Estreito de Ormuz minado: "Gerenciamos as rotas seguras", afirma a Guarda Revolucionária

Estreito de Ormuz (Foto: NASA | Wikimedia Commons)

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10 Abril 2026

Na verdade, Ormuz tornou-se a arma mais poderosa nas mãos da Guarda Revolucionária, mais poderosa do que o urânio enriquecido e os programas nucleares: permite-lhes manter a economia mundial sob controle.

O artigo é de Gianluca Di Feo, jornalista italiano, publicado por La Reppublica, 10-04-2026.

Eis o artigo. 

Os poucos navios que atravessam o Estreito de Ormuz seguem uma rota específica: mantêm-se próximos à costa iraniana, evitando a parte central do estreito. Uma escolha aparentemente imprudente, mas com uma razão específica: ontem, a Guarda Revolucionária anunciou que aquela área "provavelmente" havia sido minada. Não reivindicaram a responsabilidade por essa ação extremamente grave, e o vice-ministro das Relações Exteriores, Skhatibzadeh, descreveu os dispositivos como "uma consequência do conflito". No entanto, a liderança da Guarda Revolucionária divulgou um mapa destacando as coordenadas de um campo minado, instando navios mercantes e petroleiros a contatarem seu comando naval para coordenar suas rotas e evitar surpresas devastadoras.

Esta iniciativa expõe a ameaça mais temida pela navegação: bombas colocadas no fundo do mar ou suspensas na água. A sua presença já era alvo de rumores há algumas semanas, sem qualquer confirmação oficial, e mesmo agora não se pode descartar a possibilidade de ser um boato, mas nenhum capitão está disposto a correr riscos: estas armadilhas contêm centenas de quilos de explosivos.

Trata-se da hipoteca de longo prazo sobre o Estreito de Ormuz, que se tornou a ferramenta mais importante dos aiatolás para influenciar as negociações com os Estados Unidos em Islamabad: enquanto a liberdade de circulação não for restaurada, Donald Trump não poderá encerrar a campanha militar sem parecer derrotado. Mas o desafio da República Islâmica vai além, pois busca tornar o controle permanente, impondo uma taxa sobre cada remessa, pagável em criptomoedas. O novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, deixou isso claro ontem em uma mensagem divulgada quarenta dias após a morte de seu pai, morto no ataque que desencadeou a guerra: "Levaremos a gestão do Estreito a uma nova fase."

As minas representam um impasse que deverá permanecer fechado por muito tempo: mesmo que se chegue a um acordo definitivo com Teerã, levaria semanas ou meses para remover esse obstáculo letal e desconhecido da crucial rota do comércio de petróleo e gás.

As operações de desminagem são extremamente lentas: os navios caça-minas avançam a uma velocidade de um a dois quilômetros por hora, vasculhando o fundo do mar com pequenos submarinos controlados remotamente e equipados com sonar. Sempre que um objeto suspeito é detectado, ele precisa ser inspecionado para determinar sua natureza. Se for uma arma, o drone deposita uma carga e a detona. Mas, em muitos casos, um mergulhador é chamado para plantar a bomba. Durante essa atividade, o navio permanece parado, exposto a qualquer ataque. "O navio caça-minas, por sua própria natureza, é uma presa, um alvo fácil", lembrou ao jornal Repubblica o Almirante Angelo Mariani, que comandou a missão da Marinha Italiana no Golfo em 1987. "Por isso, sempre havia pelo menos uma fragata de cobertura com canhões e mísseis."

Os iranianos acumularam um arsenal de dezenas de milhares de minas. As mais comuns são as tradicionais, semelhantes a ouriços-do-mar, com numerosos sensores mecânicos que se ativam ao contato com o casco. Mas existem dispositivos mais sofisticados, em formato cônico, que permanecem escondidos no fundo do mar, na areia. Eles possuem um gatilho magnético, acionado pela massa metálica dos navios: é por isso que os caça-minas europeus são construídos em fibra de vidro. No entanto, existem dispositivos ainda mais sutis, copiados dos navios Manta, projetados em Brescia, que explodem ao detectar o ruído das hélices ou o deslocamento de água causado pela embarcação.

Paradoxalmente, os Estados Unidos já não possuem os recursos navais necessários para lidar com eles. Há alguns meses, os caça-minas destacados no Bahrein foram desativados, e hoje a Marinha dos EUA depende de fragatas litorâneas multifuncionais, sem tripulações especializadas. É também por isso que Donald Trump insistiu na ajuda dos aliados da OTAN, que, por sua vez, mantêm equipes operacionais eficientes. As da frota italiana são consideradas entre as melhores, e o governo Meloni manifestou a sua disponibilidade para integrá-las à "Coalizão dos Dispostos" para garantir a segurança da navegação no Golfo: uma iniciativa promovida por Londres e Paris. Antes de entrar em ação, porém, é necessário um acordo com a República Islâmica: é praticamente impossível neutralizar a barragem explosiva enfrentando os mísseis e drones dos paquistaneses.

Na verdade, Ormuz tornou-se a arma mais poderosa nas mãos da Guarda Revolucionária, mais poderosa do que o urânio enriquecido e os programas nucleares: permite-lhes manter a economia mundial sob controle.

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