31 Março 2026
Sheinbaum busca retomar os embarques de hidrocarbonetos para a ilha depois que um petroleiro russo conseguiu romper o bloqueio energético.
A reportagem é de Sonia Corona e Macarena Vidal Liy, publicada por El País, 31-03-2026.
Os Estados Unidos decidem caso a caso se o petróleo estrangeiro entra em Cuba. A Casa Branca anunciou isso na segunda-feira, afirmando que autorizar um petroleiro russo a entregar combustível à ilha não representa uma mudança na política de Washington, que mantém o embargo energético contra Havana desde 29 de janeiro.
A permissão concedida ao petroleiro russo “não representa uma mudança na política de Washington” em relação às sanções, de acordo com Karoline Leavitt, porta-voz de Donald Trump. “Como o presidente disse, permitimos que este navio chegasse a Cuba para atender às necessidades humanitárias do povo cubano”, afirmou ela em sua coletiva de imprensa semanal.
“Essas decisões”, acrescentou a porta-voz do presidente americano, “estão sendo tomadas caso a caso”. Leavitt se recusou a especificar se o governo em Washington autorizaria mais remessas de combustível para a ilha no futuro, dada a sua situação desesperadora e a frequente, generalizada e prolongada escassez de petróleo.
Com o racionamento de combustível, a crise energética desencadeou sérios problemas em hospitais e limitou a mobilidade dentro da ilha, dada a precariedade do transporte público. O país, separado dos Estados Unidos por 150 quilômetros de mar, está à beira do colapso econômico e imerso em uma crise humanitária devido à escassez de todos os tipos de produtos. O México e outros países enviaram navios com ajuda humanitária à ilha para tentar aliviar a escassez causada pelo embargo americano.
A porta-voz presidencial reiterou o que se tornou um mantra entre os funcionários da política externa dos EUA e o que o secretário de Estado Marco Rubio — filho de imigrantes cubanos — invoca constantemente: “A economia disfuncional de Cuba não pode se recuperar a menos que haja uma mudança drástica em seu sistema político e liderança”. E insistiu novamente: não houve nenhuma mudança formal em relação à política de sanções.
A chegada a Havana dos 700 mil barris de petróleo transportados pelo navio russo representará um importante alívio. Espera-se que esse combustível permita que as usinas de energia do país operem por uma semana. A maioria das usinas de energia da nação caribenha funciona com combustíveis fósseis, apesar dos esforços das autoridades cubanas para promover a energia solar, justamente para reduzir sua dependência de fontes estrangeiras.
O México quer se juntar ao esforço para enviar hidrocarbonetos à ilha, agora que o petroleiro russo conseguiu romper o embargo energético dos EUA. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou na segunda-feira que seu governo está "trabalhando" com o governo cubano para retomar os embarques. O último petroleiro a atracar em Cuba foi o Ocean Mariner, transportando 80 mil barris de petróleo bruto, operado pela Petróleos Mexicanos (Pemex) em 9 de janeiro.
Desde que Trump ameaçou impor tarifas aos países que enviam petróleo para Cuba, o México suspendeu e cancelou seus embarques programados para janeiro e fevereiro. Sheinbaum afirmou na época que encontraria uma maneira de ajudar a ilha e optou por ajuda humanitária, da qual já enviou mais de 2 mil toneladas. A presidente mexicana acrescentou que esse tipo de assistência continuaria enquanto não prejudicasse as relações comerciais do México.
Sheinbaum afirmou que ainda não tomou uma decisão final sobre a retomada dos embarques, que levam, em média, quatro dias para chegar à ilha após saírem dos portos mexicanos. O México tornou-se, de fato, o único país que ainda envia petróleo para Cuba depois que os Estados Unidos intervieram na Venezuela e interromperam os embarques que o governo de Nicolás Maduro fazia para Havana.
O país latino-americano envia remessas de hidrocarbonetos para Cuba desde 1993, embora sempre em quantidades muito pequenas. Foi em 2024, um mês após o início do governo Sheinbaum, que o volume de remessas aumentou significativamente. Os dados mais recentes disponíveis, de relatórios que a Pemex envia regularmente à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), indicam que Havana recebia aproximadamente 17.200 barris por dia do México. Sheinbaum reconheceu nesta segunda-feira que a Pemex também tem se engajado com empresas privadas interessadas em fornecer combustível para a ilha. "Há empresas privadas que nos procuraram, por exemplo, para comprar combustível da Pemex e depois transportá-lo para empresas privadas em Cuba", acrescentou.
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