslealdade” nos parceiros fiadores da ordem liberal-democrática (PSDB e PT, especialmente), destruindo a confiança no sistema político [1]. O PSDB retirou-se do campo de fiadores e com isso praticamente desapareceu. Restou o PT. O que chamamos de “Lula três” – o atual governo – abre, assim, um terceiro bloco, radicalmente distinto dos anteriores. No fundo da questão, é a isto que remete a questão da frente ampla.
Desde o impeachment de Dilma (2016), abriu-se no Brasil uma grave crise institucional e política que nunca foi resolvida. Essa crise não é apenas conjuntural, mas estrutural. Antes, a hegemonia no bloco de poder das classes dominantes era compartilhada entre a burguesia industrial e o mercado financeiro tradicional. Hoje, essa hegemonia – embora o processo ainda não esteja completo – é agrofinanceira, com supremacia do rentismo e do financismo das fintechs. É por essas novas brechas financeiras que entram a grana ilegal do centrão e a acumulação primitiva do crime organizado, num imbricamento cada vez mais difícil de desfazer. O centrão, nesse contexto, não é mero fiador da governabilidade: ele está adequando a superestrutura à estrutura, refundando o Estado por baixo, na ponta do orçamento e das emendas. É plenamente possível vencer a eleição, mas é preciso entender o jogo que está sendo jogado – e ele não é o mesmo de 2002, 2006 ou mesmo 2014.
Contrariando os mitos ainda vigentes na mídia brasileira, que formata o senso comum de muita gente intelectualizada, a extrema direita começa a ficar na defensiva no plano internacional. Trump está em queda livre, com apenas 34% de apoio; Milei oscila pelas tabelas, sem conseguir consolidar o choque que prometera; Orbán retorna desmoralizado para casa após sucessivos reveses na União Europeia; e o candidato de Gustavo Petro, Juan Fernando Cepeda, na Colômbia, mantém folgada vantagem nas pesquisas. Onde foi parar o mito de que a extrema direita cresce inexoravelmente no mundo? Ao contrário, há sinais claros de esgotamento. Outro mito recorrente é que a “geração Z” – nomenclatura que não é neutra – teria aderido em massa à extrema direita. Falso como uma nota de dois reais, basta ver as recentes manifestações estudantis da USP. A juventude quer rumos, decisão e coragem. Aprecia teoria e formação. Detesta paternalismos e discursos prontos. O que falta não é capturar a juventude com slogans, mas oferecer a ela um projeto de futuro digno desse nome.
No Brasil, o governo precisa agir rápido e forte. Existe boa perspectiva, o que antes não havia, nas chapas estaduais em São Paulo e no Rio Grande do Sul – dois estados estratégicos para qualquer projeto nacional. O Nordeste continua bem posicionado eleitoralmente, mantendo-se como o principal colchão de votos do campo progressista. O lulismo, ou seja, a relação simbólica e material com os mais pobres, se sofreu algum abalo nos últimos meses, continua firme e de pé. Mas falta agir rapidamente em duas frentes. A primeira é econômico-social: tomar medidas concretas contra a carestia e o endividamento das famílias. A segunda é político-estratégica: retomar sem covardia a questão nacional e a crítica ao imperialismo dos Estados Unidos, em vez de refugiar-se numa neutralidade que só beneficia a direita.
Mais do que isso, porém, é necessário criar um movimento de sociedade civil – e as universidades são peças centrais nessa empreitada – que erga as pautas da disputa política do século XXI: criação de big techs nacionais, soberania sobre terras raras e minerais críticos, reindustrialização em novas bases, inteligência artificial voltada ao interesse público e uma reforma profunda da política, que inclua as relações entre os Três Poderes, o pacto federativo e a organização administrativa do Estado. Um movimento dessa dimensão não se cria instantaneamente, mas é preciso começar agora.
O papel de Lula é fundamental nesse processo. Não se trata de culto à personalidade, mas de reconhecer que sua liderança ainda é o único ativo capaz de agregar as forças necessárias para uma virada de mesa. Os interesses da maioria do Senado e do Congresso, contudo, apontam noutra direção: eles gravitam em torno das emendas, do Banco Master – ou melhor, do novo rentismo e financismo brasileiro – e das bets, configurando a constelação daquilo que alguns analistas têm chamado de “parlamentarismo orçamentário brasileiro”. Nesse aspecto, o papel de Flávio Bolsonaro se assemelha ao de Michel Temer na crise da deposição de Dilma: vender proteção política em troca de espaços de poder e benesses. As recentes revelações da reportagem do The Intercept, bombasticamente vindas à luz na tarde de 14/05/2026, ao exporem as relações de “irmandade” entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, escancaram essa dinâmica e oferecem aos progressistas uma oportunidade política que não pode ser desperdiçada.
