23 Mai 2026
"O percurso traçado não marca uma conclusão, mas um amadurecimento. A Assembleia de 2028, de fato, não será uma linha de chegada, mas uma etapa para reconhecer e entregar a toda a Igreja os frutos de um caminho que continua, com vistas a uma sinodalidade cada vez mais enraizada no estilo ordinário da vida eclesial e orientada para a missão."
O artigo é de Matteo Liut, jornalista, publicado por Avvenire, 21-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Uma trajetória marcada por quatro dimensões — memória, interpretação, orientação e celebração — acompanhará a Igreja universal rumo à Assembleia Eclesial de outubro de 2028.
Com a publicação do documento "Rumo às Assembleias 2027-2028", a Secretária-geral do Sínodo oferece orientações específicas para a fase de implementação do caminho sinodal, convidando as comunidades a assumirem o que vivenciaram não como uma mera formalidade, mas como uma oportunidade de discernimento compartilhado e de renovação espiritual.
O texto, divulgado na última quarta-feira, coloca-se na esteira do Documento Final do Sínodo 2021-2024 e desenvolve suas perspectivas para a vida concreta das Igrejas. O objetivo não é repetir a consulta já realizada, mas reler a experiência amadurecida, reconhecer seus frutos e esforços e compartilhá-la. Nesse sentido, o processo é entendido como uma “troca de dons” entre as Igrejas, chamadas a compartilhar o que o Espírito Santo fez brotar nos diferentes contextos.
O calendário prevê uma etapa inicial nas dioceses, no primeiro semestre de 2027, dedicada à memória do caminho realizado por meio de relatos e cartas a outras comunidades. Seguir-se-á, no segundo semestre do mesmo ano, a fase das Conferências Episcopais, chamadas a oferecer uma leitura teológica-pastoral da experiência. No início de 2028, ocorrerão as assembleias continentais, com o objetivo de identificar prioridades comuns. O processo convergirá, por fim, na Assembleia eclesial no Vaticano, momento de síntese e relançamento.
O que une o processo é uma pergunta comum: qual rosto concreto de Igreja sinodal missionária está emergindo e que novos caminhos estão se abrindo? Essa pergunta convida as comunidades a olhar para o presente com olhos de fé, sem se voltar sobre si mesmas, mas se abrindo à comunhão universal. “Não é uma tarefa adicional”, enfatiza o Cardeal Mario Grech, Secretário-geral do Sínodo dos Bispos, “mas um tempo de discernimento e de prestação de graças”. As assembleias, de fato, não são pensadas como avaliações técnicas ou consultas sociológicas, mas sim como experiências eclesiais e espirituais, nas quais a escuta, a oração e a discussão nos permitem reconhecer os passos a serem realizados.
Atenção especial é dedicada à composição das assembleias, que deverão refletir a diversidade do Povo de Deus: homens e mulheres, jovens e idosos, ministros ordenados e leigos, pessoas vindas até mesmo de contextos de marginalização. Um sinal concreto daquela corresponsabilidade que o caminho sinodal busca reforçar.
O percurso traçado não marca uma conclusão, mas um amadurecimento. A Assembleia de 2028, de fato, não será uma linha de chegada, mas uma etapa para reconhecer e entregar a toda a Igreja os frutos de um caminho que continua, com vistas a uma sinodalidade cada vez mais enraizada no estilo ordinário da vida eclesial e orientada para a missão.
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