Enchentes do Rio Grande do Sul fundamentam novo conceito para identificar áreas de risco

Foto: Lauro Álves | Secom RS

Mais Lidos

  • Toda voz universal é divina ou totalitária. Entrevista com Adriana Cavarero

    LER MAIS
  • Médico defende cuidados paliativos no fim da vida e amenização total da dor em pacientes terminais. “O alívio deve ser na dor total: física, espiritual e emocional”, diz

    Cuidados paliativos: 86% das pessoas que precisam de auxílio no fim da vida são abandonadas. Entrevista especial com Angelo Atalla

    LER MAIS
  • Quando a revolta pensa a política: por que Foucault permanece indispensável cem anos depois? Artigo de Márcia Rosane Junges

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

07 Julho 2026

Chamada de Zona de Arraste, nova classificação nomearia fenômeno onde a força da natureza transforma uma inundação em um fenômeno de alta capacidade destrutiva.

A reportagem é de Vinicius Nunes, publicada por ((o))eco, 03-07-2026. 

Há pouco mais de dois anos, o estado do Rio Grande do Sul era abatido por eventos climáticos sem precedentes. As enchentes que atingiram o Vale do Taquari entre 2023 e 2024 afetaram cerca de 95% das cidades gaúchas, e mais de 80 mil casas foram destruídas.

A partir da tragédia climática experimentada pelo estado, pesquisadores brasileiros fundamentaram novo conceito para áreas de destruição extrema em casos de enchentes. Formalizado enquanto Zona de Arraste, esta nova categoria de análise seria utilizada para identificar setores onde a força da natureza transforma uma inundação em um fenômeno de alta capacidade destrutiva.

A proposta foi apresentada em uma Nota Técnica disponível online. O trabalho é assinado por cientistas vinculados à Universidade do Vale do Taquari (Univates), à Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

De acordo com os autores, a ideia de uma nova categorização surgiu da necessidade de compreender um fenômeno que se repetiu em diferentes municípios atingidos pelas enchentes. Durante os levantamentos de campo realizados após os desastres, a equipe observou que áreas submetidas ao mesmo evento hidrológico apresentavam consequências distintas.

Os pesquisadores recordam que em algumas localidades, a água avançava sobre ruas e edificações, o que provocou danos materiais e interrupções temporárias das atividades urbanas. Já em outros pontos, a correnteza possuía energia suficiente para arrancar casas de suas fundações, destruir pontes, remover pavimentações, provocar erosão intensa das margens e alterar permanentemente a configuração da paisagem.

A necessidade de apresentar uma nova categoria surge a partir do entendimento de que apenas o volume de água não seria capaz de explicar o impacto das enchentes. Assim, a Zona de Arraste é definida como o subconjunto das áreas inundáveis onde a energia hidráulica alcança níveis capazes de produzir erosão severa, destruição estrutural, deslocamento de edificações, fragmentação da paisagem e elevado risco à vida humana.

Os pesquisadores observam, entretanto, que a formalização da Zona de Arraste representa apenas uma etapa inicial de um processo mais amplo de consolidação científica. Novos estudos estão em desenvolvimento para aprofundar os critérios de delimitação da categoria, incluindo modelagem hidrodinâmica bidimensional, validações estatísticas, análises quantitativas e aperfeiçoamento dos parâmetros operacionais utilizados nos mapeamentos.

Leia mais