22 Mai 2026
A Secretaria-Geral do Sínodo publicou hoje um documento orientador com as etapas, os critérios e a metodologia para a preparação da inédita Assembleia Eclesial de outubro de 2028, pedindo uma representatividade alargada.
A reportagem é publicada por Agência Ecclesia, 20-05-2026.
“O objetivo do processo de avaliação é o crescimento de todo o Povo de Deus nas relações e na fidelidade à missão da Igreja no mundo, com particular atenção à participação das mulheres, dos jovens, dos pobres e dos que vivem nas margens das nossas comunidades”, refere o novo documento, intitulado ‘Rumo às Assembleias 2027-2028’.
O texto, divulgado online, especifica o calendário e os critérios com os quais as estruturas eclesiais são chamadas a partilhar os frutos nascidos do documento final do Sínodo 2021-2024.
O secretário-geral do Sínodo, cardeal Mario Grech, salientou que as reuniões de avaliação constituem uma forte experiência espiritual, distanciando-as de uma mera análise técnica.
“As Assembleias não coincidem, de facto, com uma consulta sociológica nem com uma dinâmica deliberativa, nem são uma verificação técnica, mas sim uma forte experiência eclesial e espiritual de discernimento: um momento de síntese e de relançamento do caminho, para que a troca de dons entre as Igrejas se torne uma experiência concreta e a sinodalidade se traduza cada vez mais em um estilo ordinário da vida eclesial a serviço da missão”, refere, em nota de imprensa, enviada aos jornalistas.
O itinerário organiza-se em quatro fases progressivas: “fazer memória”, no primeiro semestre de 2027; “interpretar”, no segundo semestre de 2027; “orientar”, no primeiro quadrimestre de 2028; e “celebrar”, na assembleia universal de outubro de 2028.
A Secretaria-Geral do Sínodo estabeleceu que cada uma das etapas deve responder a uma questão idêntica, adaptada à realidade de cada comunidade católica.
À luz do caminho empreendido após a conclusão do Sínodo 2021-2024, e com vista a oferecer os seus frutos como dom às outras Igrejas e ao Santo Padre: qual rosto concreto de Igreja sinodal missionária e que novos caminhos de sinodalidade estão a surgir na sua comunidade?”
As orientações determinam ainda regras para a composição das assembleias, exigindo uma “atenção adequada à relação entre homens e mulheres e entre as diferentes gerações, à diversidade cultural e eclesial”, incluindo padres, diáconos, consagradas e consagrados, membros de associações, movimentos e novas comunidades, além de “fiéis não inseridos em estruturas organizadas” e “pessoas que vivem situações de fragilidade ou marginalidade”, com “especial atenção ao envolvimento dos párocos”.
“Quando for oportuno, poderão participar também representantes de outras Igrejas e Comunhões cristãs ou de outras religiões. É essencial, porém, que as pessoas escolhidas estejam dispostas a apoiar o processo inclusive após 2028, contribuindo para garantir sua continuidade”, sublinha o Vaticano.
O documento esclarece que não se trata de “repetir a consulta do Sínodo”, nem de acrescentar tarefas adicionais à vida das comunidades, mas de “reler o que já foi vivido, reconhecer os frutos e as dificuldades, e disponibilizar a experiência amadurecida numa lógica de troca de dons entre as Igrejas”.
A fase de aplicação das indicações do Sínodo sobre a sinodalidade (2021-2024) decorre em várias fases, que culminam na realização de uma inédita Assembleia Eclesial, marcada para 2028.
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