Não podemos ficar parados. É hora de ativarmos, especialmente após essas revelações, uma estratégia mais ofensiva de mobilização da sociedade – nas ruas e nas redes – visando o crescimento dos movimentos de massas, para desaguar em grandes manifestações sociais de protesto superiores àquelas da PEC da Blindagem, ocorridas no ano passado. Estamos em pré-campanha. Não podemos esperar o tempo oficial de campanha eleitoral para retomar a ofensiva. O ritmo da disputa é ditado pelos fatos, não pelo calendário do Tribunal Superior Eleitoral. A cada dia que a esquerda permanece reativa, o campo adversário consolida sua narrativa e aprofunda a sensação de impunidade e captura do Estado. A hora de agir é agora. Desde o impeachment de Dilma, a conjuntura – mesmo na eleição de Lula em 2022 – sempre foi defensiva. Pela primeira vez, abre-se uma oportunidade de passarmos à ofensiva, que pode tanto ser exitosa ou mais uma oportunidade perdida.
Deixem-me abrir um parêntese. Ainda estamos sob os auspícios do bem-sucedido encontro de Lula com Trump em Washington. Poucos dias depois, também houve a simultânea reunião lambe-botas do Grupo Esfera na mesma cidade. Gostaria de fazer uma provocação ousada. Uma das possibilidades da nova doutrina Monroe trumpista – o que se poderia chamar de seu corolário – são novos acordos neocoloniais clássicos. Mas também é preciso considerar, para debate, a hipótese de acordos de divisão de esferas subimperialistas no século XXI e no pós-guerra imediato – e não apenas a passagem de semicolônia a protetorado – que vedariam a crescente influência chinesa no hemisfério e, in particular, no Brasil. Esse subimperialismo do século XXI – bem diferente daquele da época da ditadura civil-militar, quando Geisel tentou a “Marcha Forçada” do II PND – basear-se-ia agora numa economia das terras raras associada ao complexo militar-industrial e à indústria de tecnologia do Vale do Silício, combinada ao capitalismo rentista agrofinanceiro que já vigora internamente. Fica a provocação, que exige debate aprofundado.
No plano doméstico da disputa eleitoral e narrativa, formou-se no Brasil um bloco que enlaça em condomínio o antigo mercado financeiro – hoje mais um mercado de administração de rendas do que de produção – e a mídia tradicional subrentista. Este é o novo capitalismo político brasileiro. Ontem, ele entrou em polvorosa: dólar subiu, bolsa caiu. Lembro-me da leitura de As lutas de classes na França de 1848 a 1850, genial clássico de Karl Marx: “o crédito público e o crédito privado são o termômetro econômico pelo qual se pode medir a intensidade de uma revolução” [2]. O regime da “Monarquia de Julho de 1830”, que caiu em 1848, era um regime sob a hegemonia da fração financeira: sempre que a massa popular de Paris vencia, a bolsa derretia; quando o partido da ordem avançava, os lucros se refastelavam. A senha foi dada pelo CEO da AtlasIntel, Andrei Roman: a única maneira de tentar reequilibrar o cenário das eleições presidenciais seria um “fato novo” de igual tamanho “contra o PT”. Mas, a preço de hoje, nas condições de temperatura política atuais, a candidatura do filho de Bolsonaro – o pai insiste em gás queimado – é caso perdido.
O dia de ontem (escrevo no dia da reportagem do The Intercept) começou com a divulgação da pesquisa Quaest, que sinalizava uma recuperação de Lula. Os dados, contudo, morreram à tarde com a bomba atômica revelada pela reportagem. Até então, o condomínio Quaest-Globo vinha mantendo o controle da narrativa presidencial sob a capa ilusória da “cientificidade”. Quem presta atenção, porém, sabe que o viés de uma pesquisa – e as da Quaest são minuciosamente detalhadas – está nas perguntas. Nos questionários da Quaest, quando se chega ao caso do Banco Master, as perguntas são formuladas com o objetivo de confirmar e revestir de veracidade o conteúdo do discurso anterior da própria mídia: o de que o “escândalo Master” envolve todo o sistema político, incluindo o Centrão, a direita e a esquerda. O objetivo óbvio é incluir a esquerda no mesmo saco da corrupção generalizada. O objetivo mais profundo, porém, é esconder as transformações estruturais do capitalismo financeiro brasileiro, encarnadas na maquiagem técnica de Campos Neto do Banco Central e dos grupos de mídia – como os convescotes em Nova York promovidos pelo Valor Econômico e pela Globo.
