09 Março 2026
O presidente dos EUA alerta quase diariamente que a ilha "está em seus momentos finais" e precisa negociar um acordo.
A reportagem é de Macarena Vidal Liy, publicada por El País, 08-03-2026.
Desde o ataque à Venezuela, no qual Nicolás Maduro foi capturado em 3 de janeiro, Donald Trump insiste que o regime cubano está à beira do colapso. Ele afirma que o país precisa chegar a um acordo com os Estados Unidos para evitar consequências desastrosas. Desde o início da ofensiva contra o Irã, essas afirmações têm sido feitas diariamente, deixando claro que o ocupante da Casa Branca, convicto da invencibilidade de suas forças, tem o governo cubano como próximo alvo — assim que concluir a operação no Irã.
O fim do regime comunista, quase 70 anos depois da entrada de Fidel Castro em Havana vindo da Sierra Maestra, é uma das grandes ambições não só de Trump, mas também de seu Secretário de Estado, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos e criado no mais fervoroso sentimento anticastrista de Miami. É também um desejo ardente de muitos exilados cubanos no sul da Flórida e de legisladores republicanos para quem os votos dessa comunidade são cruciais.
As declarações mais recentes de Trump sobre Cuba foram feitas neste sábado, durante o lançamento da nova aliança de 13 países latino-americanos com governos de direita, o Escudo das Américas. Em seu clube de golfe em Doral, perto de Miami, onde decidiu realizar o evento, o presidente proclamou a criação de uma nova coalizão militar para combater o narcotráfico, a única maneira que ele acredita ser possível alcançar o sucesso.
Foi o anúncio principal de um evento que visava destacar o compromisso dos Estados Unidos com a América Latina; pelo menos, com governos alinhados ideologicamente. "Assim como alcançamos uma transformação histórica na Venezuela, também estamos muito ansiosos pelas grandes mudanças que em breve ocorrerão na ilha", afirmou.
A ilha, afirmou ele, “está em seus momentos finais como está agora. Terá uma grande nova vida, mas está em seus momentos finais como está”, declarou o presidente americano. Trump também afirmou que “aguarda com expectativa a grande mudança que em breve chegará a Cuba”. Mas esclareceu que sua atenção “neste momento” está voltada para a guerra no Irã: o presidente antecipou seu discurso em Miami para chegar a tempo da cerimônia de repatriação dos corpos de soldados americanos mortos em ataques iranianos no início do conflito.
Em seu discurso, Trump reiterou, pela terceira vez em três dias, que o regime em Havana não conseguirá sobreviver após perder o apoio econômico que recebia da Venezuela. Portanto, o governo cubano está interessado em negociar algum tipo de solução com Washington. "Eles querem chegar a um acordo", enfatizou.
Ele também afirmou, pela primeira vez, que está participando dessas negociações, lideradas pelo Secretário de Estado Marco Rubio. Veículos de imprensa americanos noticiam que o regime cubano está representado nesses contatos por Raúl Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, o homem forte do governo.
O ocupante da Casa Branca jamais mencionou a possibilidade de usar a força para provocar uma mudança de regime na ilha. Pelo contrário, sempre afirmou que isso não seria necessário, que o país está economicamente desesperado demais para suportar outro golpe — o mesmo que ele próprio desferiu ao forçar Caracas a retirar seu apoio econômico e ameaçar com sanções os governos que fornecem petróleo a Cuba.
Enquanto isso, os EUA estão tomando medidas para integrar a economia cubana à economia americana. Em 25 de fevereiro, começaram a permitir o fornecimento de combustíveis americanos, como o diesel, ao setor privado da ilha, apesar do embargo que Washington mantém contra Cuba há mais de seis décadas. O próprio Trump falou recentemente sobre a possibilidade de uma "aquisição amigável" da ilha, numa aparente alusão a essa abordagem econômica gradual.
Entretanto, o Departamento de Justiça dos EUA formou uma força-tarefa para examinar possíveis acusações federais contra autoridades ou entidades do governo cubano, conforme noticiado pelo The Washington Post esta semana. Esse grupo incluirá agências federais, entre elas o Departamento do Tesouro, o que pode significar que o governo Trump está considerando novas sanções contra a ilha.
O Departamento de Justiça já utilizou uma estratégia semelhante com líderes venezuelanos. No ano passado, declarou Nicolás Maduro e vários membros de seu governo como “terroristas” e o acusou de colaborar com organizações criminosas como o cartel venezuelano Tren de Aragua e o cartel mexicano de Sinaloa para contrabandear drogas para os Estados Unidos. “Ele é um dos maiores narcotraficantes do mundo e uma ameaça à nossa segurança nacional”, afirmou a procuradora-geral Pam Bondi no verão passado. Naquela época, o governo americano dobrou a recompensa oferecida pela captura do presidente sul-americano para cinquenta milhões de dólares.
E os países latino-americanos aliados a Trump também estão apertando o cerco ao regime. O Equador, sob a presidência de Daniel Noboa, anunciou na quinta-feira a expulsão da missão diplomática cubana em Quito, após acusá-la de espionagem. Um dia antes, o governo do país andino e as forças armadas dos EUA haviam anunciado uma operação conjunta contra o "narcoterrorismo".
“Só quero esperar algumas semanas. Já pedi ao Marco Rubio para cuidar disso, mas primeiro vamos nos concentrar no Irã; há bastante tempo (para Cuba)”, declarou Trump nesta sexta-feira durante uma reunião na Casa Branca com o clube de futebol Inter Miami, campeão da MLS na última temporada, e que contou com a presença de legisladores republicanos da Flórida e empresários ligados à comunidade cubana exilada.
“O que está acontecendo com Cuba é surpreendente, e acreditamos que queremos resolver primeiro essa questão (com o Irã)”, insistiu ele. “Será apenas uma questão de tempo até que você e muitas outras pessoas incríveis retornem a Cuba — esperamos que não para ficar. Queremos que vocês voltem e não queremos perdê-los. Não queremos que vocês fiquem. Mas alguns de vocês provavelmente querem ficar. Vocês amam muito Cuba. Ouço isso constantemente”, acrescentou o ex-incorporador imobiliário.
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