06 Dezembro 2012
Graça Foster, presidente da Petrobras, continuará à frente da estatal ao longo de todo o governo Dilma Rousseff, informou ontem o porta-voz da presidente, Thomas Traumann, ao desmentir informação, publicada na coluna política da quarta-feira, sobre a possível migração de Graça Foster para comandar o Ministério das Minas e Energia e tentar superar os sucessivos problemas de gestão do setor elétrico registrados nos últimos anos.
Na mensagem, assinada pelo porta-voz, Dilma "lamenta e repudia" a especulação sobre mudanças no comando da estatal. "Graça tem realizado um trabalho excepcional na Petrobras", diz a nota.
A reportagem é de Rosângela Bittar e publicada pelo jornal Valor, 06-12-2012.
Mas foi exatamente por essa eficiência e pela afinidade com a presidente que Graça Foster foi considerada, naquelas informações publicadas ontem sobre a reforma ministerial que vem sendo engendrada por Dilma, a pessoa ideal para vencer o enorme desafio em que o setor elétrico e o modelo de energia estão representando para o governo Dilma.
Essa reforma ministerial, segundo informações do governo, não vai necessariamente atingir a área de energia, que a presidente não considera em colapso. Será pontual e pouco abrangente, e há uma previsão de que o perfil do governo não vai ficar, no fim das mudanças, muito diferente do que é hoje.
Uma mudança admitida é a destinação de um cargo a nível ministerial ao PSD, o partido de Gilberto Kassab, que entra para a aliança de apoio ao governo do PT depois de adquirir autonomia e expandir-se, consolidando-se nas últimas eleições municipais.
Kassab não vai ser o ministro, é um aspecto da questão já resolvido. O prefeito de SP vai mudar-se para Brasília no início da Legislatura de 2013 e pretende somente conduzir a legenda.
Não há veto ao nome de Afif Domingos, o candidato número um para representar o PSD no desejo de Kassab. Apenas se considera muitos difícil ele abdicar do mandato de vice-governador de São Paulo para integrar o Ministério Dilma, mas, se quiser, será considerado. Por enquanto o nome mais forte é de São Paulo e muito ligado ao Afif.
A presidente, contudo, tem evitado conversar sobre a reforma ministerial e também não vem recebendo pressão dos partidos, segundo informações do governo. É uma virada de ano muito diferente da virada do ano passado, quando a troca de ministros, ocorrida ao longo de todo o segundo semestre, esquentou as especulações sobre a recomposição do governo.