O outro ardil desse mesmo dispositivo manipulatório é a tese da “polarização simétrica” e da “calcificação” das posições eleitorais, uma readaptação (mais uma “ideia fora do lugar”?) que Felipe Nunes (CEO da Quaest) e Thomas Traumann (comentarista da Globo e ex-secretário de imprensa de Dilma) fizeram de cientistas políticos norte-americanos, entre direita e esquerda [3]. Esta é a tese falsa: não existe polarização simétrica entre direita fascista e esquerda democrática no país. A tese é falsa como uma nota de três reais, pela razão elementar de que a esquerda não pretende derrubar o estado de direito nem rasgar a Constituição. A polarização simétrica, artificialmente construída, abre alas para indagar a existência de um “medo” da vitória de qualquer um dos dois prováveis candidatos. Desse mesmo racício do medo surge, como se fosse um anseio espontâneo do eleitorado, uma pergunta inteiramente artificial sobre a “moderação” dos candidatos – cujo único objetivo é envenenar a direção política da campanha e forçar o campo progressista a um recuo ainda maior na tática defensiva [4].
A coluna da jornalista Malu Gaspar, publicada na manhã de hoje, manda um recado cifrado, mas que também expressa um desejo talvez não totalmente racionalizado, mas claro para quem sabe ler: “Um experiente observador de Brasília definiu bem a situação ao dizer que Vorcaro comprou todo mundo que estava à venda. Tinha ‘irmãos’ e ‘amigos de vida’ em todo o espectro ideológico e em todos os níveis hierárquicos que importam nos Três Poderes. A investigação entrou no mundo político pela direita e pelo Centrão, mas há denúncias para todos os gostos, e tudo o que puder ser explorado politicamente será.” [5] Além de invocar o sempre anônimo “experiente observador” – recurso clássico de legitimação jornalística –, a coluna acaba comparando o futuro da eleição a um filme de Quentin Tarantino: todo mundo mata todo mundo na grande carnificina, e o sobrevivente não é o herói, mas o bandido da história. Citar Tarantino pode ser um recurso retórico de alto risco: efetua-se a travessia da linguagem para a metalinguagem, da realidade sanguinária da luta social à “invenção” estetizada do artista.
A colunista não lembra, mas recentemente o caso do secretário de Trump – Pete Hegseth, indicado para Secretário de Defesa – foi ridicularizado após recitar, em abril de 2026, o famoso trecho bíblico falso do filme Pulp Fiction como se fosse uma oração real durante um culto no Pentágono. Tarantino não é drama nem épico; é farsa e estetização da violência. Continuando no território das metáforas cinematográficas, talvez seja mais veraz (ao molde do realismo estético lukacsiano de György Lukács?) mencionar Os Bons Companheiros de Martin Scorsese. Walter Benjamin matou a charada de Tarantino a exatos 91 anos: quando a política é estetizada, a única resposta crítica é politizar a estética.
A geoeconomia das terras raras, o nacionalismo possível e o nacionalismo emergente
Por fim, e não menos importante, a geoeconomia das terras raras. A proposta da Terrabras – uma empresa nacional nos moldes da antiga Petrobras – é, sem dúvida, derivada do arsenal do desenvolvimentismo nacional que deu origem à petrolífera estatal. Pode e deve ser reatualizada neste século XXI. Contudo, sua criação exige do governo uma iniciativa imediata, enquanto para o grande público a questão ainda é inteiramente nova e não amadurecida. Sem isso, corre o risco de permanecer um discurso que visa marcar posição dentro da esquerda – uma espécie de hedge discursivo esvaziado para acusar o governo Lula de “entreguismo”. A própria China, por meio do Global Times, elogiou o encaminhamento brasileiro – Xi Jinping andou formulando o ideograma, no recente encontro de cúpula com Trump em Pequim, a orientação de uma relação de “estabilidade estratégica construtiva” para evitar a “armadilha do Peloponeso” –, o que indica que o tema é estratégico. O controle do solo e a exigência de uma cadeia produtiva interna de valor dos minerais críticos são elementos estruturantes de uma posição soberana. Essas condições estão previstas pelo acordo em curso no Congresso, mas não são suficientes.
