Argentina. Nenhum acordo e nenhum pronunciamento dos bispos sobre o segundo turno das eleições

Javier Milei. (Foto: Reprodução | ANRed)

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14 Novembro 2023

Os bispos católicos reuniram-se durante uma semana em Pilar e encerraram as suas deliberações apelando a um "dia de oração pela Pátria". Eles não concordaram com nenhuma declaração específica sobre as eleições e deixaram sem resposta um pedido nesse sentido dos fiéis católicos. Os padres ratificaram o convite a Francisco para visitar o país.

A reportagem é de Washington Uranga, publicada por Página 12, 11-11-2023.

Os bispos católicos, reunidos desde a última segunda-feira em Pilar, encerraram suas deliberações nesta sexta-feira sem qualquer pronunciamento coletivo em relação ao segundo turno das eleições, a ser realizado em 19 de novembro. Os membros da hierarquia eclesiástica viajaram na quinta-feira ao Santuário de Nossa Senhora de Luján para, como disseram, "levar à Virgem a profunda oração pela Pátria e pelo povo argentino". Na ocasião, o arcebispo de Córdoba, Ángel Rossi, recentemente criado cardeal pelo Papa Francisco, disse que "Luján é um lar materno e, portanto, é um ponto de referência seguro onde sempre se retorna, ou quando há coisas bonitas para celebrar, ou para agradecer, ou como nestes tempos certamente críticos, em que nos sentimos cansados e sobrecarregados para buscar abrigo e consolo, buscar alívio e força nos braços da Mãe". Os bispos também agradeceram ao Papa pelo anúncio da beatificação do cardeal argentino Eduardo Pironio (1920-1998).

De Luján, dom Oscar Ojea, presidente da Conferência Episcopal, convidou cada diocese da Argentina a realizar na sexta-feira, dia 17, "um dia de oração pela Pátria", deixando liberdade para cada lugar fazê-lo da maneira que o bispo organiza.

Essa foi a única manifestação coletiva da hierarquia católica em relação à eleição crucial que será realizada em poucos dias em todo o país. Os bispos optaram por evitar qualquer pronunciamento, ignorando assim o pedido explícito feito durante a semana pelos leigos católicos para "não se calarem ou permanecerem dispensáveis" diante do segundo turno, porque "o que se decide é a continuidade da democracia e com ela a possibilidade de convivência e progresso social".

Sabe-se que vários bispos receberam o pedido dos leigos diretamente durante a participação na assembleia e por meio de mensagens enviadas pelas organizações e pelos signatários do pedido que exigiam um pronunciamento das autoridades eclesiásticas.

A visita do Papa

Enquanto isso, os padres da Equipe de Sacerdotes das Vilas e Bairros Populares renovaram seu pedido a Francisco para visitar a Argentina e reivindicaram "o valor da justiça social", durante uma missa celebrada em La Matanza da qual participaram Dom Eduardo García (San Justo) e Padre José "Pepe" de Paola. "O Papa Francisco é um de nós, por isso queremos que ele venha à Argentina", disse o padre Pablo Viola, da Arquidiocese de Córdoba, em sua homilia na missa. A reunião litúrgica também contou com a presença do deputado Eduardo Valdés e da ministra do Desenvolvimento Social, Victoria Tolosa Paz.

"Nosso povo argentino tem sonhos, esperanças, desejos, de paz e fraternidade, unidade, justiça social e é Francisco – um de nós – quem os interpreta claramente, por isso é nosso pastor que nos guia e ilumina e é por isso que também queremos que ele venha, nos faça sentir sua presença. Ele é da nossa casa, nos entende e é por isso que o reconhecemos como pastor, além do fato de ser o papa", disse Viola.

Na passada segunda-feira, falando na abertura da assembleia plenária do episcopado, o presidente da Conferência Episcopal, Oscar Ojea, tinha manifestado o "profundo desejo" da Igreja argentina de que o Papa visitasse o seu país natal e salientou que este encontro "ajudará a curar feridas, a crescer no diálogo aprendido" e a renovar o "espírito missionário".

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