19 Março 2026
O cantor e compositor cubano Silvio Rodríguez, ícone da música latino-americana, declarou nesta quarta-feira que exigiria seu fuzil AKM caso os Estados Unidos, que estão intensificando as ameaças contra a ilha, a invadissem. Ele também fez coro às palavras do presidente cubano Miguel Díaz-Canel, que afirmou que “qualquer agressor externo encontrará uma resistência inexpugnável”.
A reportagem é publicada por Página/12, 19-03-2026.
“Exijo meu AKM, se eles lançarem. E que fique claro que estou falando sério”, escreveu Rodríguez, de 79 anos, em um comentário em seu blog, Segunda cita, referindo-se ao icônico fuzil de assalto soviético.
Ao longo da publicação, Rodríguez analisou a situação atual em Cuba, as opções disponíveis para os políticos cubanos, a “metodologia do império estadunidense” e as “armadilhas discursivas” que “normalizam a violência do bloqueio e culpam a vítima”. O músico escreveu: “Cada hora sem eletricidade, cada fila para conseguir comida, cada médico sem suprimentos é um lembrete do preço de suportar essa situação”.
Em uma resposta inicial em seu blog, o autor de mais de 500 canções destacou a promessa feita na terça-feira por Díaz-Canel de que Cuba ofereceria uma “resistência inexpugnável” ao agressor.
“Diante do pior cenário possível, Cuba tem uma certeza: qualquer agressor externo encontrará uma resistência inexpugnável”, escreveu Díaz-Canel na noite de terça-feira no jornal X, denunciando também os planos de Washington “de tomar o controle do país, de seus recursos, de suas propriedades e até mesmo da própria economia, que eles buscam sufocar para nos forçar a render”.
Há semanas, o presidente dos EUA, Donald Trump, vem fazendo declarações cada vez mais ofensivas contra Havana e seus líderes, ao mesmo tempo em que afirma que a ilha, que está em negociações com Washington, quer "finalizar um acordo" com os Estados Unidos. Na segunda-feira, o presidente republicano foi particularmente duro, declarando que teria "a honra de assumir o controle de Cuba, de alguma forma" e que "posso fazer o que quiser com Cuba".
Cuba, sob embargo dos EUA desde 1962, confirmou na sexta-feira que está em negociações com seu poderoso vizinho e libertou presos políticos como parte de um acordo com o Vaticano, mediador histórico entre os dois países.
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