Verba para reconstrução do RS após eventos climáticos extremos foi 20 vezes maior que para prevenção

Foto: Gustavo Mansur | Palácio do Piratini

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09 Mai 2024

Na diferença gritante entre os recursos aplicados em prevenir e corrigir efeitos da crise climática, há perdas de vidas e histórias que poderiam ser evitadas.

A informação é publicada por Climainfo, 09-05-2024.

Governos e parlamentares falham enormemente em tratar as mudanças climáticas com a seriedade e a urgência que estas necessitam. Não priorizam a elaboração de planos de adaptação e mitigação, nem investem recursos em ações para evitar o pior para a população. Quando o pior acontece, como agora, na tragédia climática no Rio Grande do Sul, vê-se a enorme diferença entre o prevenir e o remediar. No meio disso há perdas humanas e materiais que poderiam ter sido evitadas.

Um levantamento apresentado pela Globonews mostra que os recursos federais para o Rio Grande do Sul para ações de reconstrução após eventos climáticos extremos totalizaram R$ 466,1 milhões de 2022 a 2024. A cifra é 20 vezes o destinado à prevenção no estado no mesmo período, R$ 22,9 milhões.

Adaptação e mitigação são temas raramente tratados em planos de governo de candidatos ou, quando o são, surgem de modo tímido. Como mostra Malu Gaspar n’O Globo, a prevenção a desastres e a mitigação dos efeitos de tempestades não foram abordadas nos planos de campanha do governador gaúcho, Eduardo Leite (PSDB), e do prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), registrados no TSE. O plano do presidente Lula defendeu o “enfrentamento” e o “combate” à crise climática, mas sem iniciativas ou projetos.

E não é por falta de aviso. Afinal, desastres ambientais em decorrência de chuvas vêm sendo recorrentes nos últimos anos na maioria dos 336 municípios gaúchos que tiveram o estado de calamidade pública decretado pelo governo federal. A Lupa mostra que 90,17% dessas cidades já decretaram alguma situação de emergência ou estado de calamidade devido a chuvas ou causas associadas entre 2013 e 2023, a exemplo de deslizamentos.

Mas a cifra citada acima para correção não é nada perto do que será necessário para reconstruir um Rio Grande do Sul quase totalmente arrasado, com 417 de suas 496 cidades afetadas pelas chuvas extremas. Até o início da tarde de 4ª feira (8/5) o estado contabilizava 100 mortos, 128 desaparecidos e 372 feridos, com 66.761 desabrigados, instalados em alojamentos cedidos pelo poder público, e 163.720 desalojados, informam Folha e CNN. Mais de 80 comunidades indígenas foram atingidas, segundo o Correio Braziliense. E a situação deve piorar, com mais chuva, além de frio e ventos fortes, a caminho até o próximo domingo, relatam g1 e CNN.

O ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, falou em R$ 1 bilhão somente para recuperar estradas. O agronegócio calcula prejuízos de R$ 500 milhões. Os municípios calculam pelo menos 100 mil imóveis destruídos ou danificados, segundo o g1, mas esse número pode aumentar. De acordo com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), o prejuízo no setor habitacional já chegaria a R$ 3,4 bilhões.

O prejuízo é equivalente à inédita gravidade da tragédia climática atual. A chuva acumulada em cidades gaúchas em 15 dias chegou a igualar toda a média de precipitação prevista para cinco meses. As cidades de Fontoura Xavier, com 778 mm, e Caxias do Sul, com 694 mm, aparecem no topo da lista dos dados do CEMADEN analisados pela Climatempo e obtidos pelo g1.

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