O fim do código do silêncio? Artigo de Raniero La Valle

Benjamin Netanyahu | Foto: Utenriksdepartementet UD/Flickr

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15 Setembro 2026

A notícia de que o Reino Unido e outros dez países condenaram as ações hediondas dos colonos em Israel representa uma notícia de importância extraordinária, e, finalmente, positiva.

O artigo é de Raniero La Valle, jornalista e ex-senador italiano, publicado em Prima Loro, 12-09-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Isso marca o fim do código de silêncio generalizado em torno das condutas do Estado de Israel, que já duram há décadas, visando erradicar a presença palestina na Palestina. Aqueles que gostam de minimizar a situação alegam que se trata apenas de alguns países, e não da União Europeia como um todo, e que a censura se dirige aos colonos, e não ao próprio Estado. No entanto, entre esses países estão dois membros do Conselho de Segurança da ONU, Espanha e Canadá (não Tajani e Meloni), e, acima de tudo, a Grã-Bretanha, antiga detentora do mandato sobre a Palestina que, por meio da famosa Declaração Balfour, forneceu a legitimidade inicial para a instituição do Estado, ou do "lar nacional" judaico, na Palestina, e isso explica a dura reação de Netanyahu contra o governo britânico. Além disso, quando se fala de colonos também se fala do Estado de Israel, que multiplica os assentamentos judaicos nos Territórios ocupados da Cisjordânia, persegue os palestinos que lá vivem e os combate de todas as formas por meio de seu exército, assim como quando Israel diz que combate o Hamas e, na realidade, entende a luta contra todo o povo palestino.

O objeto da condenação e das consequentes sanções internacionais contra Israel são a limpeza étnica e, essencialmente, o genocídio ainda em curso. Há também o desconcertante agravante da denúncia da cumplicidade pessoal de Netanyahu na ação terrorista do Hamas de 7 de outubro, denúncia que corrobora outras fontes que já se manifestaram anteriormente dentro do próprio Israel. Desta vez, porém, haveria a prova na forma de uma comunicação do presidente dos Emirados Árabes Unidos ao primeiro-ministro israelense sobre a ação iminente do Hamas, informação contra a qual Netanyahu não tomou nenhuma providência, nem alertando o exército nem notificando os serviços de inteligência.

Naturalmente, é preciso buscar a motivação política por trás de tal comportamento aberrante; caso contrário, tratar-se-ia de um ato de pura loucura. A motivação deve ser procurada na determinação, repetidamente manifestada por Netanyahu, de querer dedicar toda a sua carreira política e a própria vida ao objetivo de tornar impossível a criação de um Estado palestino sob qualquer forma, um resultado finalmente alcançável por meio da erradicação da própria existência de um povo palestino na Palestina. Trata-se de um projeto que não pode ser levado a cabo a não ser por meio de operações classificadas pela Convenção da ONU como genocídio; empreitada que o governo israelense não poderia ter iniciado sem um pretexto que cruelmente o justificasse, como justamente o massacre de 7 de outubro.

Que essa possa ser a reconstrução do que realmente aconteceu após o 7 de outubro, tanto na gestão da crise dos reféns, quanto da obstinação implacável do exército israelense, do uso da fome e da sede como armas de destruição em massa, da passividade mais ou menos resignada da comunidade internacional, é algo que implica não apenas a derrocada política de Netanyahu, mas, a longo prazo, provavelmente carrega consigo, certamente, não o fim da existência do Estado de Israel, mas o fim de sua natureza de Estado judaico identitário e monoétnico, no qual os judeus são titulares de direitos exclusivos e o Estado se sustenta em uma legitimidade religiosa absoluta e blasfema, ou seja, em uma versão sectária do sionismo.

Paradoxalmente, isso significa que, justamente quando o Hamas parece totalmente aniquilado e derrotado, na realidade alcança o objetivo de sua luta: que é colocar em questão o Estado de Israel como Estado-nação pertencente exclusivamente ao povo judeu, "ligado" a todo o povo judeu e dedicado à expansão dos assentamentos, conforme definido pela Lei Básica de 2018, em nítido contraste com os ideais judaicos e democráticos das origens (como os kibutzim "socialistas"!). É paradoxal que esse seja o resultado das políticas inconsequentes de Netanyahu e dos partidos ortodoxos, políticas que surgiram após, e em oposição, a figuras como o Rabin dos Acordos de Oslo e o Sharon da retirada dos colonos de Gaza.

Contudo, essas são eventualmente a heterogênese dos fins e as surpresas da história; que nem sempre é aquele Anjo cego descrito na filosofia de Walter Benjamin, que vira as costas para o futuro rumo ao qual uma tempestade o impulsiona. E disso também poderia emergir aquela dádiva extraordinária para o mundo, contra a redução do judaísmo a uma visão estatista, que seria a recuperação de parte de todo o judaísmo da fé e da profecia bíblica que o tornam um irrenunciável patrimônio da humanidade.

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