"O que está acontecendo na Cisjordânia é inaceitável. Devemos defender os direitos e a coexistência", afirma o cardeal Zuppi

Zuppi em Rimini | Foto: RD/Captura

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25 Agosto 2026

O presidente da Conferência Episcopal Italiana, no âmbito do Encontro de Rimini, afirma em declarações ao SIR que "a convivência e os direitos dos árabes e da comunidade cristã devem ser defendidos".

A informação é publicada por Religión Digital, 24-08-2026. 

"O que está acontecendo na Cisjordânia é inaceitável. Devemos defender a convivência e os direitos. É impensável que os direitos de qualquer pessoa, especialmente dos árabes e da comunidade cristã, sejam pisoteados e humilhados."

Assim declarou o cardeal Matteo Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), em declarações ao SIR à margem da missa celebrada no último domingo como encerramento do Encontro de Rimini. "A Igreja italiana", reiterou o cardeal, "está comprometida a oferecer toda a ajuda possível, conforme a situação, e sempre em colaboração com o Patriarcado Latino de Jerusalém. Como Igreja de Bolonha", acrescentou, "há alguns dias oramos pela paz na Terra Santa, lembrando o quanto é inaceitável o que está acontecendo na Cisjordânia, onde a convivência e os direitos dos árabes e da comunidade cristã devem ser defendidos".

"Salvar a todos não significa que todos possam entrar, mas salvar a todos e, depois, precisamos encontrar caminhos, ideias, regularização, legalização, para combater a ilegalidade com legalidade", apontou também, em outro momento, o cardeal, que lembrou os 15 migrantes que morreram nos últimos dias no mar Mediterrâneo e reiterou conceitos já expressos por Leão XIV: "As pessoas estão acima das fronteiras. Isso é inquestionável. Portanto, devemos encontrar todas as soluções". Para Zuppi, trata-se de escolher "um sistema que olhe para o futuro, porque não se trata apenas de 'mais crianças, mais futuro', mas também de 'mais acolhimento e mais futuro'".

"Este é um tema que também diz respeito à Europa, uma Europa de solidariedade e unidade, como deve ser e como nasceu." Uma Europa que "nasceu de muitos cristãos que queriam que ela fosse unida para que não houvesse mais guerras e para que se tornasse um lugar onde pudéssemos aprender a viver juntos". "Nunca poderemos nos acostumar com o sofrimento de tantas pessoas. Isso nos ajuda a tomar consciência e a escolher um futuro para todos, porque só juntos poderemos superar isso", acrescentou o cardeal, que expressou sua esperança de que os constantes apelos do papa pela paz e pela aceitação "sejam levados a sério por muitos".

"São apelos realistas, não algo genérico. Aquele realismo cristão que permitiu, após a Segunda Guerra Mundial, a construção de uma ordem que, no entanto, deixou claro que os conflitos devem ser resolvidos por meio do diálogo e da palavra. Porque a Segunda Guerra Mundial nos ensinou que devemos rejeitar a guerra, e para rejeitá-la precisamos encontrar outros caminhos."

"Não aos enclaves" na Igreja

Também a partir do Encontro de Rimini, Matteo Zuppi reiterou o chamado de Leão XIV a uma Igreja aberta e missionária: "Ame a Igreja e conserve a unidade. Não aos enclaves; a comunhão liberta da tirania do eu". Para o presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), a comunhão é a resposta à "Babel dos egos arrogantes" e aos "eus fechados e opostos", porque liberta da "tirania do eu" e fomenta a amizade, a paz e a preocupação com os pobres, segundo informações do SIR.

Esses conceitos foram reiterados durante a missa celebrada neste domingo no Encontro de Rimini, onde Zuppi enfatizou que esse evento nunca foi "uma espécie de enclave", mas sim um lugar que fomenta os encontros e se abre ao mundo, convidando-nos a viver a comunidade como "um trampolim a partir do qual mergulhar na totalidade da realidade" e a estender a mão a todos, começando pelos pobres.

Diante da "cultura do poder" e da "Babel de egos arrogantes e personalidades fechadas e enfrentadas", o presidente da Conferência Episcopal Italiana apontou a comunhão eclesial como a resposta capaz de superar a inimizade e a violência, lembrando que a Igreja, ainda que viva no mundo, não pode ser julgada por categorias mundanas. Daí seu enérgico chamado: "Amem sempre a Igreja. Amem e preservem a unidade".

Uma Igreja Mãe que ajuda o mundo a se redescobrir, libertando a convivência da suspeita e cada pessoa da ilusão da autossuficiência. "Que alegria saber que somos confiados a essa Igreja Mãe, que reúne uma família universal, tanto mais valiosa numa época em que prevalece a insolente e perigosa 'cultura do poder'!" "A Igreja vive no mundo, mas não é do mundo, e justamente por não ser do mundo, sente uma responsabilidade crucial de ajudar o mundo a se redescobrir, libertando", destacou, citando o papa, "a convivência da suspeita, a cultura da arrogância, a educação da ideologia, o trabalho da idolatria do lucro, a tecnologia e as finanças dos negócios da morte".

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