Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Quisera este editorial jamais ter sido escrito. Quisera o horror da tortura, da perseguição, da morte ser um pesadelo escuro que se dissolve com o abrir dos olhos ao amanhecer. Uma sofisticada e complexa articulação civil-militar, com a participação de federações, entidades patronais, partidos políticos, embaixadores, presidentes, militares e mesmo a imprensa, levou o Brasil à escuridão de uma noite com mais de 20 anos.

A história da urbanização no Brasil é marcada por sistemáticos processos patrimonialistas de divisão do espaço urbano, que se conectam aos dispositivos de permanência da desigualdade social. A Constituição Brasileira, de 1988, consagrou o Direito à moradia como um Direito fundamental da pessoa humana. O desafio da contemporaneidade brasileira tem sido o de fazer valer o Direito Constitucional à moradia e à fiscalização do uso social da propriedade privada. Assim, o Direito à moradia, o Direito à cidade é o tema de capa da presente edição da revista IHU On-Line.

Uma sombra está sempre à espreita dentro das democracias liberais, prestes a se converter em tempestade. É o fascismo, que em contextos geográficos e epocais distintos reedita através de outras expressões o velho método que fez fortuna no início do século XX. Agora, não são mais necessários golpes militares, tomadas explícitas do poder ou espetáculos sinistros à luz de tochas: a deriva promovida pela extrema-direita se apodera do aparelho democrático por vias eleitorais, tornando-o formal e procedimental, consolidando seus ataques sob a execução legal do estado de exceção, convertido em norma de governo. Quando se fala em gênero e violência, a associação imediata é a mulher como vítima e o homem como agressor, em razão da histórica opressão que elas sofrem. Há também outros segmentos que se apresentam sob risco a diversas formas de preconceito e de desrespeito à diversidade, por exemplo, pessoas LGBTs.