16 Abril 2026
Enquanto as negociações para um cessar-fogo de uma semana continuam nos Estados Unidos, Israel anuncia novos ataques no sul do país.
A reportagem é de Anna Lombardi, publicada por La Repubblica, 15-04-2026.
A mensagem em vídeo publicada no X pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu pouco depois das 21h, enquanto ele ainda estava reunido com seu gabinete discutindo a possibilidade de um cessar-fogo com Beirute, decepcionou aqueles que esperavam palavras mais cautelosas. "Instruí o exército a continuar reforçando a zona tampão no Líbano", disse ele. "Nossas forças continuarão a atacar o Hezbollah. Estamos prestes a conquistar seu reduto em Bint Jbeil."
Mais uma paráfrase do que parece ser o mantra israelense atualmente: negociar com o Líbano como se o Hezbollah não existisse. Continuar a guerra contra o Hezbollah como se não houvesse negociações de paz. "Desarmá-los continua sendo nosso principal objetivo", diz ele na mensagem. Ele acrescenta que está pronto para retomar os bombardeios ao Irã: "Nossos aliados americanos nos mantêm constantemente informados, e nossos objetivos são comuns e alinhados."
Não se trata exatamente do anúncio de um cessar-fogo temporário, um gesto positivo em apoio às negociações com o Líbano, que começaram na terça-feira em Washington, como muitos esperavam desde a tarde. Após a notícia de uma possível trégua ter sido antecipada pela emissora de TV libanesa Al Mayadeen, porta-voz do Hezbollah, citando fontes iranianas, um funcionário declarou que, em poucas horas, haveria uma pausa de uma semana — ou seja, até 22 de abril — para adequar o conflito israelo-libanês ao prazo estabelecido pelos Estados Unidos e pelo Irã para encontrar "sua" solução. Segundo essa fonte, o acordo foi obtido a pedido explícito de Teerã, como condição para a retomada das negociações com os americanos.
Na prática, foi uma imposição dos EUA ao Estado judeu, que o governo israelense claramente não acolheu bem. Tanto que a fonte iraniana acrescentou que o primeiro-ministro Netanyahu "poderia tentar sabotar a trégua", acrescentando que o Irã havia declarado categoricamente que responsabilizaria a Casa Branca por conter os israelenses. Essa reconstrução também foi confirmada pelo parlamentar libanês Ibrahim Moussaoui, também do partido Hezbollah, ao jornal libanês L'Orient du Jour: "Os iranianos condicionaram o cessar-fogo à inclusão do Líbano pelos Estados Unidos. Eles entraram em contato com diversas partes regionais e internacionais para garantir que isso seja alcançado." Mas Netanyahu não parece disposto a ceder, especialmente por estar tão perto de conquistar Bint Jbeil, a cidade estratégica no sul do Líbano, não muito longe da fronteira com Israel, que também tem forte valor psicológico para o Estado judeu. Porque, após a retirada das Forças de Defesa de Israel em 2000, depois de 18 anos de ocupação, o então líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, fez um famoso discurso de vitória dali, no qual descreveu Israel como "mais fraco que uma teia de aranha".
Não é surpresa, portanto, que os ataques das Forças de Defesa de Israel (IDF), que já causaram 2.167 mortes em 45 dias, tenham continuado ontem. O Chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, declarou ter ordenado que "toda a área do sul do Líbano até o rio Litani seja declarada zona proibida para os afiliados do Hezbollah". Ele também anunciou ter aprovado — juntamente com o Almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, que estava em Israel na terça-feira — novos planos operacionais: para a frente libanesa e para a iraniana. A trégua, portanto, parece ter chegado ao fim por enquanto. A menos que Donald Trump ligue novamente nas próximas horas.
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