O encaminhamento de uma empresa nacional monopolista exige um consenso nacional que não está presente na conjuntura. O próprio Getúlio Vargas, na lei de criação da Petrobras, precisou ser antecedido por um empate político proporcional a um vigoroso movimento popular nacionalista de longo prazo – algo hoje inexistente. O movimento foi tão vitorioso que a lei do monopólio estatal do petróleo foi proposta, vejam só, pela UDN, o partido de oposição feroz ao trabalhismo e que abrigava o núcleo duro dos “entreguistas” à época. A atual corrida global por minerais críticos – lítio, nióbio, terras raras, cobalto – recoloca o debate sobre o papel do Estado na exploração de recursos estratégicos. A China não apenas elogia o Brasil, mas já construiu uma cadeia verticalizada que domina o refino e a produção de baterias, tendo sido a principal ameaça de barganha no contexto do tarifaço de Trump. Mas o caso chinês é especial em termos geopolíticos e geoeconômicos: nos anos 1970, beneficiou-se de uma relação vantajosa com os Estados Unidos para isolar a URSS; nos anos 1990, após a Praça da Paz Celestial, a China se protegeu da descoberta do neoliberalismo, operando e formulando uma economia política original e eclética.
No cenário das relações de força brasileiras, propostas como a Terrabras enfrentam dois obstáculos concretos. Primeiro, a falta de coesão política interna. Segundo, a ausência de uma burguesia interna – ainda mais a sua fração agrofinanceira recém-predominante – disposta a subordinar seus excedentes a um projeto de autonomia nacional. Além disso, o ambiente ideológico atual é fragmentado. Enquanto nos anos 1950 o nacionalismo econômico mobilizava sindicatos, militares, intelectuais e setores industriais, hoje o debate público balança entre a inserção subordinada às cadeias globais e um desenvolvimentismo verde de baixa densidade, muitas vezes diversionista. Sem uma pressão social organizada de longo prazo, a Terrabras corre o risco de permanecer como bandeira retórica – útil para demarcar posição à esquerda do petismo, mas insuficiente para alterar a correlação de forças.
Uma empresa monopolista nos moldes da antiga Petrobras exigiria não apenas vontade política do Executivo, mas reformas legais profundas – como a revisão do marco regulatório da mineração – e investimentos estatais vultosos em P&D. A criação de um fundo público de pesquisa em minerais críticos, ainda que bem-vinda, é apenas um primeiro passo. Que prospere e seja antesala de outros passos. As universidades, por exemplo, abrigam grupos de pesquisa isolados, mas a instituição como um todo parece desnorteada – incapaz de assumir coletivamente o encargo de ajudar a construir, com a força de seu aparato institucional-científico, em ritmo de campanha e adesão social, um novo bloco histórico nacionalista. Nenhuma dessas condições está madura. Assim, a crítica ao “entreguismo” do governo Lula resvala na demagogia: não se traduz em força concreta para alternativas, mas em pensamento mágico.
A lição de Vargas permanece atual, ainda que suas condições de aplicação sejam hoje radicalmente distintas: o nacionalismo vitorioso nunca brotou de decretos ou discursos de ocasião, mas de um movimento de ruas mobilizado, organizado e persistente – exatamente o que falta agora. Sem isso, a onda levará não apenas o camarão, como canta o grande Zeca Pagodinho, mas qualquer possibilidade de construção de um projeto democrático e soberano para o Brasil do século XXI..
Notas
[1] LINZ, Juan J.; STEPAN, Alfred (Eds.). The Breakdown of Democratic Regimes. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1978.
[2] MARX, Karl. As lutas de classes na França de 1848 a 1850. In: MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Obras Escolhidas. Vol. 1. São Paulo: Alfa-Omega, s.d.
[3] NUNES, Felipe; TRAUMANN, Thomas. Biografia do abismo. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2023.
[4] SIDES, John; TAUSANOVITCH, Chris; VAVRECK, Lynn. The Bitter End: The 2020 Presidential Campaign and the Challenge to American Democracy. Princeton: Princeton University Press, 2023.
[5] GASPAR, Malu. Master: Diálogos entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro são prenúncio de carnificina eleitoral. O Globo, 13 maio 2026. Disponível neste link.
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