A ameaça de Trump: "O Irã precisa aceitar o plano dos EUA ou eu o destruirei da noite para o dia"

Ataque em Teerã (Foto: Anadolu Ajansi)

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07 Abril 2026

O presidente americano: "Hoje estamos prontos para demolir pontes e usinas elétricas. Crimes de guerra? São animais; mataram mais de 45 mil pessoas."

A reportagem é de Paolo Mastrolilli, publicada por La Repubblica, 07-04-2026.

“Temos um plano para destruir todo o Irã em quatro horas, todas as usinas de energia e todas as pontes.” O prazo para que ele seja implementado é hoje às 20h, horário de Washington, 2h da manhã, horário da Itália, (21h, horário de Brasília) e a condição para bloqueá-lo é que Teerã aceite um acordo com os termos estabelecidos por Trump.

O próprio presidente emitiu esse ultimato durante a coletiva de imprensa de ontem, convocada para reconhecer o sucesso alcançado no resgate dos dois pilotos do caça F-15 abatido em território inimigo. Não importa se isso constituiria um crime de guerra, porque "nunca permitiremos que o Irã tenha uma arma nuclear". Isso vem antes do respeito à lei, "porque no mês passado eles mataram 45 mil pessoas; são animais".

Washington enviou a Teerã, por meio de mediadores paquistaneses, um plano de 15 pontos para pôr fim ao conflito. A República Islâmica o rejeitou e respondeu ontem, enviando uma proposta de 10 pontos pelo mesmo canal. As partes estão discutindo um possível acordo em duas fases: primeiro, um cessar-fogo de 45 dias para negociações e, em seguida, um acordo amplo para encerrar a guerra.

Na manhã de ontem, Trump disse que a resposta do Irã foi "significativa, mas insuficiente. É improvável que eu lhes dê outro prazo. Ofereci-lhes uma chance, e eles não a aproveitaram."

Pouco depois, ele realizou uma coletiva de imprensa na Casa Branca, reiterando e reforçando sua ameaça: "Temos um plano para destruir todo o Irã e enviá-lo de volta à Idade da Pedra, em apenas quatro horas. Começará às 20h de terça-feira em Washington e terminará à meia-noite."

O objetivo da operação seria paralisar todo o país, deixando-o sem energia e comunicações, "destruindo pontes" para também interromper o transporte. Segundo o presidente americano, isso "deveria incitar a população a se rebelar", embora ele reconheça os riscos aos quais exporia os cidadãos, porque o regime está pronto para atirar em qualquer um que se mova, "como fez durante a Marcha das Mulheres, quando atiradores dispararam aleatoriamente na cabeça, entre os olhos, para deter a multidão."

Trump disse que espera "ainda não dar a ordem" para a destruição final do país, para o qual ele prometeu ajudar na reconstrução caso aceite as condições de seu plano, incluindo a renúncia à bomba atômica e a todas as formas de enriquecimento de urânio, além da reabertura imediata do Estreito de Ormuz. "A mudança de regime já ocorreu com sua decapitação, e as pessoas agora no poder são muito menos radicais, mais práticas e ansiosas para fechar um acordo." No entanto, se essa linha não prevalecer em Teerã até o fim da tarde, o próximo passo seria a destruição de todo o país.

O presidente americano voltou a reclamar de todos os seus aliados, não apenas dos europeus, porque eles não o ajudaram.

A OTAN "é um tigre de papel, e sua recusa deixará uma marca indelével. Tudo começou com a Groenlândia".

Desta vez, porém, ele também mirou no Japão, na Coreia do Sul e na Austrália — essencialmente, em todo o sistema de alianças que permitiu aos EUA se tornarem a superpotência dominante após a Segunda Guerra Mundial e vencerem a Guerra Fria. Os inimigos também estão dentro do país, e eles são avisados, como demonstra a ameaça de prisão ao jornalista que revelou a queda do F-35 e a presença do coronel responsável por armamentos em solo iraniano: "Isso tornou o resgate muito mais perigoso. Se ele não nos disser quem lhe deu a informação, ele vai acabar na prisão".

Trump está convencido de que tem o apoio do povo iraniano, porque "eles estão nos pedindo para irmos bombardeá-los", mas também o apoio divino, porque "Deus é bom". E então os despojos irão para o vencedor.

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