A história do Patriarcado de Jerusalém. Artigo de Luigi Sandri

Dom Pierbattista Pizzaballa | Foto: Vatican Media

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30 Setembro 2025

"O Patriarcado Latino de Jerusalém retorna ao centro do palco como potencial mediador e 'transportador' das ajudas — medicamentos e alimentos — que a Flotilha Global Sumud, agora navegando em direção à costa de Gaza, por intermédio dele entregaria aos palestinos estremados da Faixa de Gaza", escreve Luigi Sandri, jornalista italiano, em artigo publicado por L'Adige, 29-09-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

O Patriarcado Latino de Jerusalém retorna ao centro do palco como potencial mediador e "transportador" das ajudas — medicamentos e alimentos — que a Flotilha Global Sumud, agora navegando em direção à costa de Gaza, por intermédio dele entregaria aos palestinos estremados da Faixa de Gaza.

A iniciativa, saudada pela Santa Sé e pelo Cardeal Matteo Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana, segue a linha lançada na sexta-feira pelo presidente Sergio Mattarella. Para neutralizar um potencial conflito entre as forças israelenses e a Flotilha, caso esta, ao chegar àquele litoral, fosse repelida pelos mísseis com a estrela de Davi, Mattarella sugeriu confiar ao Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino, em acordo com Israel, a tarefa de garantir a chegada segura das tão esperadas ajudas.

Até o momento em que este texto está sendo escrito, ainda não está claro se a Flotilha aceitará ou não a mediação; no entanto, para enquadrar a singular solução indicada pelo Chefe de Estado, é necessário conhecer a história do Patriarcado. A comunidade cristã de Jerusalém — onde Jesus morreu e ressuscitou — sempre foi muito venerada pelos fiéis; mas, de um ponto de vista institucional, a Igreja primitiva foi aos poucos dividida em quatro patriarcados: um no Ocidente, Roma; e três no Oriente: Constantinopla, Antioquia e Alexandria do Egito. Somente em 451, com o Concílio de Calcedônia, o patriarcado de Jerusalém, mantido pelos bizantinos, foi adicionado a estes. Depois que soldados ocidentais conquistaram a cidade em 1099 com a Primeira Cruzada, o patriarca grego existente foi ofuscado, e o novo patriarca latino assumiu a precedência.

Mas dois séculos depois, após os muçulmanos retomarem a cidade, o patriarcado fugiu, com os cruzados, para São João do Acre (hoje Akko, em Israel). E quando eles foram derrotados em 1291, e o tempo das Cruzadas terminou, o patriarca grego retornou a Jerusalém, enquanto o patriarca latino desapareceu: tornou-se apenas um título honorífico que os papas conferiam a um prelado qualquer.

Foi Pio IX, em 1847, quem restabeleceu o patriarcado latino de Jerusalém, que desde então tem sido confiado na maioria das vezes aos franciscanos: e a eles pertence Pizzaballa (nascido em Bérgamo em 1965), que desde 2004, por doze anos, foi Custódio da Terra Santa; depois, por Bergoglio, foi escolhido patriarca em 2020 e nomeado cardeal em 2023.

Mas o que é a "Custódia"? No século XIV, os pontífices estavam bastante preocupados porque os lugares que haviam testemunhado a presença de Jesus corriam o risco de desaparecer, visto que muçulmanos ocasionalmente matavam os cristãos. Então, Roberto de Anjou, rei de Nápoles, e sua esposa Sancha compraram do sultão — por uma fortuna — alguns Lugares Santos, que Clemente VI acabou confiando aos franciscanos, que, apesar do risco considerável, aceitaram.

Com essa história na bagagem, Pizzaballa foi considerado a pessoa certa para convencer Israel a permitir, por meio dele, a chegada das ajudas da Flotilha. Mas, por enquanto, não sabemos se a mediação do patriarca será bem-sucedida.

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